terça-feira, agosto 20

Voltando...

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Já é outro dia! Muito preguiçosamente, lagarteando, acordei. Também, depois de 12 horas de voo direto Londres-Rio, o que eu queria mesmo era dormir além da conta. Qualquer atraso, culpa-se o Jet-leg.
A temperatura não é de estranhar; tá um friozinho gostoso por aqui, favorável pra preguiçar, perder a hora na cama. Mas ao levantar e abrir as cortinas, me dou conta de que os jardins viçosos, os gramados infinitos, as macieiras carregadas e as exóticas “berries” não estavam lá fora.
Os sons também não são os mesmos. Durante os últimos três meses acostumei-me a despertar com o canto dos imensos corvos negros no alto das torres de chaminés, e dos “blackbirds” fazendo festa nos verdejantes gramados. Tudo isso também denuncia que o amanhecer é outro.
É, eu estava mesmo de volta! Agora reconheço o quarto, a mesa, meus livros: Drummond, Pessoa, Machado, minhas Bíblias, fieis conselheiros de cabeceira. Novos autores se juntarão a eles, mesmo não falando a mesma língua, mas são todos do ramo.
Pouco a pouco a preguiça foi se desenroscando de mim e logo eu estava desfazendo as malas.
Agora é sair por ai redescobrindo a paisagem e dando um alô pros amigos.

Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.
(Canção do exílio – Gonçalves Dias)


Que saudade dessas palmeiras! Boa semana a todos!

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segunda-feira, julho 22

Carta ao leitor

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Ha dias esta casa não abre suas portas para receber tão prestimosas visitas. Entendo a frustração dos que batem la fora. Nos primeiros dias observamos que muitos ainda insistiam.
Hoje e possivel notar que aqueles que costumavam achegar-se em busca de alguns versos ou meia duzia de palavras sobre literatura justificadamente deixaram de chamar pelo dono da casa. Possivelmente foram bater em outra freguesia. Compreendemos.
Mas,  se isso lhes serve de alento, o Voz não veste luto nem projeta fechar as portas. Neste momento esta casa volta suas janelas para si mesma. Permanecendo disponivel para aqueles que ja conhecem suas dependências. Experimenta um tempo de buscas e aprendizado, crescimento lietrario e profissional. Lu, com seus empreendimentos, pessoais, profissionais e familiares; Tony envolvido com o lançamento de seu livro de poesias e, no momento estudando Lingua e Literatura Inglesa em Oxford-UK.
Na verdade o Voz não esta parado por falta de assunto, muito pelo contrario; tenho muito para lhes contar. Mas a rotina aqui não esta permitindo. Tenho rascunhos e anotaçoes aos montes, mas editar e postar exige tempo. E, pra dizer a verdade tenho lamentado muito ultimamente que o dia tenha apenas 24 horas. Por outro lado, não escondo a falta que sinto dos fieis leitores do blog, nem a sensação de culpa por deixar a “casa” assim, largada `as traças por tanto tempo.


 “Eu aprendi que para se crescer como pessoa e preciso me cercar de gente mais inteligente do que eu.”

William Shakespeare
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domingo, junho 2

Encontro

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Encontrar comigo
 
Às vezes, me dá uma gana
De experimentar a diegese de meus
Próprios poemas!
Anseio dar  de cara comigo mesmo
Questionar minhas idiossincrasias,
Viver, ou reviver, aquela narrativa
Que acabo de redigir
Que sei ser ficcional
Mas que é a minha “realidade”,
Embora um tanto diegética,
É lá onde nos encontramos,
Múltiplos e únicos,
Afinal.
  (Tony)

 


PS: Poema não se explica, mas vou explicar o que é diegese. A diegese é a realidade própria da narrativa. O tempo e o espaço diegético são o tempo e o espaço que existem dentro da trama, com suas particularidades determinadas pelo autor.
 
Encontrem-se, e tenham uma boa semana!
 
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domingo, maio 26

A voz do Amor

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Romantic girl by Paolo Neo
-&-
Outro dia eu vi uma lágrima em seus olhos se formando, em seguida vi seu rosto se tensionando. Aquela lágrima, que traduziria igualmente a dor, a alegria e o amor, por pouco não rolou. Neste mesmo dia eu ouvi Bilac sussurrando ao meu ouvido:


A voz do amor

Nessa pupila rútila e molhada,
Refúgio arcano e sacro da Ternura,
A ampla noite do gozo e da loucura
Se desenrola, quente e embalsamada.

E quando a ansiosa vista desvairada
Embebo às vezes nessa noite escura,
Dela rompe uma voz, que, entrecortada
De soluços e cânticos, murmura...

É a voz do Amor, que, em teu olhar falando,
Num concerto de súplicas e gritos
Conta a história de todos os amores;

E vêm por ela, rindo e blasfemando,
Almas serenas, corações aflitos,
Tempestades de lágrimas e flores...

 Fonte: BILAC, Olavo. Antologia : Poesias. São Paulo : Martin Claret, 2002.

 
“Inexplicavelmente”, de vez em quando, entre um verso e outro, um soneto me cai nas mãos. Este me deixou especialmente encantado. Um lindo soneto, de ninguém menos que o “cravejador de versos”, o “ourives da palavra”, parnasiano irrepreensível, “Príncipe dos Poetas Brasileiros”, Olavo Bilac.
***
O Modernismo libertou a poesia da armadura dos clássicos, felizmente, nossos modernismos estão permeados de classicismos. Ainda bem!
 
Tenham boa semana!


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sábado, maio 18

No prelo

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Primícias:

Substantivo feminino plural, primeiros frutos da terra, figurativamente, as primeiras produções de um trabalho de qualquer gênero. É o que se poderá encontrar numa rápida consulta aos nossos dicionários.

Abstraindo-se um pouco mais, as Primícias podem ser os primeiros sentimentos, felicidades, como as primícias da adolescência.  Podem ser ainda o prelúdio de qualquer atividade em processo, como as primícias de um poeta.

Foi justamente sob a égide de tais conceitos, que este trabalho foi compilado: aqui estão, portanto, as primeiras impressões de um poeta, os primeiros frutos de uma colheita que poderá se revelar especialmente produtiva.

Breve! Um pouco da poesia de Tony reunida neste exemplar. E você ainda ficará sabendo quem é Tony. Aguarde!


Bom final de semana!

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