quarta-feira, setembro 26

Invasão alienígena

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...

Eu sabia que isto um dia ia acabar acontecendo. Os Aliens finalmente invadiram a terra.

Não eram muitos, mas se duplicavam com enorme facilidade e falavam uma língua muito estranha, enrolada. Já haviam chegado ao meu bairro. Circulavam em volta do meu corpo já caído, “dominado”. Pareciam todos iguais: altos, pernas compridas, quatro delas; duas cabeças, cada uma com dois olhos, duas orelhas, tudo em dobro. Muito estranhos, fluídos, deformados, e “duplicados”. E, pasmem, não eram verdes! Talvez um pouco amarelados.

Seus movimentos giratórios a minha volta pareciam uma estratégia para me intimidar, para me confundir. E, que eles não saibam, estava funcionando. Deixaram-me completamente tonto.

Todo o meu entorno era instável, sísmico. Tive a impressão de que um deles, pelo menos, já havia se alojado no meu estômago, e outro, talvez, na cabeça, como um parasita, igual acontece nos filmes de invasão alienígena.

As coisas continuavam a girar. Mesas e cadeiras também flutuavam. Agora viravam tudo de cabeça para baixo; seria o meu fim.

Um cheiro etílico, nauseante, tomava conta do ambiente. As criaturas, que pareciam ter um especial interesse em mim, continuavam a tortura, girando em torno do meu corpo, até que um deles fez contato. Sua aparência não era de todo estranha. Aproximou-se, agachou-se nas suas quatro pernas até o chão onde eu me encontrava e proferiu algo que me pareceu compreensível, embora meu corpo não pudesse ainda obedecê-lo.

- Aí parceiro, irch, acorda! Levanta! O bar vai fechar. Irch!

- Irch!
 
by Tony

 

Licença Creative Commons
O trabalho Invasão alienígena de Tony foi licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição - NãoComercial - SemDerivados 3.0 Não Adaptada.
Com base no trabalho disponível em http://vozativa2.blogspot.com.br/.
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quinta-feira, setembro 20

Jorge, cem anos Amado

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Arquivo ABL

Jorge, Amado, idolatrado, filho do País do Carnaval, da Bahia, Bahia de São Jorge, dos Ilhéus, Bahia do Cacau, de Todos os Santos.  Filho de tantas mães, de santo; pai de tantos brasileiros, personagens; pai do Menino Grapiúna, de Tieta, de Teresa Batista, de Gabriela e de tantos outros, criados nas areias, com Cravo e Canela. Na Estrada do Mar sua poesia traça sua Biografia.

Em seus romances o autor escreveu sobre o Amor do Soldado, o Mundo da Paz e da Hora da Guerra; da Tenda dos Milagres e do Sumiço da Santa.

Jorge Leal Amado de Faria (10/08/1912-6/08/2001), que assumiu a cadeira 23 da Academia Brasileira de Letras em 1961, foi um dos homenageados da XXII Bienal Internacional do Livro de São Paulo, ocorrida em agosto 2012. Desde o início do ano, centenas de eventos pelo Brasil e pelo mundo celebram o centenário de nascimento de Jorge Amado.

Seu romance é a Bahia, de todos os homens, de todos os santos, do nordeste, do Brasil. De Jequié para o mundo, Amado, inesquecível, Jorge.

 
Bom final de semana!
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sábado, setembro 15

Emoções nas entrelinhas

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Líricas missivas
***
A pena verte sangue que fervilha,
O que a alma sussurra aos meus ouvidos
A mão obediente e servil trilha
Caminhos muitas vezes percorridos.

Meu coração que tudo compartilha,
Conecta-se por todos os sentidos,
De suas emoções se desvencilha
E as entrega em versos convertidos.

Por linhas e entrelinhas expressivas
Posta-me ao juízo dos leitores,
Revela emoções então passivas,

Por certo até mesmo dissabores.
Confessa em tais líricas missivas
Minhas decepções, prazeres e amores.
(Tony - 2012)
 
&&&
Este soneto foi publicado na Antologia da AllPrint Editora, XXII Bienal Internacional do Livro de São Paulo - 2012.
Bom final de semana a todos!
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sexta-feira, setembro 7

Cotas: ensino de qualidade é o que precisamos

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“I have a dream that my four little children will one day live in a nation where they will not be judged by the color of their skin but by the content of their character.” (Martin Luther King, Jr.)

 Não ser julgado pela cor da pele foi uma das grandes conquistas de homens e mulheres na luta pela igualdade de direitos na sociedade moderna. Estabelecermos agora, em pleno terceiro milênio, um sistema seletivo de cotas étnicas, seja para acesso a universidades, emprego ou qualquer outro benefício, não seria jogar por terra todas essas conquistas?

 A pesquisa cientifica, não fixa pré-requisitos com base na cor da pele, dos olhos ou do cabelo do futuro pesquisador, mas sim, espera que ele esteja munido das habilidades e competências necessárias ao prosseguimento de estudos em um campo específico do conhecimento, o que o sistema regular de ensino, seja público ou privado, deveria prover.
 
 Não se engana a si mesmo aquele que lança mão desses critérios “inclusivos”? Não “se engana” o Governo, que desta forma mascara resultados do Sistema de Ensino?

O que precisamos é de um ensino de qualidade; os méritos aparecerão naturalmente. Cotas? O Governo que dê a sua "cota", de sacrifício.

 
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terça-feira, setembro 4

erotismo & poesia

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Orion nebula space galaxy on Public Domain Images


A poesia é o lugar geográfico do pensamento onde a língua, sem esforço, se solta para exercer sua plenitude e assim transcender os limites do imaginário, do dizível e do indizível.
O poeta, no exercício dessa plenitude, não fica alheio a sua condição humana. O erótico, o exótico são igualmente matéria-prima da poesia, embora na maioria das vezes não apareça, de forma explícita.
Às vezes me surpreendo, e até me repreendo, escrevendo sobre essas coisas, menos ortodoxas.
Inflorescência
  
De beleza exótica,
Flagrante,
É tua inflorescência.
Como também fragrante
Naturalmente erótica,
Sua instigante essência.
.
Secretamente incendida.
De oleaginosa flor,
Doce essência do mel,
Seiva do amor.
 
Boa semana a todos!
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quarta-feira, agosto 29

Coisas do anjo torto

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Orchid red by Jon Sullivan
  
As Bienais, Feiras de Livros e Festas Literárias em geral têm sempre como um de seus espaços temáticos a homenagem a um escritor renomado ou centenário. A Bienal de São Paulo deste ano homenageou Jorge Amado e Nelson Rodrigues. Na Festa Literária Internacional de Paraty – 2012, foi a vez de Carlos Drummond de Andrade, quando foram promovidas muitas palestras, mesas redondas e reedição de sua obra: Alguma poesia, Brejo das almas, Sentimento do mundo, a obra drummondiana é extensa. E por falar nela, um ponto delicado, e às vezes polêmico, é o livro O amor natural, publicado em 1992. Não é comum se esmiuçar esta obra em discussões públicas, mesas redondas ou eventos voltados à critica literária.
 
Lembro-me de uma passagem curiosa, senão engraçada, com relação a este “livrinho”. Certa vez, num primeiro encontro com uma certa “fã”, dentre outras coisas, falamos de poesia. Até aí, nada de mais. Cheguei a ler alguns poemas para ela, dentre os quais havia um dessa coletânea. A moça arregalou seu par de olhos, violentados, e por pouco não se enfiou chão adentro. Ainda bem que ela não julgou minhas intenções pela leitura! A gente ainda se vê.
 
O amor natural, que alguns consideram pornográfico, é o livro de poemas eróticos de Drummond, a pedido seu, publicados  somente após sua morte. O poema que li naquela ocasião foi o seguinte:
***
A língua lambe
.
A língua lambe as pétalas vermelhas
da rosa pluriaberta; a língua lavra
certo oculto botão, e vai tecendo
lépidas variações de leves ritmos.
 
E lambe, lambilonga, lambilenta,
a licorina gruta cabeluda,
e, quanto mais lambente, mais ativa,
atinge o céu do céu, entre gemidos,
entre gritos, balidos e rugidos
de leões na floresta, enfurecidos.
(ANDRADE, C. D. O Amor Natural. São Paulo: Record, 1992.)
...
 Não dá pra ruborizar as leitoras mais desavisadas? Mas, antes de ser fingidor, poeta é humano, não vê apenas pedras no caminho, mas também “flores”.
Põe na conta do “anjo torto”!
 
 
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domingo, agosto 26

Um gigantesco salto para a humanidade

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O herói americano, o astronauta Neil Armstrong, primeiro homem a pisar o solo lunar (1969), faleceu neste sábado, 25/08/2012, aos 82 anos em Ohio (EUA), conforme boletim CNN. O feito de Armstrong, ao pousar na Lua, juntamente com Buzz Aldrin e Michael Collins, alimentou os sonhos de muitos garotos que, como eu, amavam os Beatles e os Rolling Stones e sonhavam voar alto.
Era inacreditável! A desmistificação de um símbolo dogmático. A Lua dos poetas, a lua dos amantes, a lua dos lobisomens, a lua de São Jorge, a lua dos astrólogos, a lua dos astrônomos, a lua dos loucos, a lua dos sonhadores; estava alí, a seus pés. Realmente, um grande feito! Muitas pedras rolaram daí em diante.

O homem que deu esse gigantesco salto para a humanidade acaba de saltar para a eternidade, com honras de herói.
“It’s a small step for man and a giant leap for mankind”
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sexta-feira, agosto 24

Cidadania e violência

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Atualmente fala-se muito em cidadania, na maioria das vezes ligada a direitos e garantias individuais. O discurso é sempre bonito, fundamentado em princípios seculares. Mas e depois do discurso?

Cidadania se constrói, num primeiro momento, reconhecendo-se as diferenças, e em seguida, misturando-se essas diferenças de forma proveitosa para todos. Sem, contudo, querer fazer do conglomerado social uma massa homogênea, mas sim, um todo coeso mantendo-se a individualidade e cada um, com suas idiossincrasias, contribuindo para o bem estar geral.

Faz-se necessário, porém, em todo ajuntamento social, que se encontre uma linha de conduta comum para que a interação, em prol do bem de todos, seja possível, sem prejuízo dos direitos nem o esquecimento dos deveres e do respeito ao indivíduo.

Infelizmente, para a convivência em grupo, ainda não se pode abrir mão do estabelecimento de padrões de comportamento e de limites. As Leis existem, mas, parece que as pessoas não rezam mais por esta cartilha. Observa-se a queda da autoridade politica e religiosa há algum tempo.

Volta-se à Idade da Pedra: presa e predador; à lei do mais forte, às armas, à apropriação indevida de bens e privação da liberdade e da vida do outro por parte do predador, à violência pura. Intrigante é que desta vez predador e presa são da mesma espécie.

Civilidade, cordialidade, respeito à dignidade humana, temor à lei, dos homens e de Deus. Em que momento da História ficou tudo isso!

Será possível se falar de cidadania enquanto o individuo é desrespeitado no seu mais elementar direito: o direito a vida?
***
PS: A ilustração para esse texto o leitor pode buscar em qualquer jornal diário, nacional ou estrangeiro.
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quinta-feira, agosto 16

Plantar uma árvore, ter um filho e escrever um livro

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Diz a sabedoria popular que, para sua total realização como ser humano, uma pessoa não pode passar pela vida sem deixar um filho, plantar uma árvore e escrever um livro, iniciativas que são igualmente importantes para a perpetuação de sua passagem por este mundo.

Plantar uma árvore: essa etapa paguei ainda em criança; mais tarde vivenciei (vivencio) a experiência de ser pai; quanto ao livro, nem tudo que se escreve é publicável, mas ele acaba saindo.

Caminhamos para essa realização total. Sem dúvida, o prazer de ver as pessoas disputando um livro que você escreveu é muito gratificante. Autografá-lo, então, é impagável!
O que não se comenta, no mais das vezes, é que essas três realizações, igualmente, produzirão frutos. Seu filho deixará filhos, a árvore plantada produzirá pomos e sementes, seu livro produzirá leitores, cúmplices na coautoria da obra. É um ciclo sem fim de realizações.

Bom fim de semana!
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domingo, agosto 12

Amor: você acredita?

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“Eu sempre pensei que o amor fosse coisa só de contos de fadas, que acontecesse a qualquer outra pessoa, mas nunca comigo. Amar! Isto estava fora de cogitação, pelo menos é o que parecia. Decepções era tudo que povoava meus sonhos.
Mas um dia eu vi aquele rostinho lindo. Agora eu acredito: sem sombra de dúvida, eu estou apaixonado!”
...
Isto é, mais ou menos, o que diz a letra da musica I'm A Believer, que recentemente fez parte da trilha sonora de Shreck. O sucesso não é novo; foi gravado em 1966 pela banda de Rock the monkees. O grupo foi formado em 1965 em Los Angeles por Robert "Bob" Rafelson and Bert Schneider para a televisão Americana.  A American rock band era composta por Micky Dolenz, Michael Nesmith, Peter Tork, e Davy Jones.
 Saudoso tempo dos discos de vinil...
 I'm A Believer caiu muito bem na trama amorosa do desenho.
Bom fim de semana!

 
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terça-feira, agosto 7

22ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo

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 “Livros transformam o mundo, livros transformam pessoas”

Este é o tema da 22ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, que começa dia 09/08, um evento abrangente que mescla literatura com diversão, negócios, gastronomia e cultura.
A Bienal reunirá as principais editoras, livrarias e distribuidoras do país. Cerca de 480 expositores que disputarão os mais de 800 mil visitantes esperados. Os leitores podem aguardar muitos importantes lançamentos.
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A ALL PRINT EDITORA, assim como tantas outras editoras, estará apresentando as suas novidades. Dentre seus inúmeros lançamentos, estará sendo publicada dia 13/08, às 19:00 horas, a ANTOLOGIA DE POESIAS, CONTOS E CRÔNICAS DA ALL PRINT EDITORA – SÃO PAULO, vários autores. Uma iniciativa que promove a literatura contemporânea e divulga novos autores.

Tony (eu) é um desses autores. Nesta edição você vai encontrar algumas de suas poesias. É também uma boa oportunidade para você que frequenta o Voz saber um pouco mais sobre oTony.

A Bienal
De 9 a 19 de Agosto de 2012
Pavilhão de Exposições do Anhembi
Av. Olavo Fontoura, 1.209 - Santana - CEP 02012-021 São Paulo - SP


Horário de Visitação:
de 09 a 18 de agosto, das 10h às 22h
dia 19 de agosto, das 10h às 20h, com entrada até as 18h.
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A Antologia da AllPrint estará sendo lançada dia 13/08 as 19:00h.
Vamos lá! Ler é uma viagem fantástica!
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domingo, agosto 5

Dias taciturnos.

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Gravura: Mauricio Nascimento;
***
Os dias em que não falo dizem algo sobre mim. Falam da minha ausência, dos meus vazios. Nos dias em que não escrevo faço autorretratos.
Existe um posicionamento com relação à poesia, uma espécie de pressuposto, que consiste na ideia de que as mensagens mais sublimes de um poema, podem estar, não no que foi dito, mas nas lacunas, nos seus vazios, vazios estes que o leitor buscará, às vezes inutilmente, complementar.
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O poeta fala de certezas calcadas nas suas dúvidas e de uma liberdade respaldada na sua clausura. Com base nesses pressupostos, aceito o desafio das palavras, mesmo na falta delas, os vazios; busco entender-me com elas, divido com você a tarefa de recuperar-lhes a semântica e preencher as lacunas, lacunas estas que também são as minhas.
...
Folha em branco
Maldito
Inescrito espaço em branco,
Mundo inacabado,
Sequer começado,
Palimpsesto imaculado
Pensamento inaudito.
Espaço mudo,
Lugar cativo
Do dito não dito;
Berço do texto proscrito,
Do pensamento natimorto
Ao imaginário restrito.
Desejo uma boa semana a todos!
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sábado, julho 28

Olimpíadas: Londres 2012

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Começou oficialmente as XXX olimpíadas, cuja sede será a cidade de Londres. O evento acontecerá de  27 de Julho a 12 de agosto.  Londres é a primeira cidade a sediar os jogos pela terceira vez, a cidade já sediou os Jogos Olímpicos da  Era Moderna em 1908 e 1948.

Os mascotes escolhidos foram  duas gotas de aço polido feitos em animação de cartoon e  receberam os nomes de Wenlock e Mandeville.


Serão disputadas 29 modalidades de 26 esportes: Atletismo, badminton, boxe, canoagem, ciclismo, esgrima, futebol, ginástica artística, rítmica e de trampolim, handebol, halterofilismo, hipismo, hóquei na grama, judo, luta (livre e greco-romana), natação, nado sincronizado, saltos ornamentais, polo aquático, pentatlo moderno, remo, taekwondo, tiro, tiro com arco, tênis, tênis de mesa, triatlo, vela, voleibol e volei de praia.

O Brasil participará com 167 atletas em várias modalidades, alguns com chances reais de trazer medalhas para o Brasil.

O voley de praia,  voley de quadra, judô, natação, vela são alguns dos esportes que tem chances reais de ganharem medalhas.

Para os apaixonados pelo esporte serão 15 dias de emoção, com os melhores atletas de cada modalidade.


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terça-feira, julho 24

Nem tudo é festa na Flip

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Igreja de N. s. das Dores

Após um dia cheio de atividades, quando chega a noite e o cansaço, a gente até esquece que as atrações continuam noite adentro e o que se quer mesmo é uma boa cama para descansar e folhear os livros, jornais, revistas e panfletos conseguidos. A satisfação é igual a de criança em distribuição de doces. O dia seguinte será mais um cheio de palestras, entrevistas, shows e mesas de discussão. É preciso decidir o que se quer ver ou fazer, afinal, não se pode estar em dois lugares ao mesmo tempo.

Por falar em dormir, só quem pernoita na cidade durante a Flip tem a chance de observar detalhes de bastidores. E levantar cedo, se você conseguir, pode proporcionar um aprendizado a mais.

Durante os eventos, quando as “estrelas” chegam, e você já está lá sentadinho no ar condicionado esperando ansioso pelo seu escritor preferido, ninguém imagina quantos profissionais foram mobilizados para que aquela entrevista fosse possível. Logo cedo, um verdadeiro “exército” de profissionais de limpeza entra em ação. É intrigante, mas mesmo num evento cultural, internacional, as pessoas ainda jogam lixo no chão, nas ruas. Mas até as nove da manhã tudo estará limpo e arrumado, bilheterias e postos de informações abertos. Até aí, outros “exércitos” também já estarão a postos. São seguranças, recepcionistas, técnicos de comunicações e de informática, manutenção elétrica e eletrônica, copeiros, arrumadeiras, repórteres, imprensa em geral, editoras, livrarias, comerciantes, patrocinadores, tradutores, interpretes, guias de turismo e tantos outros. E na hora certa, o seu astro vai entrar e tudo vai funcionar “perfeitamente”.

Mas, se eu dissesse que na Flip tudo é perfeito, eu não estaria sendo perfeito, quer dizer, verdadeiro. Apesar do grande número de pousadas, a capacidade de hospedagem da cidade ainda é insuficiente e os preços praticados muito elevados durante a Festa. As condições de saneamento são precárias, talvez por ter que respeitar o Patrimônio Histórico. O serviço de informação ao turista deixa muito a desejar, fica muito afastado dos acontecimentos. Uma festa literária desse nível deveria promover em paralelo uma feira de livros, o que não acontece. O comercio de livros é monopolizado; se você quiser comprar algum lançamento terá que dirigir-se a única livraria do evento, que aliás não muda.

A Flip é vista como um evento democrático. Mas é preciso ter realmente uma visão democrática. É preciso abrir o evento para outras livrarias, abrir espaço para o escritor independente, que de uma forma ou de outra está sempre presente, mesmo que como um “estrangeiro”. A cultura popular aos poucos vem se chegando também. A Literatura de Cordel já tem representantes na Flip, mas, da mesma forma, como “penetra”. Artistas de rua, poetas itinerantes, comunidades nativas, também enriquecem a Festa. É preciso que os organizadores encontrem uma forma de englobar todas estas vertentes culturais e Paraty não pode se descuidar da infraestrutura.

A verdade é que com Flip ou sem Flip Paraty é um passeio que vala a pena!

 Eu volto!
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sexta-feira, julho 20

Dia do amigo

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Circle of children - Por: David Foreman
***
Aproveitando a maré da Festa Literária Internacional de Paraty, onde Drummond foi o auge, eu desejo  aos amigos tudo isto:

Desejo a você
Fruto do mato
Cheiro de jardim
Namoro no portão
Domingo sem chuva
Segunda sem mau humor
Sábado com seu amor
Filme do Carlitos
Chope com amigos
Crônica de Rubem Braga
Viver sem inimigos
Filme antigo na TV
Ter uma pessoa especial
E que ela goste de você
Música de Tom com letra de Chico
Frango caipira em pensão do interior
Ouvir uma palavra amável
Ter uma surpresa agradável
(...)

...um livro de Carlos Drummond para ler e muito mais!

Feliz Dia do Amigo!


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quarta-feira, julho 18

O pós-Flip III

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No meio do caminho tinha uma pedra / tinha uma pedra no meio do caminho - Drummond”, não só uma, mas duas, três,... milhares delas. Vamos em frente. Andar pelo centro histórico de Paraty é igual a pular amarelinha: um pé aqui, outro ali, vamos prosseguindo e apreciando o que há para ver pelo caminho, pedra a pedra.

Exposições de artes, a exposição de todos os escritos de Drummond na Casa da Cultura, artesanato indígena pelas calçadas, musica nos bares, uma réplica do monumento ao poeta (igual ao de Copacabana), um artista itinerante que incorpora o poeta em carne e bronze como estátua viva, o cordelista que canta em versos de cordel a vida de Carlos Drummond e muito mais manifestações voltadas ao homenageado encantam o visitante até que ele chegue ao espaço da Flip propriamente. Durante esta edição do evento Paraty recebeu mais de 20 mil turistas-leitores.

Quando se chega à Praça da Matriz, um dos atrativos que mais me chama a atenção são os pés-de-livros.  Apesar de ser uma atividade voltada para crianças e adolescentes eu não resisto à tentação dos livrinhos pendurados balançando na minha frente ou jogados estrategicamente sobre uma lona; parecem desafiar “leia-me ou te devoro”. Os bonecos de papel machê representando os personagens das estórias infantis também chamam a atenção na praça.

Já no espaço Flip uma sequência de gigantescos painéis fotográficos salta aos olhos do turista. Fazem parte de uma homenagem a todos os escritores convidados durante os dez anos da Festa.
e tem muito mais...
Bom final de semana!
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domingo, julho 15

Amor aos pedaços: reintegração

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Reencontro 
Tony
O encanto chega sem avisar,
O desencanto pode não tardar,
Conserva-se a eterna esperança
De um dia outro encanto se dar.

Mas após todo questionamento,
Se nos resta do amor o sentimento,
E das feridas não restou lembrança,
Por que não podem os corações se reencontrar?



&&&
Uma busca pelo significado de reintegração, pode dar como primeiro registro algo relacionado a propriedade, posse, reintegração de posse, a retomada de um lugar supostamente seu. Justamente a significação mais nociva ao amor.
O amor não nos faz proprietário da coisa amada. A seguir por esse caminho, logo os encantos virarão desencantos. E na esperança de reencontrar o caminho do amor passamos a questionar a tudo e a todos. Brigamos com o mundo.
Os atos do amor não seguem um script rígido. Ao mesmo tempo em que é poesia, é ágrafo. É, a um só tempo, previsível e surpreendente.
Nos sonetos de Florbela é tudo inconstante: O amor que se vai é igual a outro amor que vem e que há de partir também. Não se sabe quando...
Inconstância
Procurei o amor que me mentiu.
Pedi à Vida mais do que ela dava.
Eterna sonhadora edificava
Meu castelo de luz que me caiu!
*
Tanto clarão nas trevas refulgiu,
E tanto beijo a boca me queimava!
E era o sol que os longes deslumbrava
Igual a tanto sol que me fugiu!
*
Passei a vida a amar e a esquecer...
Um sol a apagar-se e outro a acender
Nas brumas dos atalhos por onde ando...
*
E este amor que assim me vai fugindo
É igual a outro amor que vai surgindo,
Que há de partir também... nem eu sei quando...
...
Florbela Espanca, "Livro de Sóror Saudade"
Queremos agardecer ao luzdeluma a oportunidade de participar desta blogagem coletiva, que, além de muito interessante nos proporcionou fazer muitos contatos cibernéticos.
Uma boa semana a todos!



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quarta-feira, julho 11

O pós-Flip - II

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Quando o visitante adentra o centro histórico de Paraty, o primeiro impacto que lhe afronta é quando ele transpõe a divisa entre o asfalto e o calçamento de roliças pedras "pés-de-moleque". Passar esta linha é mergulhar num tempo de descobertas de um Brasil que engatinhava em busca de ouro e pedras preciosas. Dessa luta, restou, incrustada entre a serra e o mar, essa gema preciosa que é Paraty.

Paraty foi fundada em 1667 em torno da Igreja de Nossa Senhora dos Remédios. Para “viajar” por suas ruas é preciso literalmente descer do salto. A forma rústica das pedras obriga o recém-chegado a dar passos cautelosos, a olhar por onde pisa, apreciar a arquitetura a sua volta. Aqui, quase quatro séculos de história lhe contemplam.
O centro histórico da cidade, onde se realiza a Flip, fica entre dois rios. Atualmente, as atividades principais da Festa se concentram nas margens do rio Perequê-Açu, que é um atrativo a mais com seus barcos enfeitados. Na margem esquerda ficam concentradas a Tenda dos Autores, a Tenda do Telão, a Tenda dos Autógrafos e as Tendas institucionais. Na margem direita a Flipinha (para crianças), a Biblioteca da Flipinha, a Flipzona (para jovens), as oficinas e as demais atividades da praça.

Na praça da Matriz ocorrem os eventos mais importantes para a garotada durante a Flip. São oficinas de artesanato, teatro ao ar livre, os pés-de-livros, os cenários das fábulas, a pipoca, os doces e muitas brincadeiras educativas.

Esta foi a décima edição da Festa Literária Internacional de Paraty. Desde seu inicio em 2003, foram homenageados, na ordem, os escritores Vinícius de Moraes, Guimarães Rosa, Clarice Lispector, Jorge Amado, Nelson Rodrigues, Machado de Assis, Manuel Bandeira, Gilberto Freire e Oswald de Andrade. Esta é dedicada a Carlos Drummond de Andrade, um dos mais importantes poetas brasileiros de todos os tempos. Modernista e acima de tudo, moderno.

“O amor é grande e cabe nesta janela sobre o mar. O mar é grande e cabe na cama e no colchão de amar. O amor é grande e cabe no breve espaço de beijar.” C.Drummond.
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domingo, julho 8

O pós-Flip - I

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eu diante do Poeta
(Réplica do monumento existente em Copacabana) 

Acordei com o cheiro familiar de livros novos. Sobre o criado-mudo vários deles. Caído ao pé da cama, um exemplar de Drummond denunciava que adormeci devorando o fruto da garimpagem na Flip 2012. O cenário agora é o de casa, não fiquei para o encerramento.
A maior festa literária da América latina, que reúne mais de 40 autores nesta edição, encerra-se hoje . Os três dias que passei lá foram bem aproveitados. Voltei tão familiarizado com Drummond que estou me sentido quase um dos Andrades.
.
O evento é sempre grandioso, principalmente esta edição que comemora também os dez anos de Flip, homenageando o poeta mineiro Carlos Drummond de Andrade. Paraty que já é poética por vocação transpirava poesia. Cada pedra daquela histórica arquitetura colonial homenageava o poeta modernista.
É sempre recomendável que o visitante, amante da literatura, já chegue à cidade com o programa da festa na mão e sabendo exatamente o que quer ver e ouvir, o que não é fácil diante de tantas ofertas. São tantas eventos interessantes, para todos os gostos e idades, que se você não estudar o programa com antecedência acaba perdendo alguma atividade importante que gostaria de ter visto.
.
Temos muito que falar de Paraty, de Drummond, de literatura, só preciso de um tempinho para arrumar as ideias. Voltaremos ao tema.

Boa semana a todos!

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quinta-feira, julho 5

Outras poesias

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Enquanto destilo, em estação estival, o pouco que brota das corriqueiras fontes de inspiração, por que não beber de águas cristalinas, de tão delicioso manancial. A poesia simples, ao mesmo tempo rica, de Emily Dickinson.

Juntamente com Walt Whitman, semeador da poesia moderna, do poema livre, Emily Dickinson é um dos grandes nomes da lírica norte-americana do século XIX. Emily não publicou livros em vida, mas deixou ricos escritos em diários, cadernos e cartas, que foram publicados por seus familiares após sua morte.

A poetisa viveu em um período muito difícil para todas as mulheres da época. O destino das mulheres deste século era serem esposas e mães, ou irem para conventos se dedicarem à vida religiosa. Emily nunca casou, mas não significa que não tenha amado. Nos seus últimos anos viveu enferma e em total reclusão domiciliar. Morreu jovem, aos 55 anos, em 1886.

Seus poemas são, na grande maioria, simples, breves, puros e adoráveis.

There is an arid Pleasure
As different from joy –
As Frost is different from Dew –
Like element – are they –

Yet one - rejoices flowers –
And one – the  Flowers abhor –
The finest Honey – curdled –
Is worthless – to the Bee -

A tradução certamente não é o melhor caminho para o entendimento da poesia, pelo menos de sua essência, mas, com o intuito de mediar a leitura, vejamos como ficaria em tradução livre:
Existe um árido prazer
Tão diferente da alegria
Quanto o gelo do orvalho
Embora o mesmo elemento sejam.


O último para a flor é festa
O primeiro, detestável
O mais fino mel, congelado,
É inútil para a abelha.



Sempre que possível aprecie poesia direto no original.


Bom final de semana!


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