sexta-feira, fevereiro 22

Livros à mancheia

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Arquivo particular

A Flip 2013 já tem data certa. A 11ª edição da Festa Literária Internacional de Paraty será realizada entre os dias 3 e 7 de julho de 2013 e homenageará a obra de Graciliano Ramos, escritor, jornalista e político, natural de Quebrangulo, Alagoas. Sua obra é vasta, sendo as mais conhecidas, Memórias do Cárcere e Vidas Secas.
 
Além de a Flip ser sempre um grande evento, Paraty tem muitos atrativos, a começar pelo valor histórico.  A cidade oferece boas praias, passeios de barco, mergulho, trilhas, cachoeiras e muito mais.
 
O evento literário propriamente é indescritível, uma oportunidade imperdível de encontrar seu autor predileto, assistir a palestras ou oficinas de grandes escritores e sair de lá com livros para ler o ano todo (livros, livros à mancheia).
 
É sempre uma Festa Literária!
(...)
"Ó bendito o que semeia
livros, livros à mancheia
e manda o povo pensar.
E o livro caindo n'alma,
é germe que faz a palma,
é chuva que faz o mar".
(...)
Do poema “O Livro e a América” - Castro Alves
Do livro: "Poetas Românticos Brasileiros", vol. I, Editora Lumen, SP.
 
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domingo, fevereiro 17

De volta a realidade

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Wallpapers - Ponte por Larisa Koshkina

O carnaval acabou. Agora que o brasileiro acorda para o ano novo e percebe a realidade das coisas! A inflação subiu, a gasolina acompanhou o samba; IPTU, IPVA e a fantasia pra pagar; volta às aulas, volta ao batente e o caos no trânsito também volta. Fim do horário de verão, volta o horário normal, mas o calorão continua.
Do outro lado do mundo o papa jogou a toalha, aqui a tragédia de Porto Alegre da lugar a violência de Santa Catarina.

Rio de janeiro está “pacificada”, São Paulo alagada. E a CPI de Cachoeira acabou numa cascatinha.

Bom, já que voltamos do país de Alice, “Feliz Ano Novo!”

 
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quarta-feira, fevereiro 6

O baile

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Criança e livros por George Hodan
 
Tem início o baile. Umas meio grosseiras outras mais elegantes; umas desbocadas, outras politicamente corretas, uma a uma, entram na roda as palavras. Elas não sabem, mas não estão ali por acaso; são de alguma forma as eleitas. Aos poucos, arranjos aparentemente aleatórios vão se delineando. Sem pressa. São todas estranhas ainda. Mas, passo a passo as afinidades vão aparecendo. Afinal, são todas farinha (palavrinhas) do mesmo saco, do mesmo léxico. Algumas, um pouco mais determinadas, tomam as iniciativas para que tudo possa fazer sentido naquele grande salão (em) branco. Outras ficam de acompanhantes, complementares; não obstante, muitas delas ainda prefiram o anonimato. Ficam meio elípticas. Pelos cantos. Talvez aguardando serem cortejadas, solicitadas a uma dança.

Não demora e umazinha, mais atirada, promove encontros pelo salão, e logo se formam laços mais consistentes, mais íntimos. Surgem a seguir as dependências e subordinações. As mais nominativas, explícitas, dão nomes aos bois, e às vacas; aos bezerros, ao campo, às arvores também. A todo o cenário, enfim. Revelam suas qualidades e defeitos. Aquelas bem preposicionadas comandam os movimentos em cena: pra lá, pra cá, sob, sobre, pra cima, pra baixo, assim, assado, pra dentro, pra fora, e outras mais íntimas, inconfessas.

Firmadas as posições, as conjunções se processam: sintáticas, vocabulares, quase carnais. Uma vai com esse outra com aquele; sem medo, perante todos, com fé, sobretudo.

A noite avança. A roda gira. O baile continua e múltiplos arranjos se dão. O salão agora está cheio. As donas do baile, as palavras, estão fadadas a essa eterna reorganização molecular, vocabular, semântica, discursiva, infinita. Mas, ao final de cada dança elas já são bem íntimas, cheias de afinidades, pelo menos até que a roda gire outra vez e dê outros sentidos às suas vidas.

Tire uma delas para dançar, conduza-a para esta imensa pista de dança branca e, após as devidas apresentações, construa com ela um discurso inédito, no seu ritmo, lindo, que se realizará plenamente ao ser lido. Assim é o mundo das palavras: infinitos arranjos e parcerias. Uma festa!

 
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O trabalho O baile de Tony foi licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial 3.0 Não Adaptada.
Com base no trabalho disponível em http://vozativa2.blogspot.com.br/.
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sexta-feira, fevereiro 1

Preguiça de poeta

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Russian blue cat by Carolina Vigna-Marú

Haicai *
by tony
 
Tenho meus pesadelos,

Você os seus, mas seus sonhos,

São os sonhos meus.

  

*Haicai ou haikai - São breves tercetos, de origem japonesa. Na sua forma mais tradicional apresentam o primeiro verso de cinco silabas, o seguinte de sete e o último de cinco, ao todo dezessete sílabas. Concisão e objetividade.
 
***
Bom final de semana!
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domingo, janeiro 27

Não há recompensa sem esforço

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É difícil ser breve quando se fala de um poeta que não cabe em si, de um poeta que extrapola sua própria personalidade ao ponto de em seus trabalhos subscrever-se por meio de heterônimos para dar vazão a toda sua criatividade.

Em apenas um dos poemas de Fernando Pessoa é possível encontrar fio para tecer muito discurso. O poema “Mar português”, tratado no post anterior, aparentemente simples, é na verdade muito rico de simbolismos e de conteúdos histórico e metafóricos.

Na terceira estrofe o poema apresenta uma metáfora muito interessante logo nos dois primeiros versos: “Quem quere passar além do Bojador / Tem que passar além da dor.”, versos que tentamos entender e elucidar aqui. Na medida do possível.

Escrito em 1922, o poema, que faz parte da fase nacionalista do poeta, é totalmente voltado a enaltecer os feitos de Portugal.

No momento histórico imediatamente anterior às Grandes Navegações os limites marítimos do mundo ocidental iam pouco além do Mediterrâneo. Cruzar o estreito de Gibraltar, ir um pouco acima pelos mares do Norte e aventurar-se um pouco abaixo pela costa africana já eram feitos épicos.

Bojador é um cabo que fica na costa noroeste da África, onde hoje é o Saara Ocidental. Até 1434, o Bojador era o limite, não só para portugueses, mas também para todos os povos peninsulares. O cabo Bojador era também conhecido como o “Cabo do medo” ou o “Cabo do não”. Pois em torno dele se dissipava um terror supersticioso, visto que a região era de difícil navegação e ninguém ousava ultrapassá-lo. Naquele ano o navegador português Gil Eanes, conseguiu o feito de ir além do Bojador. Desde então, em Portugal, o Cabo do Bojador passou a ter um grande significado, o significado de último limite do homem e do seu mundo.

Portanto, ir além do Bojador, como aludido no poema, significa superar seus próprios limites, ir além do mundo conhecido e descobrir novos caminhos, sejam eles geográficos, comportamentais ou tecnológicos.

O outro lado da mensagem do verso (Tem que passar além da dor) é que a superação de limites exige sacrifício, empenho e dor. Este é o outro limite a ser superado: o limite do próprio ser humano. Nada é de graça. Não há recompensa sem esforço.

Desde essa época o homem já superou muitos limites. Já cruzou o Cabo das Tormentas, já chegou á Lua, ao mundo virtual. Sabe-se lá aonde mais podemos chegar superando nossos próprios limites.

“Mar português” tem ainda muita riqueza a ser desvendada. Pegue um livro de Pessoa e lance suas esquadras ao mar!
Boa semana!
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O trabalho Não há recompensa sem esforço de Tony foi licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial 3.0 Não Adaptada.
Com base no trabalho disponível em http://vozativa2.blogspot.com.br/ .
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