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segunda-feira, julho 22

Carta ao leitor

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Ha dias esta casa não abre suas portas para receber tão prestimosas visitas. Entendo a frustração dos que batem la fora. Nos primeiros dias observamos que muitos ainda insistiam.
Hoje e possivel notar que aqueles que costumavam achegar-se em busca de alguns versos ou meia duzia de palavras sobre literatura justificadamente deixaram de chamar pelo dono da casa. Possivelmente foram bater em outra freguesia. Compreendemos.
Mas,  se isso lhes serve de alento, o Voz não veste luto nem projeta fechar as portas. Neste momento esta casa volta suas janelas para si mesma. Permanecendo disponivel para aqueles que ja conhecem suas dependências. Experimenta um tempo de buscas e aprendizado, crescimento lietrario e profissional. Lu, com seus empreendimentos, pessoais, profissionais e familiares; Tony envolvido com o lançamento de seu livro de poesias e, no momento estudando Lingua e Literatura Inglesa em Oxford-UK.
Na verdade o Voz não esta parado por falta de assunto, muito pelo contrario; tenho muito para lhes contar. Mas a rotina aqui não esta permitindo. Tenho rascunhos e anotaçoes aos montes, mas editar e postar exige tempo. E, pra dizer a verdade tenho lamentado muito ultimamente que o dia tenha apenas 24 horas. Por outro lado, não escondo a falta que sinto dos fieis leitores do blog, nem a sensação de culpa por deixar a “casa” assim, largada `as traças por tanto tempo.


 “Eu aprendi que para se crescer como pessoa e preciso me cercar de gente mais inteligente do que eu.”

William Shakespeare
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terça-feira, maio 8

Abandono de incapaz

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Foto: Jorg Greuel - Coleção: Photodisc (RF)

Gente! O bichinho mal completou quatro anos e está assim, largado! Há dias o blog não é alimentado. Virtualmente falando, podemos até ser indiciados por abandono de incapaz, rs.
Infelizmente isso pode acontecer. Há dias em que você mexe pra lá, mexe pra cá, e nada de interessante sai da cachola para o papel. Ideias até existem, muitas, às vezes, mas texto que é bom, neca de pitibiriba. Nem chacoalhando de cabeça para baixo!
Pois é! Acho que atravesso dias assim. Andei rascunhando algumas ideias, razoáveis até, mas, nenhum texto conclusivo.
O papel em branco às vezes me lembra do enigma da esfinge: “Escreve-me ou te devoro”.
Ah! A "criança" não está abandonada! Só precisamos de um tempo.

Uma boa semana a todos!



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quinta-feira, junho 24

O texto e a leitura:

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a luz e cor



Quem lida no campo das letras sabe que os atos de ler e escrever são indissociáveis para a plena vivência da língua escrita. A relação entre ler e escrever é semelhante à interação entre luz e cor: as cores, sem luz, não existiriam. A luz, por sua vez, sem os objetos coloridos a refletí-la não teria nenhum efeito visível. O mundo seria sem forma, sem cor, sem imagem, horrível.

Da mesma forma, o texto sem o leitor não cumpriria sua missão. Seria pregar no deserto. De que valeriam, então, excelentes textos, belos poemas, sem que alguém os decodificassem e os entendessem, alguém que reconhecesse ali, naqueles rabiscos enfileirados, a mensagem do outro? O texto não surtiria efeito algum, não completaria o seu ciclo.

Visto dessa forma, enquanto leitores somos igualmente coautores da obra literária, pois o texto não cumprirá o seu papel sem as diferentes interpretações de seus leitores. É muito gratificante, portanto, saber que através da minha leitura colaboro com Cervantes, com Machado, com Shakespeare.

É interessante, ainda, observar como a cada leitura que você faz de um mesmo texto novas revelações emergem. Isto porque, passado algum tempo de efetiva leitura você evoluiu, sua percepção do código escrito melhorou, seus interesses mudaram e você, certamente, conhece melhor o autor agora. É como ler com outros olhos, com uma lente de aumento ou com uma luz mais intensa.

Quanto mais intensa a luz, mais intensas são as cores e você perceber outras nuances. Da mesma forma, como acontece com as cores sob a luz, assim ocorre com os textos perante o leitor: quanto mais se lê, maior é a habilidade de leitura.

Seja coautor de grandes obras, colabore com os grandes escritores. Leia mais! Leia sempre!


Boas leituras!


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domingo, fevereiro 28

Chifres em cabeça de...

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Amigos, adoro os grandes mestres da pintura e escultura, tais como Rafael, Michelangelo e Da Vinci. Michelangelo era um artista completo. Aliás, creio que todos conhecem a obra acima. A foto é da estátua de Moisés, o patriarca hebreu, obra prima de Michelangelo. Conta a história que a escultura ficou tão real que seu escultor ao contemplá-la acabada bateu-lhe no joelho e bradou: Fala Moisés! Algo assim, em italiano, claro.

Mas se os colegas pensam que irei falar de arte... Pelo menos não deste gênero. Este exemplar da destreza e do perfeccionismo de Michelangelo foi esculpido em mármore em 1513. Observando-se a imagem como um todo, de relance, não se percebe nada de estranho. Agora observem em detalhe a cabeça da estátua. Se necessário, copiem a imagem e apliquem zoom. Perceberam agora? Você já sabia!
Gente, prá quem não conhece, esta é a imagem de Moisés o patriarca dos judeus, literalmente um santo homem, esculpida em mármore. A estátua, que tem mais de 2 metros de altura, possui um par de chifres! Não é montagem. Esta é a foto da peça que se encontra na igreja de San Pietro in Vincoli, lá em Roma. Alguém já leu nas Escrituras ou em qualquer outro lugar que Moisés tinha chifres? Afinal é Moisés ou é um ser diabólico?

De onde vem os chifres? Explico. Na verdade trata-se de um erro gravíssimo. Não do escultor, mas do “escritor”. Ora, se o artista teria que esculpir a imagem do patriarca e o modelo vivo já não era vivo, a descrição mais fiel que ele poderia obter do modelo estava nas Escrituras Sagradas. Então, Michelangelo lançou mão da bíblia mais respeitável de sua época, padrão da Igreja Católica, a Vulgata Latina e mandou ver no cinzel. Sim, mas e daí?

A Vulgata Latina é a versão das escrituras, Velho e Novo Testamento, traduzida por São Jerônimo, a partir dos manuscritos nas línguas originais, no final do sec. IV d. C., a pedido do Papa Damaso. No livro Êxodo 34: 29-35, desta tradução, Jerônimo, santo Tradutor, cometeu um pequeno grande engano, ou erro, de interpretação, Hermenêutica, Ecdótica, Crítica Textual ou como queiram chamar, pois, na verdade, isto tudo está embutido no processo de tradução.
São Jerônimo
Fonte: Wikipedia

Por desconhecimento ou descuido, o fato é que ao traduzir os manuscritos originais do hebraico para o grego, São Jerônimo ignorou que dependendo da vocalização a palavra hebraica Karan (resplandecer) pode tornar-se Keren (chifres) e acabou optando por usar o termo cornuta (do latim, chifres). Na tradução da Vulgata ficou assim, da sua cabeça cresciam chifres, ao invés de seu rosto resplandecia. E o erro, entre tantos outros, se perpetuou. Felizmente, mais tarde vieram as revisões e correções, mas aí Moisés já estava com chifres e ninguém seria louco de destruir uma obra daquelas (ou seria? sei lá, tem louco prá tudo!).
Portanto amigos na hora de referenciar a obra de outros para criar a sua sempre confronte opiniões e fontes diferentes, pois nem santo está livre de erros de interpretação, compilação ou avaliação. Palavra de santo, ninguém contesta, mas quem sou eu! Aliás, aquí prá nós, se São Jerônimo tivesse Internet talvez isto não tivesse ocorrido.
Ps: existem outras versões da história, porém nesta Michelangelo não tem nada a ver com os chifres de Moisés.
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