quinta-feira, setembro 20

Jorge, cem anos Amado

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Arquivo ABL

Jorge, Amado, idolatrado, filho do País do Carnaval, da Bahia, Bahia de São Jorge, dos Ilhéus, Bahia do Cacau, de Todos os Santos.  Filho de tantas mães, de santo; pai de tantos brasileiros, personagens; pai do Menino Grapiúna, de Tieta, de Teresa Batista, de Gabriela e de tantos outros, criados nas areias, com Cravo e Canela. Na Estrada do Mar sua poesia traça sua Biografia.

Em seus romances o autor escreveu sobre o Amor do Soldado, o Mundo da Paz e da Hora da Guerra; da Tenda dos Milagres e do Sumiço da Santa.

Jorge Leal Amado de Faria (10/08/1912-6/08/2001), que assumiu a cadeira 23 da Academia Brasileira de Letras em 1961, foi um dos homenageados da XXII Bienal Internacional do Livro de São Paulo, ocorrida em agosto 2012. Desde o início do ano, centenas de eventos pelo Brasil e pelo mundo celebram o centenário de nascimento de Jorge Amado.

Seu romance é a Bahia, de todos os homens, de todos os santos, do nordeste, do Brasil. De Jequié para o mundo, Amado, inesquecível, Jorge.

 
Bom final de semana!
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sábado, setembro 15

Emoções nas entrelinhas

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Líricas missivas
***
A pena verte sangue que fervilha,
O que a alma sussurra aos meus ouvidos
A mão obediente e servil trilha
Caminhos muitas vezes percorridos.

Meu coração que tudo compartilha,
Conecta-se por todos os sentidos,
De suas emoções se desvencilha
E as entrega em versos convertidos.

Por linhas e entrelinhas expressivas
Posta-me ao juízo dos leitores,
Revela emoções então passivas,

Por certo até mesmo dissabores.
Confessa em tais líricas missivas
Minhas decepções, prazeres e amores.
(Tony - 2012)
 
&&&
Este soneto foi publicado na Antologia da AllPrint Editora, XXII Bienal Internacional do Livro de São Paulo - 2012.
Bom final de semana a todos!
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sexta-feira, setembro 7

Cotas: ensino de qualidade é o que precisamos

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“I have a dream that my four little children will one day live in a nation where they will not be judged by the color of their skin but by the content of their character.” (Martin Luther King, Jr.)

 Não ser julgado pela cor da pele foi uma das grandes conquistas de homens e mulheres na luta pela igualdade de direitos na sociedade moderna. Estabelecermos agora, em pleno terceiro milênio, um sistema seletivo de cotas étnicas, seja para acesso a universidades, emprego ou qualquer outro benefício, não seria jogar por terra todas essas conquistas?

 A pesquisa cientifica, não fixa pré-requisitos com base na cor da pele, dos olhos ou do cabelo do futuro pesquisador, mas sim, espera que ele esteja munido das habilidades e competências necessárias ao prosseguimento de estudos em um campo específico do conhecimento, o que o sistema regular de ensino, seja público ou privado, deveria prover.
 
 Não se engana a si mesmo aquele que lança mão desses critérios “inclusivos”? Não “se engana” o Governo, que desta forma mascara resultados do Sistema de Ensino?

O que precisamos é de um ensino de qualidade; os méritos aparecerão naturalmente. Cotas? O Governo que dê a sua "cota", de sacrifício.

 
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terça-feira, setembro 4

erotismo & poesia

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Orion nebula space galaxy on Public Domain Images


A poesia é o lugar geográfico do pensamento onde a língua, sem esforço, se solta para exercer sua plenitude e assim transcender os limites do imaginário, do dizível e do indizível.
O poeta, no exercício dessa plenitude, não fica alheio a sua condição humana. O erótico, o exótico são igualmente matéria-prima da poesia, embora na maioria das vezes não apareça, de forma explícita.
Às vezes me surpreendo, e até me repreendo, escrevendo sobre essas coisas, menos ortodoxas.
Inflorescência
  
De beleza exótica,
Flagrante,
É tua inflorescência.
Como também fragrante
Naturalmente erótica,
Sua instigante essência.
.
Secretamente incendida.
De oleaginosa flor,
Doce essência do mel,
Seiva do amor.
 
Boa semana a todos!
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quarta-feira, agosto 29

Coisas do anjo torto

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Orchid red by Jon Sullivan
  
As Bienais, Feiras de Livros e Festas Literárias em geral têm sempre como um de seus espaços temáticos a homenagem a um escritor renomado ou centenário. A Bienal de São Paulo deste ano homenageou Jorge Amado e Nelson Rodrigues. Na Festa Literária Internacional de Paraty – 2012, foi a vez de Carlos Drummond de Andrade, quando foram promovidas muitas palestras, mesas redondas e reedição de sua obra: Alguma poesia, Brejo das almas, Sentimento do mundo, a obra drummondiana é extensa. E por falar nela, um ponto delicado, e às vezes polêmico, é o livro O amor natural, publicado em 1992. Não é comum se esmiuçar esta obra em discussões públicas, mesas redondas ou eventos voltados à critica literária.
 
Lembro-me de uma passagem curiosa, senão engraçada, com relação a este “livrinho”. Certa vez, num primeiro encontro com uma certa “fã”, dentre outras coisas, falamos de poesia. Até aí, nada de mais. Cheguei a ler alguns poemas para ela, dentre os quais havia um dessa coletânea. A moça arregalou seu par de olhos, violentados, e por pouco não se enfiou chão adentro. Ainda bem que ela não julgou minhas intenções pela leitura! A gente ainda se vê.
 
O amor natural, que alguns consideram pornográfico, é o livro de poemas eróticos de Drummond, a pedido seu, publicados  somente após sua morte. O poema que li naquela ocasião foi o seguinte:
***
A língua lambe
.
A língua lambe as pétalas vermelhas
da rosa pluriaberta; a língua lavra
certo oculto botão, e vai tecendo
lépidas variações de leves ritmos.
 
E lambe, lambilonga, lambilenta,
a licorina gruta cabeluda,
e, quanto mais lambente, mais ativa,
atinge o céu do céu, entre gemidos,
entre gritos, balidos e rugidos
de leões na floresta, enfurecidos.
(ANDRADE, C. D. O Amor Natural. São Paulo: Record, 1992.)
...
 Não dá pra ruborizar as leitoras mais desavisadas? Mas, antes de ser fingidor, poeta é humano, não vê apenas pedras no caminho, mas também “flores”.
Põe na conta do “anjo torto”!
 
 
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