Gente! O bichinho mal completou quatro anos e está
assim, largado! Há dias o blog não é alimentado. Virtualmente falando, podemos até
ser indiciados por abandono de incapaz, rs.
Infelizmente isso pode acontecer. Há dias em que
você mexe pra lá, mexe pra cá, e nada de interessante sai da cachola para o
papel. Ideias até existem, muitas, às vezes, mas texto que é bom, neca de
pitibiriba. Nem chacoalhando de cabeça para baixo!
Pois é! Acho que atravesso dias assim. Andei
rascunhando algumas ideias, razoáveis até, mas, nenhum texto conclusivo.
O papel em branco às vezes me lembra do enigma da
esfinge: “Escreve-me ou te devoro”.
Ah! A "criança" não está abandonada! Só precisamos de um
tempo.
O Voz Ativa está aí por mais
um ano! Completou em abril quatro anos de postagens. Parece já saber andar com
as próprias pernas.
Nesta festa eu também ergo
brindes, pois venho engatinhando atrás. Enquanto o blog completa quatro, estou
por aqui há três anos.
E olhando para trás é gratificante
relembrar alguns bons momentos...
Falamos de amor:
Num insight de sanidade
Insanos falam de amor
Pois há razão na loucura
Também loucura no amor.
24/12/2010
De poesia:
“O poeta é umapessoa e, às vezes, um Pessoa.
Fazer poesia é ajoelhar-se num confessionário próprio e arrumar as palavras
antes de se entregar completamente. 19/11/2010
Falamos da leitura:
Uma viagem fantástica.
Instigado pela tentação da capa adentro um
portal mágico. Ao folhear as primeiras páginas, mundos desconhecidos
descortinam-se, ricas imagens vão sendo reveladas diante dos meus olhos.
Palavra a palavra, ponto a ponto, histórias brotam em profusão. No curso das
letras, sonhos; nas entrelinhas, vida.
Degustadas as primeiras páginas, já transito
por outros universos. Num mergulho mais profundo sonho e realidade se
confundem. Então, de mãos dadas com o narrador passeio pelo tempo, pelo espaço,
por sua mente. Percebo, entremeadas em suas idéias, que às vezes também são as
minhas, sutilezas de sua personalidade, seus medos, suas angústias, suas
loucuras. Através de seus relatos conheço da minha história outras estórias.
Deleito-me com a beleza das palavras e com as impressões de um mundo-livro. 28/10/2010
Do prazer de escrever:
De posse de pena e papel, encontro-me. Retrato com
palavras tudo que vivo e sinto; se sangro, desato a rir ou choro, nelas
transpareço. Com elas fluem meus sentimentos, meus medos, meus pesadelos e,
relutante, rabisco meus segredos; transcrevo. Nas entrelinhas, revelo
furtivamente com prazer minhas ansiedades, meus sonhos. Por fim, transbordo.
Entrego-me à fruição, fantasio, imito grandes mestres. Tento. Transcendo:
escrevo. 21/11/2010
De grandes autores;
Centenário
de Raquel de Queiroz
Raquel
de Queiroz foi a primeira mulher a assumir uma cadeira na Academia Brasileira
de Letras.17/11/2010
...e de pequenos contos:
Rolo na cama a sua
procura e nada. Cético, acendo a luz. Para meu desespero, vejo a porta
entreaberta e um bilhete sobre o travesseiro, selado com seu batom.
- Não foi sonho! 21/11/2010
Observando estes momentos
pude ver que o Voz tem seguidores que estiveram sempre presentes durante este
intervalo, aparentemente curto, de quatro longos anos. Devo a minha resistência aqui a
todos que me leem, comentam, incentivam e contribuem com seus comentários
enriquecedores. E, a Lu que me abriu este espaço, claro.
Que venha mais um ano! E,
como diria Chapolin: sigam-me os bons!
Fotografia
de Sami Sarkis - Coleção: Photographer's Choice RF
“No
Afeganistão, mulher apaixonada é tabu. É proibido pelos conceitos de honra
rigorosos do clã e pelos mulás. Os jovens não têm o direito de se encontrar para
amar, não têm o direito de escolher. Amor tem pouco a ver com casamento, ao
contrário, pode ser um grave crime, castigado com a morte. Pessoas indisciplinadas
são mortas a sangue-frio. Caso apenas um dos dois tenha de ser castigado com a
morte, invariavelmente é a mulher.” (p.55)
O
Livreiro de Cabul, de Asne Seierstad, é um dos livros que eu estava segurando
para ler desde o final do ano passado. Conclui a leitura há poucos dias.
O
protagonista do romance o próprio livreiro, embora homem preso à tradições, é
um distribuidor de sonhos que sobrevive no mundo islâmico. Um
dos pontos que mais me chamaram a atenção no livro foi a reflexão que traz sobre o papel
da mulher na sociedade afegã ou o fato de esta sociedade lhe negar qualquer
papel que seja. A burca é apenas a ponta do iceberg.
Mas,
se você pensa que por se tratar da realidade de um povo extremista, conservador
e ortodoxo, não há lugar para intimidades, erotismo e outras expansões mais
intimas, engana-se. Há passagens de fazer corar as menos puritanas.
Mais
chocante ainda é a menção que a autora faz aos poemas Landay. Esses poemas são uma espécie de Hai-kai do islã, em geral têm apenas duas linhas. São feitos por mulheres oprimidas, sem
voz própria. Normalmente não são impressos, sobrevivem na oralidade, no
anonimato. Como estes que o livro resgata:
“Pessoas cruéis veem
um velhinho
A caminho da minha
cama E ainda me perguntam
por que choro e arranco os cabelos.”
“Eu era bela como uma
rosa;
Debaixo de ti fiquei
amarela como uma laranja.”
“Põe tua boca sobre a
minha.
Mas deixa minha
língua livre para poder falar de amor.”
São
gritos contidos, proibidos, sem eco. Não é uma realidade que nos agrade saber que ainda existe, mas vale a pena conhecê-la um pouco. Através da literatura apenas!
Achei a proposta do blog Luz
de Luma super interessante. BookCrossing, a alforria de livros empoeirados e
esquecidos na estante. É uma iniciativa que promove a leitura e o combate à
traça, além de fazer com que o livro cumpra o seu papel: conquistar novos leitores,
coautores, e reeditar-se através de novas interpretações.
Na verdade, periodicamente
faço uma triagem nas minhas estantes. E sempre retiro da clausura pelo menos
meia dúzia deles. A separação não é fácil, mas tenho que admitir, é necessária.
Há sempre um ou dois que comecei a ler e não concluí, nem retomarei a leitura.
Há também aqueles que a gente guarda para ler novamente, mas na maioria das
vezes isto não acontece. Novas leituras nos aguardam. Portanto, o jeito é fazer
com que estes esquecidos voltem a circular e encantar outros leitores.
Dentro da proposta de Luma,
acabei por retirar da estante oito livros. Seis deles, didáticos; deixei-os,
felizes, numa biblioteca universitária. Os outros dois, que merecerão comentários
neste espaço, são: “Quem mexeu no meu queijo”, de Spencer Johnson, e “Marley e Eu”, de John Grogan. Deixei-os numa praça muito
frequentada por estudantes, perto de onde estudo, com o bilhetinho padrão do
BookCrossing blogueiro.
O primeiro, o do queijo, foi
alvo de comentários aqui no Voz. Aliás,
por ocasião da minha primeira postagem no blog. Assim, comentarei apenas o
“Marley”.
Li “Marley e Eu” logo após
ter perdido meu cão, companheiro de 12 anos. Sansão era muito educado,
obediente, limpo e sempre vigilante. Não fazia as necessidades no canil, mesmo
que ficasse lá por dois dias. Passei a admirá-lo mais ainda depois que ele foi
substituído.
Boy, o novo “companheiro”,
totalmente avesso ao primeiro. Tudo que é arte que você possa imaginar ele
fazia, quer dizer, ainda faz. Já completou três anos. Não é mais um bebe! Mas continua puxando roupa do varal, comendo
meus calçados, etc. É a encarnação do cão protagonista do livro.
O livro fez muito sucesso.
Marley fez carreira também no cinema e na televisão. Foi publicado posteriormente
o Marley 2 e, depois desse sucesso todo,
outros pets também ganharam status de protagonistas em livros e
filmes. Esse tipo de leitura virou lugar comum, e a ideia de uma segunda
leitura perdeu a razão de ser.
Então, vá Marley! Siga seu
destino encantando novos leitores.
Os textos a seguir fazem parte da Blogagem Coletiva Amor aos Pedaços, estamos na segunda fase. Na primeira fase falamos de Encantamento, agora falaremos de Desencanto. No próximo dia 15 falaremos de outra tema.
Tony A vida é um sem-cessar de encantos e desencantos. Isto pode se dar na vida profissional, na vida espiritual ou amorosa. Creio que no amor especificamente, os desencantos se dão, na maioria das vezes, justamente pelo fato da consumação da conquista, do encanto. Do pós-conquista mais precisamente. Meio paradoxal, não é mesmo? Mas, um dos grandes inimigos do “amor eterno” é o “já ganhei!”, “tá no papo!”.
Após se dar o encantamento, os “encantados”, fincam a suas bandeiras no território e bradam um “tá comigo, já é minha”, ou “já é meu, ninguém tasca”. Nessa de “já é meu”, relaxam. E é aí que mora o desencanto! Você é eternamente responsável por aquele que cativa (Sanz Exupéry). Esquecer que a conquista precisa ser confirmada sempre, que o território precisa ser reconquistado a cada dia, é fatal.
Se não houver esse reforço constante, ela, ou ele, se encantará com filhos, com os estudos, com um novo emprego, com a profissão, com uma nova religião, ou até mesmo com um novo amor. Não quero dizer que todas essas coisas não sejam importantes na vida, mas sim, que elas não podem servir de fuga à motivação maior que um dia uniu os dois: o amor, o encantamento. É como você querer conduzir uma criança pela mão através de um corredor de supermercado, onde, de um lado há muitos brinquedos e do outro, muitos doces. Se você não tiver bons argumentos lúdicos para mantê-la na rota, ela não chegará até o final do corredor com você. Vai fazer pirraça, parar no meio do caminho e, provavelmente, querer provar dos doces ou brincar com alguma “novidade”.
Essa questão do desencanto me lembra do filme “Como se fosse a primeira vez”, de Peter Segal, com Adam Sandler e Drew Barrymore. Vi várias vezes e sempre dou uma olhadinha quando reapresentado. Tendo como cenário o Havaí, o filme é classificado como comédia romântica, mas é pura poesia.
Henry (Adam) apaixona-se perdidamente por Lucy (Drew). Porém há um problema: Lucy sofre de falta de memória de curto prazo, ou seja, ela esquece rapidamente os fatos que acabaram de acontecer. Com isso, Henry é obrigado a conquistá-la, dia após dia, para ficar ao seu lado.
Poético, utópico? Mas amor é isso! A flechada do Cupido tem efeito de curta duração. Temos que tomar flechadas diárias, senão, desencanta!
Lugirão
No dia do seu aniversário chegou pelo correio um envelope azul, tinha como remetente uma universidade, que mais tarde ao pesquisar descobriu que não existia, nem nunca existiu. Dentro do envelope tinha uma semente e uma espécie de manual que dizia: essa é uma semente muito especial, plante-a, cuide dela e ela lhe dará sombra, flores e frutos.
Não esqueça você ela tem que ser podada sempre que necessário, ser adubada, principalmente regada. Não esqueça de cumprir essas exigências.
Embora tenha achado estranho, fez o que devia plantou a semente num vaso e para sua surpresa ela cresceu muito rápido, tendo que ser transplantada para o jardim, onde cresceu, floresceu e frutificou em tempo recorde.
Se transformou numa árvore frondosa, com uma bela sombra, todos os dias sentava embaixo da árvore, sentia o perfume de suas flores, comia dos seus frutos, a árvore atraia muitos pássaros, e como se sentia feliz só em sentir o perfume das suas flores, que não importava a estação estavam lá , assim como seus frutos. Só podia ser mágica.
Com o tempo foi relaxando, não podava, pouco adubava, até regava com menos frequência, afinal ela estava sempre tão verde, florida e cheia de frutos. Um dia ao acordar e olhar pela janela como sempre fazia, sua bela árvore tinha virado um monte de galhos ressequidos.
As exigências deixaram de ser cumpridas, e a magia sucumbiu.
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Assim é o desencanto, ele vai se instalando aos poucos, principalmente no amor, que como uma plantinha que tem que ser cuidada com muito carinho, para criar raízes fortes para ser sustentada, florescer e frutificar, não podemos descuidar senão ervas daninhas, pragas, vão matá-la.
O amor é a razão maior para a vida, acredito que nascemos e vivemos para aprender a amar, esse é o sentido da vida. Amar os pais, irmãos, filhos, amigos, e o amor romântico que permite que aconteçam os outros tipos de amores, esse é o mais importante, por isso o encantamento. O desencanto acontece principalmente por desatenção. Amar e ser amado é a maior dádiva que recebemos em vida, pena que tolos que somos, na grande maioria das vezes nem o percebemos. Feliz aquele que viu o encantamento, viveu, e cuidou para que o desencanto não se instalasse. Afinal já nos basta o desencanto com a nossa sociedade. Que no amor continuemos encantados.
O Voz Ativa surgiu da vontade que eu tinha de aprender a usar as ferramentas do blogger. Juntando-se a isso o gosto pelas novas amizades e fazer desse espaço um local agradável para que os meus amigos e quem mais chegar se sinta bem acolhido. Sou acima de tudo uma pessoa que gosta de interagir, curiosa, bom astral, aqui o mau humor não tem vez. Sempre digo aos amigos que a net para mim, é lugar para ser feliz e não para estressar. Quase um ano depois senti a necessidade de compartilhar o Voz com mais alguém, para dar um sangue novo, e não podia ser qualquer pessoa, tinha que ser do sexo masculino, para que o Voz ficasse completo e convidei o Tony, um grande amigo, para dividir essa experiência comigo e acrescentar sua opinião ao conteúdo do blog.