Coração é terra que ninguém vê
jardineira de um coração.
Sachei, mondei - nada colhi.
Nasceram espinhos e
nos espinhos me feri.
Quis ser um dia,
jardineira de um coração.
Cavei, plantei.
Na terra ingrata
nada criei.
Semeador da Parábola...
Lancei a boa semente
a gestos largos...
Aves do céu levaram.
Espinhos do chão cobriram.
O resto se perdeu
na terra dura
da ingratidão
Coração é terra que ninguém vê
- diz o ditado.
Plantei, reguei, nada deu, não.
Terra de lagedo, de pedregulho,
- teu coração.
Bati na porta de um coração.
Bati. Bati.
Nada escutei.
Casa vazia. Porta fechada,
foi que encontrei...
Ana Lins de Guimarães Peixoto Bretas, mais tarde conhecida como Aninha da Ponte da Lapa, nasceu no estado de Goiás (Goiás Velho) em 1889. Em 25 de novembro de 1911 deixa Goiás indo morar no interior de São Paulo. Viveu fases difíceis da história política do país e que marcaram a sua própria história. Um de seus filhos participou da Revolução Constitucionalista de 1932. Voltou para Goiás em 1954, depois de 45 anos.
Tendo apenas instrução primária e sendo doceira de profissão, da doceira temos palavras doces, amadurecidas; da poetisa de coração, experiências de toda uma vida, contadas em versos simples de forma comunicativa e direta.
"(...) Admiro e amo você como a alguém que vive em estado de graça com a poesia. Seu livro é um encanto, seu lirismo tem a força e a delicadeza das coisas naturais (...)".
Publicou: Estórias da Casa Velha da Ponte, Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais, Os Meninos Verdes, Meu Livro de Cordel, O Tesouro da Velha Casa, Becos de Goiás (1977); e Vintém de cobre: meias confissões de Aninha (1983). Tragédia na Roça foi seu primeiro conto publicado.Troféu Juca Pato (1983), da União Brasileira de Escritores, que a elegeu a Intelectual do Ano.


















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