quarta-feira, fevereiro 15

Amor "eterno"

 
Foto: Monica and Michael Sweet



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Existem coisas no ser humano que são atos solitários; ninguém os experimentará com você na mesma medida. Como por exemplo, a dor (ninguém sentirá a sua dor), o prazer (a medida do seu prazer só quem sabe é você, embora alguém mais possa contribuir para isso) e a morte, principalmente. Embora se tenha notícia de alguns relatos poéticos, ou drmáticos, do tipo "se você morrer eu morro junto", isso não existe! Muitas fatalidades ocorram em grupo, mas, cada um morre sozinho. Certo?


Constatado isso, como ficam as "almas gêmeas"? As pessoas apaixonadas se encontarão no "além"? Aqueles que se amam aqui estarão juntos "lá"?


Calma amigos! Não espero que tenham respostas para tais insanidades. Foi apenas uma maneira de introduzir o poema abaixo.

Separação final

By Tony

Preocupa-me
Na idéia do eterno
Meu destino ser inferno
E não poder te acompanhar.
Terás, por certo,
O paraíso por morada
Da minha sina separada
Serafins a te escoltar.
Padecerei de angústia
E de tormento,
Em fogo interno
Queimarei cada momento,
Na esperança de em juízo te encontrar.


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Bom final de semana a todos!

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sexta-feira, fevereiro 10

Céu de uma noite de verão

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Foto: Ulrike Neumann

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A luz é de tão vital importância para a vida na terra que Deus a criou logo no primeiro dia; e, vendo que aquilo era muito bom, separou a luz das trevas. À luz Ele chamou “dia” e às trevas “noite”.
Muitos e muitos anos mais tarde o homem, obra prima da sua criação, inventou a luz artificial e fez da noite um dia. Nós, desta vez, achamos maravilhoso e a isto chamamos de luz elétrica.
Com o tempo, e o caos da iluminação urbana, o homem perdeu a noção de toda a beleza da noite e passou a depender de uma eventual noite no campo ou de um desastroso blackout na cidade para voltar os olhos para o céu e reencantar-se com toda a graça e toda a poesia da imensidão celeste numa noite de verão.
...
Cessadas as chuvas, e com o devido cuidado para não tropeçar, reserve um tempo para contemplar o infinito.

Bom final de semana!
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domingo, fevereiro 5

Crianças e a chuva

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Foto: ULTRA.F

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Quando criança pequena, uma das brincadeiras que eu adorava era tomar banho na chuva. Correr, botar barquinhos de papel nos canais, observar o desenho que os raios faziam no céu e esperar o ronco dos trovões. Mas, o que mais me encantava mesmo era o tal do arco-íris...
Nos melhores momentos de minha infância perambulei pela estrada multicolorida. Aquela ponte arqueada, que me transpunha dos mares daqui para os mares de lá, tinha um efeito transcendental. Durante as caminhadas, temendo por um descuido cair lá de cima, evitava a fragilidade do amarelo e as nuances limítrofes de suas faixas; transitava sempre entre o azul e o lilás; quem sabe cruzava com alguma estrela! Vez por outra, vagava entre os verdes procurando frutinhas celestes. Certa vez, depois de quase queimar os pés nas cores quentes, passei a caminhar por cores neutras e deter-me por entre as sombras. Aquela estrada parecia um ambiente de tranqüilidade e fantasia, embora fosse um caminho sempre chuvoso. Aliás, eu não conseguia entender por que nem sempre aquela ponte estava lá!
Da última vez em que fiz a arte de andar pelo arco-iris, quase chegando ao fim da caminhada, olho para trás e percebo que deixei marcas nas faixas por onde andei. Isso nunca havia me acontecido. Faço então o resto do caminho rezando para que a chuva limpe a sujeira que meus trôpegos e despreocupados passos deixaram para trás. Vendo que outras crianças me seguiam de longe, gritei para que apagassem minhas pegadas. Naquele instante, observei que o arco-iris também estava sendo apagado. Assim, sem poder voltar, de alguma forma percebi que deixava de ser criança.
(...)
Enquanto criança a gente vê coisas ou faz coisas que parecem tiradas de contos de fadas. Mais tarde, a gente nem sabe se viveu ou se sonhou...

Pensamento de criança: “Seria bom ser criança se eu pudesse ser sempre uma criança!”
Beijo “crianças”!

Foto: Yasuhide Fumoto



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domingo, janeiro 29

Dia de chuva e poesia

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Foto: Amy DiLorenzo


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Chove muito no eixo Rio-São Paulo por esses dias, parece até que alguém quer criar uma ponte, ou melhor, uma hidrovia entre as duas metrópoles. Não fosse pelas tragédias e prejuízos materiais e humanos que o excesso de chuvas pode acarretar, a gente bem que poderia lembrar da chuva apenas pela poesia que lhe é inerente.
A chuva é um convite a não sair de casa, um incentivo a não fazer nada, à preguiça, ao aconchego. Hoje, aliás, há uns quatro dias, chove bastante por aqui (Niteroi) e eu me deixei levar um pouco por este espírito manhoso. Lendo alguma coisa sobre chuva (que não tragédias), achei bem interessante esse soneto, que repasso para vocês.

Dia Chuvoso

A chuva fina polvilhando a Terra
Como cortina úmida de seda,
Atrás de si o sol radiante encerra;
Pinta de cinza o mundo em sua queda;

Confina a vida aos casacões de lã;
E nos convida à improdutividade:
Quem sabe os planos deixar pra amanhã?
Pro outro ano? Ou pra eternidade?

O tempo passa enquanto a chuva cai,
E a Terra abraça a água, e se embriaga,
E balbucia um poema de amor;

E a chuva embebe (enquanto o tempo vai)
Quem não percebe qual torrente o traga:
Se a chuva fria ou sua própria dor...

Ederson Peka




Boa semana a todos!

Licença Creative Commons
O trabalho Dia de chuva e poesia de Ederson Peka foi licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição - CompartilhaIgual 3.0 Não Adaptada.
Com base no trabalho disponível em sitedepoesias.com.
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terça-feira, janeiro 24

Ser culto hoje

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Foto: Fuse

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Desde a virada do milênio, o homo sociabilis vem se perguntando, sem muito resultado, “o que é ser culto hoje?”
Há poucas décadas, alguém diria que ser culto é ter lido Socrates, Platão, Aristóteles, Cícero, Agostinho, grandes escritores como Homero, Dante, Vitor Hugo, Shakespeare, Machado, Alencar, Rui Barbosa; ser culto é conhecer a obra de Rousseau e Nietzsche; ser culto é ler latim e grego, além da língua materna e de uma língua moderna; ser culto é conhecer da Historia Universal todos os personagens e todos os conflitos; enfim, ser culto é ser uma enciclopédia viva.
E hoje? Seria possível estabelecer algum padrão confiável de dotes e dons intelectuais (hoje se fala muito em habilidades e competências) para se rotular alguém como “pessoa culta”? O perfil do passado, hoje, apenas com uma lupa e uma vela acesa pra São Longuinho, seria possível encontrar, mesmo na Internet.
Uma pessoa que, mesmo sendo dona de uma bagagem cultural enorme, não domine as ferramentas de Internet, não saiba utilizar os recursos de um celular, de um notebook ou de um tablet, que não leia, pelo menos, inglês e espanhol, além de sua língua materna, poderia receber esse galardão?
Alguém que você julgue inteligentíssimo, não estando antenado aos aspectos sociais, étnicos, humanos, globalizantes e inclusivos do conhecimento e livre de preconceitos e de qualquer tipo de segregação, seria um candidato ao título?
Os mais jovens poderiam dizer “pra q qmá a mufa cum tudo iço, si tá tudo lá, no Googo?” Muitos valores se perdem em contrapartida ao que nos proporciona a modernidade.




Abraço aos candidatos!
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