domingo, maio 15

Ócio trabalhoso

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Pablo Neruda, poeta chileno, certa vez disse "Escrever é fácil: você começa com uma letra maiúscula e termina com um ponto final. No meio você coloca as ideias". Bonito! Em síntese, bem simplista é isso mesmo. Contudo, não é difícil perceber a ironia nas palavras do poeta.

Ter boas idéias e colocá-las em prática, não é tão simples assim; é como colocar o sino no pescoço do gato; só a déia parece boa. Quem se mete a escrever tem que dar conta do recado, de cabo a rabo, digo, de introdução a conclusão. Não tenho encontrado tempo para trabalhar a matéria-prima, a palavra. E lutar com elas é uma luta vã (Drummond).

Na momentânea falta de assunto, prefiro ficar com o que disse o filósofo e escritor alemão Goethe: "Escrever é ócio trabalhoso".

Boa semana a todos!
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domingo, maio 8

Mãe é mãe

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Palavras, mesmo um montão delas, seria pouco para falar de um ser tão nobre. E mesmo que eu conseguisse meu intento, o de homenagear todas as mães, certamente não seria nada inédito. Embora algumas pessoas tenham esquecido o significado desta palavrinha tão doce, a mãe já foi muito homenageada em verso e prosa, e esperamos que continue sendo, porque mãe não é uma relação meramente conceitual ou genética, mas uma relação de amor verdadeiro.


Qual uma vela
Que com sua própria chama
Consume-se a si mesma
Para prover luz a sua volta,
Ela se desdobra em mil
Para cuidar dos seus.

Como um felino a lamber suas crias
Sem se dar conta de que cresceram
Sem se dar conta de que se foram
Dia após dia, incansável
Zelando, cuidando, rezando,
Esperando, velando,
Ela permanece, mãe.



O nosso beijo a todas as mães.
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quinta-feira, maio 5

Lirismo em Flor, bela...Florbela

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Excelente sonetista, Florbela Espanca teve uma vida breve. Morreu aos 36 anos. Felizmente foi o bastante para nos deixar uma extensa obra poética, rica em lirismo e erotismo. A iconografia da poetisa portuguesa é também muito rica, o que não era muito comum no inicio do século XX. Isto se deve ao fato de que seu pai foi fotógrafo e a usava como modelo para seus ensaios fotográficos.

Entre tantas referencias boas Florbela nos deixou "Saudades".

Saudades! Sim... Talvez... e porque não?...
Se o nosso sonho foi tão alto e forte
Que bem pensara vê-lo até à morte
Deslumbrar-me de luz o coração!

Esquecer! Para quê?... Ah! como é vão!
Que tudo isso, Amor, nos não importe.
Se ele deixou beleza que conforte
Deve-nos ser sagrado como o pão!

Quantas vezes, Amor, já te esqueci,
Para mais doidamente me lembrar,
Mais doidamente me lembrar de ti!

E quem dera que fosse sempre assim:
Quanto menos quisesse recordar
Mais a saudade andasse presa a mim!

Florbela Espanca (Livro de Soror Saudade - 1923)


Boa semana! (com poesia)



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segunda-feira, maio 2

Segunda-feira de José

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E agora José?
A Princesa casou,
A festa acabou,
O Flamengo venceu,
Outra festa se deu,
Bin Laden morreu!!!??

E agora Brasil?
O trabalhador se tocou
Que a realeza é de lá
E o Real é daqui.
E agora? E agora, e aí?
E agora José?

O dragão acordou
A inflação já voltou
O salário michou
O povo comemorou,
Comemorou o que José?

O verão acabou
A enchente ficou
A Copa vêm aí
E as Olimpíadas também
E agora? E aí?

E agora José?
Que a Dilma venceu,
E se foi o Osama?
E agora Obama?
Que o Papa é santo?
Pergunto a José
De cá do meu canto,
Como será o amanhã?


(Paródia a "José" , de Carlos Drummond)



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sábado, abril 30

Pedaços de mim

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Carreei pedras para a construção da igreja, testemunhei a conclusão dos seus alicerces. Amassei com meus próprios pés o barro que uniria aquelas rochas e com o qual assentariam os primeiros tijolos. A nave, a sacristia, o campanário tudo bebera do meu suor. Aquele trabalho árduo, contudo, enchia-me de orgulho e de um presumido prestígio com a santinha, que ansiosa aguardava, numa capelinha precária, a hora de ocupar seu lugar no altar.

Desde aquela ocasião, o que mais me marcou em relação a minha ligação com a cidade, foi quando, anos mais tarde, deixei minha terra querida. Ao longe, através da janela do expresso serrano, sobressaindo à nuvem de poeira que levantava da estrada, irrompia altaneira a torre da Igreja de Nossa Senhora da Conceição. Foi a última recordação que guardei do lugar em que nasci. Quando a poeira assentou meu olhar já vislumbrava outros horizontes, construía novos sonhos.



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