Nas asas dos sonhadores
Quando criança pequena, lá em deus-me-livre, eu sonhava poder voar. Mas não ficava só no sonhar não! Eu vivia rabiscando projetos de um avião. Quando adolescente, planejava construí-lo e sair por esse mundão voando, pousando aqui e ali, conhecendo novos lugares, novas pessoas. Muitas vezes deitava no campo à noite para observar as estrelas. Aí eu sonhava mais alto; ficava imaginando viajar entre elas.
Devorava livros como os de Julio Verne, as Viagens de Gulliver, qualquer ficção espacial e principalmente tudo que falasse sobre Santos Dumont, “Le petit Santos”. Ele era meu ídolo. Enfim, o sonho de voar mobilizava minhas horas de laser. De vez em quando construía modelos em papel ou madeira e testava-os. Fazia pipas super diferentes, algumas gigantescas. Ainda bem que nunca me joguei do telhado agarrado a nenhuma delas!
Fazer uma geringonça de papel, tecido ou madeira não seria difícil, mas meus projetos começaram a sair do mundo dos sonhos e foram aos poucos caindo na realidade. Isto quando me dei conta de que um avião precisaria de um motor. Aquilo que tracionaria meu avião para o alto e avante passa a ser o que levaria meus sonhos para trás. Faria com que eles aterrissassem sem mesmo ter decolado. O motor seria o divisor de águas entre o sonho e a realidade.
No entanto motor que movia minha criatividade continuava lá, a todo vapor. Continua até hoje, tirando-me da inércia de vez em quando. Não exatamente para voar pelos céus, mas para viajar por mundos diversos, como o da literatura por exemplo.
Porém, se um avião precisaria de um motor, meu sonho acabava ali. Pobre criança pobre! Aluno de escola pública, família grande. Bom, o resto vocês já imaginam.
Com o tempo este sonhador que lhes fala um dia veio a ser militar da Aeronáutica. Voou um bocado por esse mundo. O avião não era nenhuma geringonça feita em casa, mas estava realizado o sonho de voar. Embora eu deva isso a outras crianças sonhadoras, que diferentemente de mim puderam levar seus sonhos às últimas instâncias.
Você deve estar se perguntando a onde quero chegar com este texto, que não promete nenhum clímax. Pois é. Na verdade eu gostaria de tê-lo escrito no dia 23 de outubro, que foi o dia do aviador. Singela homenagem a Santos Dumont.
É minha pequena homenagem aqueles que, muito antes que eu ao menos tivesse nascido, já haviam sonhado por nós. E nesse rol de sonhadores, deixando de lado os mitos como o de Ícaro e Dédalo, muitos homens, inclusive muitos brasileiros, dedicaram suas vidas a pesquisas e ensaios arriscados para fazer o homem tirar o pé do chão.
Finalmente, em 23 de outubro de 1906, direto do campo de Bagatelli, em Paris, o brasileirinho, Santos, que também sonhava voar como um pássaro, fez o homem finalmente tirar o pé do chão, definitivamente.
Agora eu posso me deter em outros sonhos; de preferência um sonho que eu possa levar até o fim!

“São os sonhos que movem a humanidade”

















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