
Último galope
É noite. Chove torrencialmente na Gávea. Na pista de grama, sob clarões de relâmpagos, corre em pelo um puro-sangue negro. Estia. Amanhece. Nas baias, murmúrios e lamentos.
- Ébano está morto!

Último galope
É noite. Chove torrencialmente na Gávea. Na pista de grama, sob clarões de relâmpagos, corre em pelo um puro-sangue negro. Estia. Amanhece. Nas baias, murmúrios e lamentos.
- Ébano está morto!
by TonyInsanos falam de amor
Pois há razão na loucura
Também loucura no amor.
Como posso ignorar
O amor de uma mulher,
Que se diz apaixonada,
E o tanto que me quer.
&
Amar mesmo! Só a ela.
Ficar preso por vontade,
Digam, pois o que quiser
Deve ser insanidade.
&
Fechar olhos para o mundo
Pra sempre junto estar
Contemplando só a ela
Sua dor para si tomar.
&
Apenas viver o amor
Pouco a pouco se entregar
Ser insano é saber
Que loucura é amar!

O período natalino, entre outras coisas, serve para nos trazer à reflexão: as vitórias, as derrotas, as perdas - materiais e humanas principalmente.
Nós temos sempre tantos projetos de vida. Queremos estudar, queremos trabalhar, casar, ter filhos, ver os filhos crescerem, viajar pelo mundo, escrever um livro. Enfim, só projetamos viver. Salvo raríssimas exceções, ninguém faz planos para o ocaso de suas vidas. Alguns fazem seguros de vida, planos de funeral, outros até deixam coroa de flores pagas, mas não é o normal.
Excentricidades à parte, o que queremos mesmo é viver! Com toda violência, poluição, aquecimento global e apesar de todas as previsões escatológicas nós gostamos desse mundinho. De forma que ninguém põe em sua agenda para o ano seguinte qualquer compromisso com o quarto cavaleiro.
Então, a qualquer momento que sejamos chamados, ficará sempre algo por fazer, sempre algum projeto em andamento, palavras não ditas, sonhos; sempre um livro inacabado, ou com um epílogo improvisado.
No entanto, são os coadjuvantes dessa história, aqueles que ficam, que sofrerão a perda; que perceberão a lacuna deixada, o vazio, uma história abortada. A sensação interminável de incompletude.
Faça, desfaça, declare seu amor, reconheça seu erro, peça perdão, ame. Viva intensamente, esteja pronto!

Um dos passeios que eu mais gostava de fazer quando me sentia um pouco angustiado era passear pela orla de Niterói. São tantas pequenas praias e enseadas que o cenário muda a cada curva. Quando a estâmina me permitia, corria por todas elas; hoje, faço o mesmo trajeto caminhando encantado com tanta beleza. A disposição de corredor talvez não seja a mesma, mas a sensibilidade me favorece hoje o que a velocidade não me permitia naqueles idos anos.

Adorava sentar-me nas pedras e ficar apreciando a paisagem, o comportamento do mar, sereno, equilibrado. Enquanto pescava idéias para os meus textos, observava também as pedras e ilhotas de Niterói: Pedra do Índio, da Praia das Flechas, a Ilha da Boa Viagem. Perdia-me por aquela orla. De vez em quando pescava um pneu ou um sapato velho, mas, entre bagres e sardinhas, retirei dali lindas pérolas.
o ópio do povo
Após horas a fio de trabalho pesado e exaustivo, a lassidão vai tomando conta do corpo. O calor estival torna penosa a rotina de esforço hercúleo, entorpece músculos, bloqueia o cérebro. O sacrifício drena as toxinas e os sais de suas veias, esgota-lhe a energia dos tecidos. Envolto em pouca carne, estruturado em músculos e epiderme calejada, quase uma besta de carga, uma máquina quase humana, ou um humano quase máquina, deleita-se no suor que escorre pelo bronze da pele macerada. Carreia a carga, cumpre a sina: comer do próprio suor.
O dia é curto para a tarefa, esta é longa para o salário. O sol encerra seu turno do lado de cá, com ele, o corpo exausto, entrega-se ao cansaço, relaxa. Goza o ínfimo lapso do esforço imposto. A noite revela-se curta para o repouso necessário e merecido, esquece. Sem armas, sem defesas outras que não a força de seu trabalho, repousa o guerreiro. Adormece.
&&&
Segunda-feira é dia de luta!
Boa semana a todos!
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