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sexta-feira, agosto 24

Cidadania e violência

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Atualmente fala-se muito em cidadania, na maioria das vezes ligada a direitos e garantias individuais. O discurso é sempre bonito, fundamentado em princípios seculares. Mas e depois do discurso?

Cidadania se constrói, num primeiro momento, reconhecendo-se as diferenças, e em seguida, misturando-se essas diferenças de forma proveitosa para todos. Sem, contudo, querer fazer do conglomerado social uma massa homogênea, mas sim, um todo coeso mantendo-se a individualidade e cada um, com suas idiossincrasias, contribuindo para o bem estar geral.

Faz-se necessário, porém, em todo ajuntamento social, que se encontre uma linha de conduta comum para que a interação, em prol do bem de todos, seja possível, sem prejuízo dos direitos nem o esquecimento dos deveres e do respeito ao indivíduo.

Infelizmente, para a convivência em grupo, ainda não se pode abrir mão do estabelecimento de padrões de comportamento e de limites. As Leis existem, mas, parece que as pessoas não rezam mais por esta cartilha. Observa-se a queda da autoridade politica e religiosa há algum tempo.

Volta-se à Idade da Pedra: presa e predador; à lei do mais forte, às armas, à apropriação indevida de bens e privação da liberdade e da vida do outro por parte do predador, à violência pura. Intrigante é que desta vez predador e presa são da mesma espécie.

Civilidade, cordialidade, respeito à dignidade humana, temor à lei, dos homens e de Deus. Em que momento da História ficou tudo isso!

Será possível se falar de cidadania enquanto o individuo é desrespeitado no seu mais elementar direito: o direito a vida?
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PS: A ilustração para esse texto o leitor pode buscar em qualquer jornal diário, nacional ou estrangeiro.
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sexta-feira, setembro 19

Uma casa no campo...

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♪Eu quero uma casa no campo / onde eu possa ficar no tamanho da paz/ e tenha somente a certeza/ dos limites do corpo e nada mais♪

Foi-se o tempo em que áreas rurais eram somente destinadas a agricultura ou pecuária. Com os anos, as cidades cresceram e as fazendas, que ficavam no campo, chegaram muito perto do asfalto. Resultado: plantações, pastagens ou mesmo extensas áreas verdes passaram a ser o foco de grandes empresas imobiliárias. E assim, tem se formado várias parcerias entre proprietários das terras, que cedem seus terrenos, e essas empresas, que cuidam da construção e comercialização das casas de campo.

A motivação dos, até então, fazendeiros é puramente financeira: troca-se hectares por metros quadrados. E o segundo vale muito mais que o primeiro, por mais que a atividade agrícola esteja atualmente no auge. Com o forte crescimento econômico no interior do País, a melhora da renda e o aquecimento do mercado imobiliário, o asfalto tem chegado ao campo numa velocidade alucinante, estimulando ainda mais empresas do segmento a investir neste valioso nicho.

A margem de lucro de qualquer atividade agrícola, na maioria das vezes, ainda é menor se comparada ao retorno dos empreendimentos imobiliários. Assim, muitos fazendeiros estão optando por essa nova modalidade de ganhar dinheiro.

É a cidade invadindo o campo....

Quem não quer possuir ”uma casa no campo, onde possa plantar seus livros, seus discos, seus amigos e nada mais.”?

Porém, me pergunto:

- se hoje plantam casas onde deveriam plantar alimentos, o que comeremos no futuro?

Paredes? Pisos? Livros, discos? Ou os amigos?

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A Lugirão não vai poder atualizar o Voz Ativa por esses próximos dias e me pediu que o fizesse por ela. Embora meu estilo seja outro, já que escrevo sobre meus sonhos, delírios e devaneios, em prosa e verso, não poderia negar-lhe este favor e portanto, aqui estou, tentando não desapontá-la.

Em meu nome e em nome da Lugirão, desejo um lindo fim de semana para todos!

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