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quinta-feira, abril 23

Redação ENEM II

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No tocante às competências prévias ao ato de escrever, comentadas no post ENEM I, quem se submete a uma prova de redação dissertativo-argumentativa, como é o caso da prova do ENEM, deve ter por hábito ler muito, principalmente sobre temas que afetam a sociedade brasileira diretamente. Além dos livros e revistas, são igualmente importantes os jornais, editoriais e colunas de opinião, para desenvolver a leitura crítica eficiente. Não se pode esquecer as tirinhas, quadrinhos, charges, os telejornais, documentários e cinema, que apresentam sempre uma  visão crítica dos fatos. 
 
Desconstruindo o texto e buscando o que possa haver, não apenas nas linhas, mas também nas entrelinhas e por trás delas, investigando as intenções explicitas e veladas do autor, as habilidades de leitor vão precedendo as de escritor.

Por outro lado, argumentar significa posicionar-se criticamente perante um assunto e defendê-lo segundo este ponto de vista, com argumentos coerentes e válidos, a ponto de convencer o ouvinte (avaliador). Portanto, é necessário que o leitor, candidato ao ENEM, envolva-se com os possíveis temas (aí está uma das  dificuldades) . É preciso que o candidato exercite bastante  a contextualização  dos temas às particularidades da sociedade em que vive, o que o ajudará a manter sempre o foco.

A leitura, a formação de opinião sobre temas variados e o desenvolvimento do senso critico são, portanto, muito importantes como atividades prévias ao estudo da produção textual propriamente. Para isso, as rodas de estudo e debates precisam ser práticas regulares desde muito cedo nas escolas, não só às vésperas de provas do ENEM ou qualquer outro processo seletivo. Então, partindo-se de outro pressuposto, o de que ao final do Ensino Médio o aluno "domina" a língua culta padrão, então é só botar a cabeça para funcionar e mãos à obra.
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quinta-feira, abril 2

Redação ENEM I

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Segundo o Ministério da Educação, em 2014, apenas 200 candidatos ao ENEM, menos de 1% do total, conseguiram nota 1000 na redação, enquanto, mais de 500 mil tiraram nota zero. Nos dois anos anteriores os resultados não foram muito diferentes. Em suma, o desempenho dos candidatos no Exame Nacional do Ensino Médio em redação tem sido sofrível.  O que significa dizer que o aluno não está adquirindo as competências preconizadas pelo MEC e sugeridas nos Parâmetros Curriculares Nacionais.
Isto porque, o problema não reside apenas na questão da produção textual. Para começo de conversa, redigir uma dissertação não é tarefa fácil, principalmente para o aluno do Ensino Médio. Escrever um texto dissertativo-argumentativo pressupõe pelo menos duas competências importantes que precedem, em muito, o ato de escrever.
A primeira delas reside na ideia de que ninguém escreve sobre o que não conhece, assim como não fala do que não sabe. Ou seja, se o candidato não adquiriu os conhecimentos necessários, principalmente referente à sociedade em que vive e às questões contemporâneas que a afetam, embora saibamos que o tema só é conhecido na hora H, não se aproximará do assunto a ponto de defendê-lo com argumentos consistentes. O aluno não construiu os conhecimentos de mundo, enciclopédico, interacional e contextual necessários.
A outra competência consiste no princípio de que para que se possa argumentar sobre qualquer assunto, ou seja, defendê-lo sob um determinado ponto de vista, é necessário que se tenha opinião formada sobre ele. Neste ponto o aluno carece da leitura proficiente, da capacidade de análise crítica do texto e da aproximação com os fatos sociais, que deveriam ter sido promovidos durante a educação básica para desenvolver a competência discursiva. Portanto, não basta ter à mão uma “receitinha de bolo” para se escrever uma boa redação.  
Primeiro, precisamos formar o cidadão crítico, consciente das suas habilidades e responsabilidades, imerso nas suas questões sociais e políticas, ou seja, a competência comunicativa plena, depois se fala de competência textual, que é apenas um dos aspectos.

Foto: acervo particular
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