Houve um tempo
Em que internet não havia;
Houve um tempo
Em que televisão não se assistia;
Houve um tempo
Em que ao shopping não se ia;
Houve um tempo
Em que rádio não se ouvia;
Houve um tempo
Em que nem mesmo se escrevia;
Mas, através dos tempos,
Sempre houve poesia!
&&&
É tempo de leitura, tempo de poesia!
Livros a mão cheia!
De 01 a 11 de setembro estará no Riocentro, Rio de Janeiro a Bienal do Livro 2011 No evento estará sendo lançada a coletanea de poesias do Concurso Literário Valdeck Almeida. Tony é um dos autores publicados.
...
Cumplicidade
by Tony
Temos
De quatro paredes
A discrição,
Do tempo a imposição,
Um do outro a cumplicidade.
Guardo
Dos bons momentos
As delícias,
De tuas mãos as carícias,
Do que vivemos a saudade!
Quero
Ao amanhecer
Em teus braços acordar
Aqui, em qualquer lugar,
E de teus beijos saciar a vontade!
Sair a colher poesia, de certa forma, é semelhante ao que ocorre a alguém que sai a colher flores. É preciso ter os olhos bem abertos, ouvidos do coração despertos e olfato a serviço de olores diversos. Para que, assim, não se perca de vista sequer a mais singela das flores ou o mais suave aroma silvestre, nem se ignore a forma mais sutil. Para isto é bom que se tenha as janelas do coração bem abertas.
Vez por outra retornamos tristes sem nada que possa um simples vaso enfeitar, em raras ocasiões voltamos floridos, com prontas estrofes a rimar. Colhemos letras, montamos palavras. Embora simples flores silvestres, atadas num mesmo feixe, podem com seu perfume inebriar e, de forma sutil, a vida embelezar. Palavras de mãos dadas e flores em feixe bem atadas revelam segredos que numa letra não cabe e que a palavra mais rara não sabe.
Assim seria colher versos. É tal qual pelos jardins andar. Aqui, ali, uma erva daninha pisar, até, por fim, alguma beleza encontrar. Por vezes trazemos braçadas de lindas rosas abertas, por outras, simples botões por desabrochar.
Dizia o escritor espanhol Antonio Machado que os caminhos não existem, nós os construímos ao caminhar. Isto é bem verdade. Basta um primeiro passo para começarmos uma nova jornada, por maior que pareça. E também, para darmos uma guinada na vida precisa haver este primeiro passo.
Contudo, com a mesma facilidade com que podemos abrir nossos caminhos, também criamos barreiras, obstáculos para nós mesmos. Aos poucos construímos cercas ou grades intangíveis que vão nos aprisionando em nosso próprio mundinho particular. Assim, não conseguimos estender muito os nossos caminhos. Não conseguimos ir além dos horizontes artificiais que impomos a nós mesmos. É claro que falo de barreiras invisíveis, ou seja, barreiras psicológicas, morais, religiosas, éticas, etc. In suma, limites fundados sobre princípios que muitas vezes até já perderam a validade neste mundo moderno em que vivemos.
Assim, para que possamos dar o primeiro passo e abrir caminhos, como disse Machado, é preciso que antes de tudo tomemos coragem para romper com as barreiras, com as travas que nós nos colocamos e que nos impede de sair da inércia.
A comodidade e o conforto, sonhos de consumo, podem muitas vezes desencadear o mêdo do novo, o receio de viver desafios, de correr riscos. Assim não se abre caminhos. Viver impõe riscos.
Está na hora de revermos os nossos limites!
António Machado (1875-1939).
Caminante, son tus huellas el camino, y nada más; caminante, no hay camino, se hace camino al andar. Al andar se hace camino, y al volver la vista atrás se ve la senda que nunca se ha de volver a pisar. Caminante, no hay camino, sino estelas en la mar.
O poema faz parte de um conjunto de provérbios e cantares.
Excelente sonetista, Florbela Espanca teve uma vida breve. Morreu aos 36 anos. Felizmente foi o bastante para nos deixar uma extensa obra poética, rica em lirismo e erotismo. A iconografia da poetisa portuguesa é também muito rica, o que não era muito comum no inicio do século XX. Isto se deve ao fato de que seu pai foi fotógrafo e a usava como modelo para seus ensaios fotográficos.
Entre tantas referencias boas Florbela nos deixou "Saudades".
Saudades! Sim... Talvez... e porque não?... Se o nosso sonho foi tão alto e forte Que bem pensara vê-lo até à morte Deslumbrar-me de luz o coração!
Esquecer! Para quê?... Ah! como é vão! Que tudo isso, Amor, nos não importe. Se ele deixou beleza que conforte Deve-nos ser sagrado como o pão!
Quantas vezes, Amor, já te esqueci, Para mais doidamente me lembrar, Mais doidamente me lembrar de ti!
E quem dera que fosse sempre assim: Quanto menos quisesse recordar Mais a saudade andasse presa a mim!
Semana Santa, feriado, oração e muito chocolate. Mas entre uma guloseima e outra há lugar para uma gota de poesia.
O haicai é um jogo de palavras tão minimo que pode passar despercebido num texto ou em um papo descontrído. No entando a onda está pipocando por aí.
O poeminha, de origem japonesa, surgiu no século XVIII. Inicialmente tinha uma forma bem rígida, principalmente no Japão, com 17 sílabas, distribuídas em três versos, o primeiro com cinco sílabas, o segundo de sete e o último de cinco. Porém na atualidade a mania do haicai se espalhou pelo mundo e, seguindo as tendências modernistas, assumiu formas bem livres.
Hoje o haicai pula que nem pipoca.
Paulo Leminski foi um dos maiores divulgadores do haicai no Brasil. Olha aí alguns dele:
Ameixas
Ame-as
Ou deixe-as
...
Tudo dito
Nada feito,
Fito e deito
...
Amar é um elo
entre o azul
e o amarelo
...
Confira
tudo que respira
conspira.
Outras coisinhas minúsculas:
Opúsculo
naco de inspiração
minúsculo (tony)
...
Viver,
vivi, de amar
morri. (tony)
...
Amar, amei, amanhã,
não sei. (tony)
É uma boa maneira de tentar escrever poesia. Comece! Tente um Haicai. Comente, goste, poste!
A poesia não está exatamente na palavra, mas no uso que se faz dela, na leitura que ela pode proporcionar diante de coisas aparentemente sem nenhuma dose de lirismo. A poesia não se prende às coisas em si, mas ao olhar que se lança sobre elas.
Ela pode estar em tudo, em qualquer coisa, mas pode também não se encontrar em coisa alguma se não se tem olhos para vê-la; se não se tem sensibilidade o bastante para perceber a poesia na natureza, nos movimentos, nas cores. Há quem veja poesia até na morte, nas coisas funebres da vida. Por outro lado, a poesia está na arte, na natureza e também no esporte.
O Brasil é um país de muitas cores, muitas paixões e muitos amores. O futebol é uma destas paixões. Eu não sou o que se poderia chamar de um aficcionado por futebol, mas certa vez me apanhei apreciando a poesia dos movimentos do esporte brasileiro, tão apaixonante.
Futebol paixão
Toma-me de teus contendores, Para que eu possa ficar aos teus pés. Conduz-me com carinho, Senão, melhor que me chutes! Que me xingues de quadrada. Mas rola comigo na grama, Leva-me ao peito, Balança-me na rede! Depois, beija-me em festa E carrega-me em teus braços Para no meio da relva Começarmos tudo outra vez!
Futebol também é arte! Quando não acaba em pancadaria, também tem sua poesia!
Um amor presencial, carnal, já da tanto o que falar; imaginem as infinitas possibilidades de um amor virtual! Um caso pela internet; será que pode dar certo! O início e o fim podem estar a um passo, ou melhor a um click do mouse. É realmente "um fogo que arde sem se ver", ou quem sabe "uma ferida que doi e não se sente" (Camões).
Pode ser ainda "um mal que mata e não se vê" (Camões), ou mesmo "um grande laço,um passo pr'uma armadilha" (Djavan). Teclar juras de amor com alguém invisível, a centenas ou milhares de quilômetros pode não ser algo muito sensato. Aliás, será que há alguma coisa sensata no amor?
O amor é muitas vezes intrigante. Como diz o poeta lusitano, "é um sei que que nasce não sei onde, vem não sei como e dói não sei porquê" (Camões).
Camões não conheceu a Internet, mas entendia mesmo de amor. Os poetas modernos, contudo, talvez diriam que "o coração tem bordas estreitas, a internet tem banda larga". Cuidado! Ative seu anti-vírus!
The Ecstasy of Saint Therese (detalhe) - 1652 Cappella Cornaro, Santa Maria della Vittoria, Rome
O prazer de escrever, o prazer da versificação pode nos conduzir a vários e incertos destinos ou temas. Inclusive pode levar-nos a versejar sobre o prazer.
Êxtase
by Tony
Inflama Ascende Excede Explode T-r-a-n-s-c-e-n-d-e. Inunda Corpo e alma, Em gozo Em festa Em pranto... E... pronto!
Valdeck de Almeida é um mecenas baiano, um incentivador da poesia no Brasil e no mundo. Valdeck, jornalista, escritor e poeta, promove anualmente o concurso Prêmio Literário Valdeck Almeida de Jesus", divulgando contos, crônicas e poesia de novos escritores.
No ano de 2010 a modalidade do concurso foi a poesia. É com muita satisfação, no entanto, que falamos deste importante prêmio porque o Tony, colaborador do Voz, foi um dos selecionados para compor a coletânea de poesias de 2010, a ser publicada em livro no primeiro semestre de 2011. Tony participou com o poema Cumplicidade já divulgado aqui no Blog e que recordamos abaixo.
Cumplicidade
Temos
De quatro paredes
A discrição,
Do tempo a imposição,
Um do outro a cumplicidade.
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Guardo
Dos bons momentos
As delícias,
Das tuas mãos as carícias,
Do que vivemos a saudade!
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Quero
Ao amanhecer
Em teus braços acordar
Aqui, em qualquer lugar,
E de teus beijos saciar a vontade!
Neste ano a modalidade do concurso será crônicas e as inscrições já estão abertas. Se você deseja inscrever-se ou quer saber mais sobre o Prêmio Literário Valdeck de Almeida clique aqui.
Preciso não dormir
Até se consumar
O tempo
Da gente
Preciso conduzir
Um tempo de te amar
Te amando devagar
E urgentemente
Pretendo descobrir
No último momento
Um tempo que refaz o que desfez
Que recolhe todo o sentimento
E bota no corpo uma outra vez
Prometo te querer
Até o amor cair
Doente
Doente
Prefiro então partir
A tempo de poder
A gente se desvencilhar da gente
Depois de te perder
Te encontro, com certeza
Talvez num tempo da delicadeza
Onde não diremos nada
Nada aconteceu
Apenas seguirei, como encantado
Ao lado teu
Fazer poesia é brincar com as palavras, dizer com elas o que a semântica não atesta. É sangrar por vontade, é expor-se sem pudor. A poesia é parte de seu autor, é o próprio, embora sabendo-se que este é um fingidor. Ah! Pessoa! O poeta é uma pessoa e, às vezes um Pessoa. Fazer poesia é ajoelhar-se num confessionário próprio e arrumar as palavras antes de se entregar completamente.
De vez em quando me perco pelos meandros da poesia:
O poeta consegue através de seus versos sensibilizar, dizem o que vai na alma, através de rimas, sonetos ou poemas.
Muitos se inspiram no seu cotidiano, em amores, ou simplesmente fantasiam.
A poesia e a música andam juntas, na Grécia as poesias eram cantadas.
Talvez a melhor definição seja a de Fernando Pessoa:
”O poeta é um fingidor/ Finge tão completamente/ Que chega a fingir que é dor/ A dor que deveras sente./ E os que lêem o que escreve/ Na dor lida sentem bem/ Não as duas que ele teve/ Mas só as que ele não têm/ E assim nas calhas de roda/ Gira, a entreter a razão/ Esse comboio de corda/ Que se chama coração”.
UM pouco de poesia:
MEUS OITO ANOS
Oh! Que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida,
Que os anos não trazem mais
Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras,
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais.
Como são belos os dias
Do despontar da existência
Respira a alma inocência,
Como perfumes a flor;
O mar é lago sereno,
O céu um manto azulado,
O mundo um sonho dourado,
A vida um hino de amor!
Que auroras, que sol, que vida,
Que noites de melodia,
Naquela doce alegria,
Naquele ingênuo folgar
O céu bordado de estrelas,
A terra de aromas cheia,
As ondas beijando a areia
E a lua beijando o mar!
Oh! Dias da minha infância!
Oh! Meu céu de primavera!
Que doce a vida não era
Naquela risonha manhã
Em vez das mágoas de agora,
E tinha nessas delícias
De minha mãe as carícias
E beijos da minha irmã!
Livre filho das montanhas,
Eu ia bem satisfeito,
De camisa aberta ao peito,
Pés descalços, braços nus,
Correndo pelas Campinas
À roda das cachoeiras,
Atrás das asas ligeiras
Das borboletas azuis!
Naqueles tempos ditosos,
Ia colher as pitangas,
Trepava a tirar mangas,
Brincava à beira do mar;
Rezava as Ave Marias,
Achava o céu sempre lindo
Adormecia sorrindo
E despertava a cantar
Oh! Que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida,
Que os anos não trazem mais
Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras,
À sombra das laranjeiras,
Debaixo dos laranjais!
Casimiro De Abreu
Esse post é dedicado ao Tony , meu parceiro no Voz, que nos tem brindado com o seu poetar.
Espelho meu... Mais cedo ou mais tarde a gente se descobre diferente .
O tempo vai introduzindo mudanças no projeto original de forma tão sutil e em doses homeopáticas que o estrago torna-se imperceptível de imediato e a olho nu. Nós nos fitamos no espelho dariamente e, com relação à pessoa que fomos ontem ou ha dois dias, não percebemos diferenças relevantes, nao é mesmo? Talvez um fio de cabelo branco a mais, ou a menos, um vinco no canto do olho, a pele um pouco ressecada, mas no todo é você mesmo que está ali.
Mas, um belo dia, alguns anos mais tarde, agora com um olhar mais crítico, mais maduro, mais detalhista e menos otimista, você se reconhece diferente, ou melhor você não se reconhece. Não é mais aquele gato ou aquela gata. É como se visse um estranho no espelho.
É o que explora com maestria e precisão cirúrgiga, no poema "Retrato", Cecília Meireles. Nesta pequena obra-prima "Retrato" a escritora carioca, uma das mais belas representantes da literatura contemporanea, faz uma leitura não apenas física mas também emocional deste momento.
Retrato
Eu não tinha este rosto de hoje, assim calmo, assim triste, assim magro, nem estes olhos tão vazios, nem o lábio amargo.
Eu não tinha estas mãos sem força, tão paradas e frias e mortas; eu não tinha este coração que nem se mostra.
Eu não dei por esta mudança, tão simples, tão certa, tão fácil: -em que espelho ficou perdida a minha face?
(Cecília Meireles/Flor de poemas Ed Nova Fronteira, 1972)
Mantenham-se longe de espelhos e tenham um bom final de semana.
Saudade não dá em árvore, mas é passível de brotar em qualquer coração solitário. Ela nos faz sentir falta daquilo que antes nos completava. Pode nos acometer nos momentos mais insólitos, geralmente mais fragilizados. Cada um percebe seus sintomas de maneira diferente. Pode ser através de um perfume, uma melodia ou uma imagem, muitas vezes nas coisas mais simples. Como num passe de mágica, esses "links" nos fazem reviver bons momentos, sempre com um ar de cumplicidade. .
Sabe o que é realmente amar uma mulher? Calma! Não vou dar receitas de amor eterno, não!
É que adoro as músicas de Bryan Adams, tem muita poesia; e ouvindo Brian uma tarde dessas fiquei ligado na letra de “Have you ever really loved a woman”. Olha o que diz a letra, em prosa:
Amar realmente uma mulher é entendê-la, conhecê-la profundamente. Ouvir cada pensamento seu, sonhar seus sonhos, dar-lhe asas quando ela quiser voar. Quando se ama uma mulher é preciso dizer isso a ela, o quanto ela é querida, desejada. Se você ama uma mulher diga-lhe que ela é a tal, a única. Ela precisa ouvir isso e precisa acreditar que seu amor durará para sempre. Aí, quando você se encontrar totalmente entregue nos braços da sua amada perceberá que realmente a ama.
Deixe-a segurá-lo em seus braços, saiba quando ela necessita ser tocada; você tem que sentir seu hálito, seu sabor, senti-la em seu sangue. Diga-lhe que vocês estarão sempre juntos. Você precisa abraçá-la firme, com delicadeza, tratá-la com carinho e ela estará lá sempre esperando por você. Então quando você vir nos olhos dela o filho que vocês ainda não conceberam aí você se dará conta de que realmente a ama.
Então diga-me: você já amou uma mulher realmente? (não precisa responder, não é uma enquete, rs)
Êta negocim compricado sô. O amor é igual aquele biscoitinho famoso: É poesia porque é lindo! É lindo porque é poesia.
A vida é um caminho que se abre ao caminharmos. A cada passo podemos mudar de rumo e a trilha, embora desconhecida, irá surgir. Tudo vai depender de uma série de fatores que você não controla.
Versos by Tony:
Mil cabeças teimam em guiar-nos, Mãos autografam seu próprio destino. Milhões de palavras que extravasam Entrelaçam-se em hemorragia de letrinhas, Ensaiam dizer o que lhes aflige.
Vagamos a mercê de vãs filosofias Garimpando razões para continuar. Vivemos sem razões aparentes Perdidos, sem paradeiro. Sonhos digladiam-se para ganhar vida Pisoteiam projetos natimortos.
Milhares de rumos nos confundem Na busca por destinos rotos; Milhões de pegadas nos conduzem, Levam-nos por caminhos milenares. Perdem-se na areia de lugar algum, Negam-nos a chance de retornar.
"No seu caminho reserve um tempo para apreciar as flores"
Há 30 anos calava-se uma voz apaixonada que ecoaria indefinidamente nos corações sensíveis. O saudoso Poetinha, Vinicius de Moraes deixou desapadrinhados os amantes, mas ao mesmo tempo nos deixou um legado valiosíssimo da poesia de um eterno apaixonado pela vida. Trinta anos longe dos nossos olhos, mas sempre no coração.
“Vinicius de Moraes nasceu no (Rio de Janeiro, 19 de outubro de 1913 — Rio de Janeiro, 9 de julho de 1980) foi um diplomata, dramaturgo, jornalista, poeta e compositor brasileiro.
O poeta Vinícius de Moraes, essencialmente lírico, o poetinha (como ficou conhecido) notabilizou-se pelos seus sonetos. Conhecido como um boêmio inveterado, fumante e apreciador do uísque, era também conhecido por ser um grande conquistador. O poetinha casou-se por nove vezes ao longo de sua vida.
Sua obra é vasta, passando pela literatura, teatro, cinema e música. No campo musical, o poetinha teve como principais parceiros Tom Jobim, Toquinho, Baden Powell, João Gilberto, Chico Buarque e Carlos Lyra.
Na verdade, Vinícius de Moraes não foi músico, muito menos cantor. Por causa de suas parcerias com tais músicos e cantores, que musicaram seus poemas, é comum tomá-lo por músico, conhecidas as várias canções de sua autoria. O detalhe importante é que Vinícius não era um compositor, só letrista.” (Wikipédia)
A obra de Vinícios é muito vasta e seus sonetos mundialmente conhecidos, seguem abaixo alguns poemas não tão conhecidos mas igualmente ricos em lirismo e paixao pela vida.
A ausente
Amiga, infinitamente amiga Em algum lugar teu coração bate por mim Em algum lugar teus olhos se fecham à idéia dos meus. Em algum lugar tuas mãos se crispam, teus seios Se enchem de leite, tu desfaleces e caminhas Como que cega ao meu encontro... Amiga, última doçura A tranqüilidade suavizou a minha pele E os meus cabelos. Só meu ventre Te espera, cheio de raízes e de sombras. Vem, amiga Minha nudez é absoluta Meus olhos são espelhos para o teu desejo E meu peito é tábua de suplícios Vem. Meus músculos estão doces para os teus dentes E áspera é minha barba. Vem mergulhar em mim Como no mar, vem nadar em mim como no mar Vem te afogar em mim, amiga minha Em mim como no mar...
A carta que não foi mandada
Paris, outono de 73 Estou no nosso bar mais uma vez E escrevo pra dizer Que é a mesma taça e a mesma luz Brilhando no champanhe em vários tons azuis No espelho em frente eu sou mais um freguês Um homem que já foi feliz, talvez E vejo que em seu rosto correm lágrimas de dor Saudades, certamente, de algum grande amor
Mas ao vê-lo assim tão triste e só Sou eu que estou chorando Lágrimas iguais E, a vida é assim, o tempo passa E fica relembrando Canções do amor demais Sim, será mais um, mais um qualquer Que vem de vez em quando E olha para trás É, existe sempre uma mulher Pra se ficar pensando Nem sei... nem lembro mais
A bíblia
A Bíblia já dizia Pra quem sabe entender Que há tempo de alegria Que há tempo de sofrer Que o tempo só não conta Pra quem não tem paixão E que depois do encontro Sempre tem separação Que o dia que é da caça Não é do caçador E que na alternativa Viva e viva E viva o amor
A gente vem da guerra Pra merecer a paz Depois faz outra guerra Porque não pode mais E deixa andar e deixa andar Até a guerra terminar Vamos curtir, vamos cantar Até a guerra se acabar
Os poemas estão disponíveis em viniciusdemoraes.com.br.
O Voz Ativa surgiu da vontade que eu tinha de aprender a usar as ferramentas do blogger. Juntando-se a isso o gosto pelas novas amizades e fazer desse espaço um local agradável para que os meus amigos e quem mais chegar se sinta bem acolhido. Sou acima de tudo uma pessoa que gosta de interagir, curiosa, bom astral, aqui o mau humor não tem vez. Sempre digo aos amigos que a net para mim, é lugar para ser feliz e não para estressar. Quase um ano depois senti a necessidade de compartilhar o Voz com mais alguém, para dar um sangue novo, e não podia ser qualquer pessoa, tinha que ser do sexo masculino, para que o Voz ficasse completo e convidei o Tony, um grande amigo, para dividir essa experiência comigo e acrescentar sua opinião ao conteúdo do blog.