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quinta-feira, novembro 10

Bahia e a poesia contemporânea

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A Bahia sempre foi berço de grandes escritores. Encerra-se hoje a décima Bienal do Livro da Bahia, mas a atividade literária continua fervilhando, os baianos saem pelo Brasil divulgando suas obras.


O jornalista baiano Valdeck Almeida de Jesus lança “30 anos de poesias" na livraria Martins Fontes da Avenida Paulista, dia 11 de novembro, às 18 horas e “Memórias do Inferno Brasileiro” em Ribeirão Preto, durante o congresso da União Brasileira de Escritores. O encontro acontece de 12 a 15 de novembro, com debates, mesas redondas, seminários, oficinas literárias, lançamentos de livros etc. O livro de memórias será lançado dia 13, às 17 horas. Dentre outras atividades, Valdeck fará a leitura de um poema em homenagem a Damário da Cruz, poeta da Bahia, falecido em 21 de maio de 2010.

O livro “30 anos de poesias” reúne obras literárias escritas dos 12 aos 42 anos do poeta jequieense, além de textos de outras épocas.

A Livraria Martins Fontes Paulista fica na Avenida Paulista, 509 - São Paulo-SP - (11) 2167-9900
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quinta-feira, setembro 15

...e a Bienal heim!

 


Acabou de acabar a XV Bienal do livro do Rio de Janeiro. As estatísticas acusam que o brasileiro lê pouco, no entanto, eventos como este parecem demonstrar o oposto. A Bienal do Rio foi dominada por crianças e jovens. Sabemos que isto é um referencial localizado e não basta para mudar as estatísticas, mas é muito bom ver crianças e adolescentes envolvidos, garimpando livros tietando seus autores preferidos. Segundo os organizadores cerca de 700 mil pessoas estiveram no Riocentro, bem mais que durante a Bienal de 2009.


Foram três pavilhões do Riocentro lotados de Editoras, livrarias e eventos literários e culturais. Antes de percorrer a primeira alameda de estandes eu já tinha leitura para o resto do ano. O jeito foi sentar um pouquinho e folhear a garimpagem. Aliás, ali não é preciso garimpar muito; o “ouro está na flor da terra”!


A Bienal do Rio acabou, mas deixa marcas importantíssimas para a formação do hábito de leitura e para contestar as estatísticas de que o brasileiro lê pouco. Aguardemos. A próxima Bienal do livro do Rio de Janeiro já está programada para o período de 5 a 15 de setembro de 2013. Está na agenda! E, enquanto esperamos a próxima, nada nos impede fazer turismo literário, não é mesmo? Até 2013 teremos a FLIP (Paraty), a Bienal de São Paulo, a Bienal do Ceará, a Bienal de Minas Gerais, ah! São tantas impressões!


Bom final de semana a todos!
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sábado, fevereiro 12

O Livro Proibido

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O que pode haver de errado em um livro numa feira de livros?

Não sei se já disse isto por aqui, mas sou rato de livrarias, ou melhor, uma traça. Adoro livrarias, sebos e feiras de livros.

Uma das coisas que fiz quando de férias em Fortaleza, em janeiro último, foi visitar livrarias, feiras de livros e até editoras. Quando estava transitando entre as bancas da feira de livros na Praça dos Leões um vergonhoso detalhe me chamou a atenção: livros didáticos, de venda proibida, expostos à venda.

A princípio pensei que fosse apenas um exemplar perdido por ali e que o livreiro o vendesse por uma mixaria de talvez dois ou cinco reais. Ledo engano!

O que constatei após rodar toda a feira foi que quase todos os livreiros tinham aqueles livros, aos montes, para vender. E detalhe. Caríssimos! Quase o preço de livraria.

Aquilo me revoltou, principalmente, porque aquela é uma feira controlada por órgãos públicos municipais e todos os livreiros são cadastrados, com crachá e tudo mais.

Por que esse tipo de comércio existe? Porque há quem compre achando que está levando vantagem. A suposta vantagem financeira se perderá em face ao prejuízo, moral, ético e de formação da cidadania.

Os tais livros são aqueles que os professores ou as escolas recebem gratuitamente das editoras para análise e possível adoção para sua pratica pedagógica anual. O que mais me revoltou foi saber, após conversa com alguns comerciantes, que os próprios professores juntam os livros e os levam para vender ao livreiro, que os revende. Absurdo! Porque estes mesmos livros não são destinados a bibliotecas ou doados a alunos carentes ou mesmo cambiados entre professores ou escolas interessadas? Onde está a fiscalização? Onde ficou a ética destes professores? E o escrúpulo do comerciante? Tenho que admitir que algumas coisas na minha terra ainda me envergonham.

Pela primeira vez saí de uma feira de livros sem levar nada.

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quinta-feira, outubro 28

Ler:

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Uma viagem fantástica

Instigado pela tentação da capa adentro um portal mágico. Ao folhear as primeiras páginas, mundos desconhecidos descortinam-se, ricas imagens vão sendo reveladas diante dos meus olhos. Palavra a palavra, ponto a ponto, histórias brotam em profusão. No curso das letras, sonhos; nas entrelinhas, vida.

Degustadas as primeiras páginas, já transito por outros universos. Num mergulho mais profundo sonho e realidade se confundem. Então, de mãos dadas com o narrador passeio pelo tempo, pelo espaço, por sua mente. Percebo, entremeadas em suas idéias, que às vezes também são as minhas, sutilezas de sua personalidade, seus medos, suas angústias, suas loucuras. Através de seus relatos conheço da minha história outras estórias. Deleito-me com a beleza das palavras e com as impressões de um mundo-livro.

Um país se faz com homens e livros (M. Lobato); um homem, com livros e mais livros!

Já leu a sua dose diária?

Boa semana a todos!

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quarta-feira, julho 22

Gibi, cordel ou um Clássico da literatura?

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Desculpem-me caso eu esteja enganado, mas acredito que blogueiros são leitores inveterados, de outra forma não conseguiriam se manter nesta atividade que tanta leitura exige, por muito tempo. Tô certo?

No entanto por mais entusiasta que seja o leitor existem obras que muita gente abandonaria pelo caminho. Um livro com mais de duas mil páginas pode ser desanimador se a motivação e o interesse não forem o bastante. É o caso de livros da literatura clássica como Os Lusíadas, de Camões, Os Miseráveis, de Victor Hugo, ou Dom Quixote, de Cervantes. São obras magníficas sem dúvida, mas quando se tem aquele livrão na mão e não se consegue sair do primeiro capítulo, é desanimador, não é mesmo? Mas onde quero chegar, você perguntaria. Pois bem.

Você gostaria de ler Dom Quixote, de Cervantes, em uma hora de leitura ou menos, e com o prazer e a satisfação de ler uma poesia ou uma estória em quadrinhos? É possível! Não se trata de mais uma nova técnica de leitura dinâmica, não. Mas trata-se de uma iniciativa de talento e criatividade.

Em 2005, por ocasião da comemoração dos 400 anos de publicação do clássico da literatura Espanhola e mundial, Dom Quixote de La Mancha, de Miguel Savaedra Cervantes, o quadrinhista, cordelista e ilustrador cearense Klévisson Viana publicou, pela editora Livro Técnico As aventuras de Dom Quixote em versos de cordel (formato 21 x 29,7 cm, 48 páginas).
No novo formato o clássico Quixote é talentosamente recontado em versos de cordel e ricamente ilustrado pelo próprio Klévisson. A clássica cena dos moinhos aparece no centro do livro em um desenho de página dupla, magnífico. Em 2008 o poema Dom Quixote foi também gravado em CD. Desta forma, o mito, sempre atual, do cavaleiro andante ganha uma versão bem brasileira e extremamente criativa. Recomendo para leitores de todas as idades.



Aprecie aqui um pouco da graça das primeiras estrofes:


Quem foi este Dom Quixote?
Foi um louco, um sonhador?
Visionário ou lunático,
Em um mundo enganador?
Ou foi alguém que buscava
Pra vida um real valor?

Quem ler este livro tira
Algumas boas lições:
Quão imutável é o sonho
Para muitas gerações!
Dirá: “Quixote está vivo
Em nossas vãs ilusões!”.

Pois numa aldeia da Mancha
Residia, antigamente,
Um fidalgo sonhador,
Curioso, inteligente
Que lia dias e noites
De modo surpreendente.

Seu nome: Alonso Quijano.
Figura magra e esguia,
Com cinqüenta e poucos anos
Gastava o que possuía
Comprando livros e livros
De heróis da Cavalaria...



Klévisson, nasceu em 1972 em Quixeramobim-Ce, onde criou grandes personagens como: Padre Mororó, Dona Guidinha do Poço (Marica Lessa), Fausto Nilo e o famosíssimo Antônio Vicente Mendes Maciel - O Conselheiro de Canudos. Desde criança, Klévisson aprendeu com seu pai Evaldo Lima (agricultor, repentista nas horas vagas) a apreciar os clássicos da literatura de cordel, e de quem herdou o amor pela cultura popular. A partir de 1990, passou a residir em Fortaleza, onde fundou o Salão Nacional do Humor de Fortaleza juntamente com João Filgueiras e T. Matos. Hoje Klévisson Viana está à frente da Editora Tupynanquim, em Fortaleza, que distribui cordéis para todo o Brasil e está sempre envolvido com eventos culturais ligados ao cordel, pelo nordeste principalmente.


Conheci Klévisson Viana em Fortaleza em 2007 em um congresso de cultura popular no SEBRAE, onde ele apresentava oficinas de Cordel. Seu trabalho também pode ser apreciado através de iniciativa da Editora HEDRA que lançou uma coletânea de cordelistas em formato livro.

Klevisson, nessa linha de clássicos em cordel, publicou também Os Miseráveis, de Victor Hugo. Vale a pena ler ou reler os clássicos dessa forma tão criativa e descontraída. Por aí se pode observar que o Cordel não se restringe à forma tradicional do panfleto ou folheto de feira. Ele pode se prestar à releitura dos clássicos ou a muitas aplicações didáticas como tem acontecido ultimamente graças a algumas iniciativas inovadoras como a de Klevisson Viana. Parabéns Klevisson.
Que venham outros Classicos!



Quem quiser maiores informações sobre como adquirir o livro, sobre a Editora ou conhecer melhor o autor clique aqui.


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segunda-feira, julho 13

Elogio da loucura

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"Com efeito, o que é a vida se suprimis seus prazeres? Merece ela então o nome de vida?... Vós me aplaudis, meus amigos! Ah! Eu sabia o quanto éreis todos muito loucos, isto é, muito sábios, para não compartilhar meu pensamento... Os próprios estóicos amam o prazer; eles não poderiam odiá-lo. Por mais que dissimulem, por mais que difamem a volúpia aos olhos do vulgo, cumulando-a de injúrias as mais atrozes, é puro fingimento! Tratam de afastar os outros dela para que eles próprios a usufruam com mais liberdade. Mas por todos os deuses! Que eles me digam então qual instante da vida não é triste, tedioso, desagradável, insípido, insuportável se não for temperado pelo prazer, isto é, pela loucura. Eu poderia contentar-me aqui em citar o testemunho de Sófocles, esse grande poeta que nunca se terá louvado bastante, e que fez de mim um tão belo elogio quando disse: A vida mais agradável é a que transcorre sem nenhuma espécie de sabedoria. (...)"

Extraído de Elogio da Loucura, de Erasmo de Rotterdam – 1508.



Esse é um trecho do livro Elogio da Loucura em que Erasmo dá voz à loucura e esta sai em defesa de si mesma, numa apologia auto-elogiosa, tentando justificar sua ação na vida das pessoas. A loucura de que fala Erasmo não é aquela insanidade mental atestada por um psiquiatra, que pode levar alguém a cometer crimes, atrocidades, mas as insanidades que se cometem em nome da emoção deixando em segundo plano a razão, a racionalidade, em benefício de si próprio. Erasmo era teólogo, racionalista e escreveu este texto em 1508 para seu amigo Thomas Morus. É uma critica aos racionalistas e escolásticos ortodoxos que queriam o homem escravo da razão.

Realmente, o que seria de nós se não fosse essa loucura. As pequenas e grandes loucuras! A vida sem uma pitada de audácia, de ousadia seria insuportável. Seria tolerável a vida se a loucura não suprisse as pessoas de um ímpeto vital, irracional e incoerente quando as desilusões e desventuras as enclausuram?

Atitudes como fugir com a pessoa amada, largar o emprego por um ideal distante, a loucura de deixar a casa dos pais em busca de um lugar só seu, a loucura de amar, a loucura de ter filhos, vão dando sabores diferentes ou apimentando a mesmice da vida. Que loucura é a vida!

Loucura é experimentar o proibido, confiar no desconhecido, arriscar a última moeda; loucura é deixar o certo pelo mais gostoso. Que loucura é amar!

Loucura é raptar a mulher amada; loucura é voltar para casa do pai com um filho nos braços. Casar também é loucura, e mais que isso é a loucura de descasar: abandonar um casamento de quinze ou vinte anos, jogar tudo para cima somente para ter de volta sua liberdade e o direito de, outra vez, cometer loucuras. E se esse "louco" for uma mulher, então multiplique-se por dez o tamanho dessa loucura. Para elas seria uma insanidade sem tamanho deixar um relacionamento tão longo, confortável, abrindo mão de “direitos” ou até de filhos e ficar à mercê e de um novo destino. É loucura das grandes; não é qualquer doida que consegue. Vida longa as loucas!

E o que seria dos homens sem as grandes loucuras, loucuras que mudaram o mundo? A loucura de enfrentar a Inquisição quando a fogueira era o destino; a loucura de cruzar os mares quando o vento era a única garantia; a loucura de querer voar quando somente aos pássaros se permitia esse prazer; a loucura de ir à lua quando a terra ainda era desconhecida. Que loucura! Acho que o mundo se move à custa dos loucos!

Vivas aos loucos. Àqueles que tiveram a loucura de ousar, de romper com tabus, a loucura de amar, àqueles que cometeram a loucura de mudar a loucura que é viver. Aos demais, camisa-de-força. (Leiam Erasmo)

Ah, segunda-feira é uma outra "loucura"! Boa semana a todos! Sem insanidades, por favor!

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quinta-feira, maio 14

Poesia comentada

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Voltando para Ítaca




Quem estudou um pouco de literatura ou aprecia os Clássicos certamente lembra dos poemas épicos de Homero, ou pelo menos já ouviu falar na Ilíada e na Odisséia.
A Ilíada conta, em versos, a Guerra de Tróia e a Odisséia narra, também em versos, a Viagem de Ulysses de volta a Ítaca, sua ilha natal. Em 24 cantos contém 12.000 versos, tratando de vida doméstica e viagens fantásticas.
A narrativa dos poemas de Homero estabeleceu estereótipos presentes até hoje na cultura ocidental. O guerreiro que luta pela sua pátria, Itaca que passa a imagem do lar seguro para o repouso do guerreiro; Penélope, a esposa que espera o marido, incansável.
Apesar do assédio de pretendentes que lhe diziam ter Ulysses morrido em batalha, Penélope esperou por ele por mais de dez anos, tempo que durou a Guerra de Tróia.
Muitas figuras de pensamento ou de linguagem, cunhadas nessa literatura, são ainda revisitadas na literatura moderna. Expressões como “a vingança é um prato que se come frio”, “agradar a gregos e troianos”, “presente de grego”, cavalo de tróia e muitas outras, encontram suas raízes nesses Clássicos gregos.


É admirável a firmeza com que Ulysses persistiu, incansável, na luta para voltar para sua família. Enfrentou ciclopes, monstros marinhos, mas não desanimou, não se desviou de seu objetivo. Voltar para casa. E isto foi fundamental para o sucesso dele, inclusive na luta contra os deuses. Aliás, parece ser o ideal de todo homem ter uma Ítaca para retornar e uma Penélope à sua espera.
Essa, porém, é a visão clássica da história. Alguns séculos depois de Homero, em 1911, o escritor, também grego, Konstantinos Kavafis, teve outra visão da Odisséia, que ele expressou no poema Ithaca. Vamos ver essa idéia?


Ithaca


K. Kavafis.

Se partires para Itaca,
que seu caminho seja longo,
repleto de aventuras, repleto de saber.
Nem Lestrigões nem os Cíclopes
nem o colérico Poseidon te intimidem;
jamais os encontrarás no teu caminho
se alto mantiveres teu pensamento, e
se sutil emoção teu corpo e teu espírito tocar.
Nem Lestrigões nem os Ciclopes
nem o bravio Poseidon hás de ver,
se não os levares dentro da alma,
ou se tua alma não os puser diante de ti.
Rogues que o caminho seja longo.
E numerosas as manhãs de verão
as quais viverás com prazer e alegria,
tu hás de entrar em portos nunca vistos
para correr as lojas dos fenícios
e colher o que há de melhor:
madrepérolas, corais, âmbares, ébanos,
e perfumes sensuais de toda espécie,
quanto houver de aromas voluptuosos.
A muitas cidades do Egito deves ir
para aprender com os sábios
e de um povo que tanto tem para ensinar.

Tenha sempre Itaca na mente.
Estás predestinado a ali chegar.
mas não apresses a viagem nunca.
Melhor que a jornada leve muitos anos
e que teu barco só ancore na ilha
Quando estiver velho enfim,
rico de quanto ganhaste no caminho,
sem esperar que Itaca te de riquezas.

Uma bela viagem deu-te Itaca.
Sem ela não te ponhas a caminho.
Ela já te deu tudo
Nada mais pode te oferecer.
se achas que Ítaca é pobre.
Itaca não te iludiu,
Tu te tornaste sábio,
E viveu uma vida intensa,
e este é o significado de Ítacas.


(Tradução livre, do Inglês)


Existem obstáculos na vida que são inevitáveis. São barreiras que teremos que enfrentar para crescermos física, mentalmente e espiritualmente. Para evoluirmos como seres humanos. Por exemplo, o tempo, as limitações próprias do ser humano, a dor, o aprendizado. Há hora de plantar e de colher. Tudo tem um tempo para acontecer e um período de maturação, não adianta “brigar com os deuses”. Então por que não aproveitar tudo da melhor maneira possível, sem pressa de voltar para Ítaca?
...


Acredito que foi essa a idéia de Konstantinos. Interessante!

Então, voltando para Ítaca, reserve algum tempo para apreciar as flores.
Não apresse sua viagem, viva intensamente cada dia!

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terça-feira, setembro 30

Um livro que vale a pena ser lido...

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Um dos mais belos livros que já li “As Boas Mulheres da China”, escrito pela radialista e jornalista chinesa, Xinran;

Xinran coletou inúmeros relatos sobre a vida da mulher chinesa contemporânea durante os oito anos em que comandou o programa da rádio de Pequim "Palavras na brisa noturna", entre 1989 e 1997 e no livro conta as histórias reais de mulheres de várias idades e condição social, vítimas da humilhação e do abandono: casamentos forçados, estupros, desilusões amorosas, miséria e preconceito.

Uma das histórias que mais me emocionou é a de Hongxue, uma menina estuprada pelo pai desde os 11 anos de idade e que arruinou deliberadamente sua saúde para se refugiar num hospital. Hongxue descobriu o afeto ao ser acariciada não por mãos humanas, mas pelas patas de uma mosca, o único toque gentil que recebeu na vida. Sua única felicidade foi quando soube que iria morrer e não retornaria jamais para a casa do pai.

Algumas histórias outras narradas no livro:

* Uma menina foi vendida em casamento para um velho e acorrentada, sem que os moradores do povoado ou as autoridades se dispusessem a interferir - isso porque existem ''36 virtudes, mas não ter herdeiros é um mal que nega todas elas'', e o velho estaria, portanto, no direito de assegurar sua continuidade. Mas, preocupada, uma pessoa da aldeia mandou uma carta anônima para Xinran, pois a menina estava para morrer por causa dos ferimentos causados pelas correntes. Ela implorava, no entanto, para que Xinran fosse discreta, pois se descobrissem quem havia denunciado, ela seria escorraçada da aldeia. Trecho do livro: ''A garota tinha só doze anos. Nós a tiramos do velho, que chorava e praguejava amargamente. (...) Não recebi nenhum elogio por salvar a menina, só críticas por 'deslocar soldados, causar agitação entre as pessoas' e desperdiçar o tempo e o dinheiro da emissora. Fiquei abalada com essas queixas. Havia uma garota em perigo e, ainda assim, ir em socorro dela foi visto como 'exaurir as pessoas e drenar o Tesouro'. Quanto valia, exatamente, a vida de uma mulher na China?'';

* Alijada da presença do filho, uma mãe passa-se por catadora de lixo só para vê-lo diariamente. Quando mais nova, o marido morreu prematuramente juntamente com um dos dois filhos e, após pensar em suicídio, criou o único filho que lhe restara. Este obtém sucesso, mas a mãe permanece fora de sua vida;

* Frustrado por não ter um filho, o pai de uma menina a criou como um menino e, depois de estuprada por um grupo de homens, passou definitivamente a abominar o contato com o sexo oposto e apaixonou-se por uma ativista homossexual que lhe ensinou sobre os prazeres da sexualidade;

* A filha de um general da facção de Chan-Kai-Chek, considerado traidor na época da Revolução, enlouquece. Os homens aproveitam-se dessa fraqueza e estupram a menina seguidamente até que a família a encontre em um estado de quase catatonia.

Perto da metade do livro, o leitor conhece quais são as três submissões e quatro virtudes das mulheres no pensamento masculino chinês: ''submissão ao pai, em seguida ao marido e, depois da morte deste, ao filho. As virtudes: fidelidade, encanto físico, decoro na fala e nos atos, e diligência no trabalho doméstico''.

E por fim, Xiram narra o motivo que a fez abandonar a China e se mudar para Londres: a Colina dos Gritos, uma comunidade onde as pessoas não têm casas e moram em cavernas, não há fogão ou panelas, a comida é escassa, não há roupas para as meninas, a maioria das mulheres têm útero caído e utiliza folhas no período menstrual causando-lhes feridas nas coxas.

O livro foi inspirado em perguntas que uma universitária lhe propôs quando se encontraram: ''Qual é a filosofia das mulheres? O que é a felicidade para uma mulher? E o que faz uma boa mulher?''

Um livro belíssimo, emocionante, informativo e que vale a pena ser lido.

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