quarta-feira, maio 18

Sintomas de amor

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Hoje acordei com uma vontade louca de vê-la. Aliás, como estes sintomas me acometem com muita frequência, procurei um especialista.

Pois é, tinha que buscar aconselhamento profissional porque os efeitos colaterais são tantos que quando estas coisas me atacam não consigo me concentrar em nada. Meu trabalho tem sido uma lástima! Ler então, só se for uma boa estória de amor.


-Será que isso é grave, doutor?


Depois de alguns rodeios de praxe o doutor me tranquilizou. Com o diagnóstico de que isto é normal, medicou-me como no caso das viroses; sem maiores preocupações.

-Este quadro pode acometer qualquer ser humano, disse ele.

Recomendou-me, então, que pegasse algumas fotos antigas dela, desse uma ligadinha para ela, ou batesse um bate-papo virtual, que eu iria me sentir bem melhor, pelo menos por algum tempo.


Não é que estou me sentindo bem melhor agora! Melhor deixar estas fotos por perto!

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domingo, maio 15

Ócio trabalhoso

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Pablo Neruda, poeta chileno, certa vez disse "Escrever é fácil: você começa com uma letra maiúscula e termina com um ponto final. No meio você coloca as ideias". Bonito! Em síntese, bem simplista é isso mesmo. Contudo, não é difícil perceber a ironia nas palavras do poeta.

Ter boas idéias e colocá-las em prática, não é tão simples assim; é como colocar o sino no pescoço do gato; só a déia parece boa. Quem se mete a escrever tem que dar conta do recado, de cabo a rabo, digo, de introdução a conclusão. Não tenho encontrado tempo para trabalhar a matéria-prima, a palavra. E lutar com elas é uma luta vã (Drummond).

Na momentânea falta de assunto, prefiro ficar com o que disse o filósofo e escritor alemão Goethe: "Escrever é ócio trabalhoso".

Boa semana a todos!
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domingo, maio 8

Mãe é mãe

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Palavras, mesmo um montão delas, seria pouco para falar de um ser tão nobre. E mesmo que eu conseguisse meu intento, o de homenagear todas as mães, certamente não seria nada inédito. Embora algumas pessoas tenham esquecido o significado desta palavrinha tão doce, a mãe já foi muito homenageada em verso e prosa, e esperamos que continue sendo, porque mãe não é uma relação meramente conceitual ou genética, mas uma relação de amor verdadeiro.


Qual uma vela
Que com sua própria chama
Consume-se a si mesma
Para prover luz a sua volta,
Ela se desdobra em mil
Para cuidar dos seus.

Como um felino a lamber suas crias
Sem se dar conta de que cresceram
Sem se dar conta de que se foram
Dia após dia, incansável
Zelando, cuidando, rezando,
Esperando, velando,
Ela permanece, mãe.



O nosso beijo a todas as mães.
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quinta-feira, maio 5

Lirismo em Flor, bela...Florbela

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Excelente sonetista, Florbela Espanca teve uma vida breve. Morreu aos 36 anos. Felizmente foi o bastante para nos deixar uma extensa obra poética, rica em lirismo e erotismo. A iconografia da poetisa portuguesa é também muito rica, o que não era muito comum no inicio do século XX. Isto se deve ao fato de que seu pai foi fotógrafo e a usava como modelo para seus ensaios fotográficos.

Entre tantas referencias boas Florbela nos deixou "Saudades".

Saudades! Sim... Talvez... e porque não?...
Se o nosso sonho foi tão alto e forte
Que bem pensara vê-lo até à morte
Deslumbrar-me de luz o coração!

Esquecer! Para quê?... Ah! como é vão!
Que tudo isso, Amor, nos não importe.
Se ele deixou beleza que conforte
Deve-nos ser sagrado como o pão!

Quantas vezes, Amor, já te esqueci,
Para mais doidamente me lembrar,
Mais doidamente me lembrar de ti!

E quem dera que fosse sempre assim:
Quanto menos quisesse recordar
Mais a saudade andasse presa a mim!

Florbela Espanca (Livro de Soror Saudade - 1923)


Boa semana! (com poesia)



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segunda-feira, maio 2

Segunda-feira de José

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E agora José?
A Princesa casou,
A festa acabou,
O Flamengo venceu,
Outra festa se deu,
Bin Laden morreu!!!??

E agora Brasil?
O trabalhador se tocou
Que a realeza é de lá
E o Real é daqui.
E agora? E agora, e aí?
E agora José?

O dragão acordou
A inflação já voltou
O salário michou
O povo comemorou,
Comemorou o que José?

O verão acabou
A enchente ficou
A Copa vêm aí
E as Olimpíadas também
E agora? E aí?

E agora José?
Que a Dilma venceu,
E se foi o Osama?
E agora Obama?
Que o Papa é santo?
Pergunto a José
De cá do meu canto,
Como será o amanhã?


(Paródia a "José" , de Carlos Drummond)



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