AH! o amor...
Assunto de elevador
A momentânea clausura de um elevador exerce sobre os seres humanos um efeito bastante interessante. Este meio de transporte vertical é um dos poucos lugares em que estranhos são obrigados a trocar meia dúzia de palavras, pelo menos duas: Bom dia!O clima e o tempo são os temas favoritos entre os desconhecidos:
– Calor, né?
– É, acho que vai chover.
Na verdade, conversas sem muito sentido. Visam apenas fazer um contato, descontrair. Afinal, fisicamente tão próximos, quase olho no olho, sentindo o calor e os “perfumes” um do outro, é quase impossível não reagir. Parece até que se vai tirar alguém pra dançar. É preciso dizer alguma coisa! Alguns puxam conversas que até passam do “ponto”, mas em geral, no máximo, as especulações sobre o tempo.
O ascensorista, figura mediadora nesta situação apertada, e que ajudava a quebrar o gelo, está em extinção. Hoje com elevadores totalmente automatizados, as pessoas falam bem menos. Talvez um simples “Dia!” ou “Cença”. O último elevador que tomei esta semana me recebeu com um sonoro “Bom dia!” e completou:
- Aperte o botão correspondente ao seu andar.
E se você der uma cochilada durante a viagem ele abre a porta e te dá um toque:
- Quinto andar. Tenha um bom dia!
Alguns destes aparelhos informam também no painel a hora e a temperatura ambiente. Será o fim da conversa nos elevadores!?
Homens de fases
Não faz muito tempo, nas minhas andanças, encontrei um amigo de infância há muito fora da minha agenda. Na rápida conversa que tivemos, ele me fez lembrar quando éramos adolescentes e, segundo ele, eu fazia lindas esculturas de areia nas praias de Fortaleza. Fiquei muito contente que o amigo tivesse resgatado esta parte já soterrada de mim, pois as tais esculturas há muito haviam desmoronado na minha memória.
Numa outra ocasião, mais recentemente, uma amiga chegou pra mim, cheia de expectativas, com um bloco de papel e lápis nas mãos. Ela me pediu que lhe fizesse um desenho bem bonito, como antigamente. Aquilo me pegou de surpresa, pois não tinha a menor motivação para desenhar naquela ocasião. Pedi então um tempo à moça. O fato é que, mesmo transcorrido o tempo solicitado, não consegui desenhar nada que prestasse. Fiquei muito desapontado. E ela também, claro!
Você muda tanto de fases assim? Sou desse jeito, meio inquieto. Mas, ainda espero, muito em breve, poder voltar a transitar por estes campos férteis. Refazer ciclos da minha vida cheios de atividades prazerosas como desenhar, pintar, esculpir. Hoje, tento, meio desajeitado, dar cor às palavras, esculpir sonhos.

A obra Homens de fases de Tony foi licenciada com uma Licença Creative Commons - Atribuição - Uso Não Comercial - Partilha nos Mesmos Termos 3.0 Não Adaptada.
Vem aí a FLIP 2011!
Já está programada a FLIP 2011.
A nona edição da Flip contecerá de 06 a 10 de julho, como sempre em Paraty - RJ. Eu ainda não me programei, mas bem que gostaria de estar lá.
O escritor homenageado nesta edição é o grande Oswald de Andrade, o devorador da Semana de Arte Moderna de 1922, que defendia a antropofagia linguística. Nenhum outro escritor do Modernismo ficou tão conhecido pelo espírito irreverente e combativo como Oswald. Sua atuação intelectual foi fundamental para a cultura brasileira do início do século XX, sua obra literária apresenta características da primeira fase do Modernismo.
Dentre os convidados estão João Ubaldo Ribeiro, Paulo Henrique Brito, Antônio Cândido e muitos outros.
Os demais atrativos do evento creio que todos já conhecem: muitos livros, oportunidade de conhecer, ao vivo, alguns escritores, o clima maravilhoso de Paraty, a paisagem, o patrimônio histórico que é a cidade. Ah! São tantas emoções (diria Roberto Carlos).
Um abraço a todos. Quem sabe nos vemos por lá!
MENINOS EU VI!
O Brasil é sem duvida um país muito rico em arte e cultura, mas é muito bom tambem quando temos a oportunidade (que não acontece a toda hora) de prestigiar, ao vivo, grandes ícones da cultura pop mundial que dão as caras por aqui. Aliás, é essa antropofagia cultural do brasileiro que dá à nossa cultura uma riqueza infinita e sempre renovada.
Neste final de semana tive o imenso prazer de assistir em carne, osso e pelanca (é, porque o bichinho já é quase setentinha, nasceu em 18/06/1942), o mega star britânico Paul MacCartiney. O "setentão" continua encantando multidões de fãs pelo mundo e com o mesmo entusiasmo de sempre. O interessante é que o públlico não era só composto de velhinhos como o garoto de Liverpool não! Tinha muita gente jovem e até crianças.
Paul fez dois shows seguidos aqui no Rio, de aproximadamente duas horas: um no domingo e outro na segunda-feira. E não deixou a desejar. Cheio de disposição, Paul foi sempre simpático e bricalhão. Até fez uma graças extras, quando se pensava que o show tinha acabado, lá vinha ele e sua banda outra vez e davam mais uma canchinha. Seu baterista, Abe Laboriel Jr, com sua dancinha divertida, foi um show extra.
Let it be, Jude, Jet, coming up, All my loving. Foi um repertório vasto, mas, tinha que acabar...O show, que foi muito bem organizado, terminou um pouquinho depois da meia noite. O público vibrou e o Estádio do Engenhão, palco do evento, tremeu com mais de 40 mil beatlemaníacos, paulmaníacos, antropófagos da arte pop mundial.
Foto:Terra
Bom fim de semana!


















