domingo, abril 4

Origem das coisas

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Sonha Marcelino!

Pegando um gancho no post da Lu, em aluzão ao dia da mentira, onde ela nos fez lembrar de utopias, sonhos, mentiras e etc., me deu vontade de comentar a expressão "Sonha Marcelino!" que deixei lá como comentário.

O uso da expressão "Sonha Marcelino" se aplica sempre que alguém faz projetos utópicos, de difícil realização, devaneios mesmo. Então poderá ouvir ao fundo um sonoro "Sooonha Marcelino!". E para explicar seu uso é impossível não lembrar da linda história de origem espanhola que se perpetuou em nossos corações através do cinema e que não tem nada a ver com mentiras, mas com sonhos.

A frase tornou-se famosa após o sucesso do fime espanhol Marcellino pan y vino, que estreou em 1955, baseado no livro de mesmo nome de autoria de José María Sánchez Silva, escrito em 1952. O "Sonha Marcelino!" aparecia logo no início da música tema do filme.

Letra original "Marcelino pan y vino"

Sueña, sueña Marcelino (sonha, sonha Marcelino)
que ya empieza alborear
doce frailes cuidan tu vida
guardan tu alma contra el mal
Marcelino, Marcelino
ya llegó tu despertar.

Marcelino, Marcelino
con jabón te has de lavar
come, come mucho
como Fray Papilla
come la tortilla y come mucho pan.

Que bien suenan las campanas
si las toca el niño y Fray Talán
tilín talán.

Dos y dos son cuatro
cuatro y dos son ocho
ocho y ochoÂ…veinte
que barbaridad.

Reza, reza Marcelino
que un buen niño debe orar.

O filme, apesar de antiguinho, é muito bom. Não espere nenhuma maravilha de Spilberg, é preto e branco, mas vale a pena dar uma olhada, ou ler o livro se preferir. A sintese do filme é mais ou menos o seguinte:

"Marcelino Pão e Vinho", conta a história de um pequeno órfão que causa milagre. Quando bebê foi deixado na porta de um mosteiro e criado pelos monges. Marcelino é muito bem cuidado pelos monges, mas sempre sentiu falta de amigos e principalmente de ter uma mãe. Brincava muito por todas as dependências do mosteiro, mas subir no sótão era proibido. Um dia Marcelino não resiste e em sua ida ao sótão encontra um amigo especial. Uma imagem de Jesus pendurado em uma cruz. Passa então a levar diariamente pão e vinho para o amigo. Um amigo que retribuiu a bondade de Marcelino lhe concedendo um desejo do fundo de seu coração.


É meio contra-senso se usar de sarcasmo com a expressão, por que na verdade o sonho de Marcelino se realizou. Portanto, não deixe de sonhar. O milagre pode acontecer! E não deixe de conhecer esta história.






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quinta-feira, abril 1

Um dia perfeito...

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Imagine um dia em que  ao sair cedinho para o trabalho , não enfrentará engarrafamentos.

O ar estará livre de poluentes.

Você não verá  nenhum pedinte nas ruas, ninguém usando drogas, assaltando, roubando.

Os políticos serão  honestos e terão como meta transformar o mundo em um lugar melhor para todos.

Haverá educação, saúde, e alimentos para todos.

Pais, filhos, patrões, empregados... todos se respeitarão.

Todos terão um amor para chamar de seu.

Esse dia é hoje 1º de Abril, DIA DA MENTIRA.

Mas, não custa sonhar que dias melhores virão....
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sábado, março 27

Versos do leitor

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Finalizando a temporada de poesia gostaríamos de agradecer àqueles que compareceram e enriqueceram o blog com seus comentários e poesias preferidas, por ocasião do Dia Mundial da Poesia. Como combinamos com os leitores os comentários sobre poesias viraram este post.

Juliana sugeriu a maravilhosa Florbella cujo poema Versos nós selecionamos para representá-la:

Versos! Versos! Sei lá o que são versos…
Pedaços de sorriso, branca espuma,
Gargalhadas de luz. cantos dispersos,
Ou pétalas que caem uma a uma.
Versos!… Sei lá! Um verso é teu olhar,
Um verso é teu sorriso e os de Dante
Eram o seu amor a soluçar
Aos pés da sua estremecida amante!
Meus versos!… Sei eu lá também que são…
Sei lá! Sei lá!… Meu pobre coração
Partido em mil pedaços são talvez…
Versos! Versos! Sei lá o que são versos..
Meus soluços de dor que andam dispersos
Por este grande amor em que não crês!…

E por falar em versos, de Casimiro de Abreu lembro:

Meus oito anos

Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!
(...)

Bem lembrado por Lu, os versos de nosso assíduo visitante http://pontispopuli.blogspot.com/
Álisson da Hora



Presságios

os zodíacos brincam e mentem
as gotas escorregam nos vidros
onde as canções das estrelas de caminhos solitários
desenham arcanos com raios de sol
pontes que não se unem perfumes que se passam
como um contágio perigoso de meios-dias sonolentos
um devaneio feito de tonturas o olhar aprisionado
entre a retina e a lente dos óculos do cansaço

e as rodas dos coletivos andam trôpegas
as mentes dilatadas voltam aos vidros
guardam o perfume do sol pregado lá

e há a vontade de ser abrigo
- mas só há o silêncio como inquilino -
e há o desejo de ser leito
- mas só há o travesseiro sem carícias -
há a vontade de ser o beijo
- mas só há a negligência a negativa -

os arcanos bailam por entre as procuras
tuas mãos como areia escorrem pelas minhas
trombetas silenciam
o sono não vem
a reciprocidade é uma etiqueta perdida no meio-fio encharcado dos dias

Maria enviou este, o que creio sejam versos seus:

Eu sou.......

Eu sou uma sonhadora
Idealista e que nunca desiste dos meu sonhos
Eu sou uma apaixonada pela vida e conheços
varias pessoas queridas
Eu sou protetora dos animais e da natureza
que nos dar tanta beleza
Eu sou uma pessoa sem maldade
e acredito no amor mesmo com todas as adversidades'
Eu sou simplesmente Maria

Por citação de Lugirão, vão aí os versos do grande poeta popular, cordelista Patativa do Assaré:


Há dor que mata a pessoa
Sem dó nem piedade.
Porém não há dor que doa
Como a dor de uma saudade.

Ainda citado por Lugirão:

Beijos que nunca te dei
 http://minhasnoitesinsones.blogspot.com/
Benno Assmann

Lembra daquele beijo que nunca te dei?
Lembra do dia que não saímos abraçados
E não passeamos no parque
E não te comprei uma rosa
E não te paguei um sorvete?
Depois, não fomos ao cinema e não te cobri de beijos,
nem minha mão se aproveitou da escuridão
e não explorou tuas coxas.
Lembra quando meus olhos não brilharam como diamantes ?
quando pela primeira vez não te declarei meu amor?
E que depois não fomos a um motel
e não nos amamos loucamente, alucinadamente, desmioladamente.
E que não perdemos a noção do tempo,
desabraçados que estávamos.
Não te lembras?
Pois se nada disso aconteceu
E eu nunca vi os teus olhos,
É como se tivesse vivido
Tudo que não fiz,
Tudo que não vivi,
E os beijos que não te dei
ainda adocicam meus lábios,
E o amor que nunca jurei ao teu ouvido,
Ainda flutua no ar dos meus sonhos.
E se apurares bem os ouvidos
Ouvirás o rumor das minhas palavras
e escutarás bem baixinho:
Te amo pra sempre.

E falando de ser feliz e das coisas simples da vida Vou-me Embora pra Pasárgada de Manuel Bandeira:

Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
.
Vou-me embora pra Pasárgada
Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconseqüente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive
.
E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d'água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada
.
Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar
.
E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
— Lá sou amigo do rei —
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada.

Fazer poesia é assim como cantar, não se sabe bem explicar, faz-se. Só Cecília Meireles pra tentar:

Motivo

Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem triste:
sou poeta.
Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noiotes e dias
no vento.
Se desmorono ou edifico,
se permaneço ou me desfaço,
- não sei. Não sei. Não sei se fico
ou passo.
Sei que canto e a canção é tudo.
Tem sangue eterno e asa ritimada.
E sei que um dia estarei mudo:
- mais nada.


Uma boa semana a todos e graaaaannnnde abraço!
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quarta-feira, março 24

Felicidade!

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O post do dia 18 de março, em que Lu falou sobre ser feliz me fez pensar um bocado sobre a questão. Felicidade! Sorrir or not sorrir, eis a questão!

Quando pensamos em felicidade, sobre os momentos felizes de nossa vida, geralmente nos vem à cabeça memórias de infância ou sonhos com relação ao futuro, por que deste ninguém sabe nada. Não é isto? Claro que pode aparecer alguém aqui e dizer que não teve uma infância feliz. Mas isto não é o natural de se esperar. O normal é se achar que criança é feliz.

Sempre que penso nessas coisas lembro como foi boa a minha infância. Chego a pensar que é possível para uma criança pobre ser feliz, pelo menos era há alguns anos. Criança, na visão delas próprias, precisa de muito pouco para ser feliz. Chegar da escola, tirar os sapatos e correr para bricar descalço pelo quintal ou pelo jardim de casa sob os olhares dos pais, já é tudo de bom. É uma gostosa sensação de segurança e liberdade ao mesmo tempo. Procurar os coleguinhas da vizinhança para brincar, contar as novidades da escola, por em dia os papos de criança. Era muito bom!

Lembro que, quando chovia, gostava muito de sair com meus irmãos e colegas para brincar de pique na chuva, fazer guerra de bolinhas de barro, fazer barragem na lama. Eu era feliz e não sabia, por que criança, como disse antes, precisa de muito pouco para ser feliz. Depois, a gente cresce, fica exigente. Mas é só sair um pouco da rotina, se desligar um pouco das obrigações e procurar a felicidade nas coisa mais elementares e você vai dar de cara com ela outra vez.

Por outro lado me questiono se aquela felicidade que experimentei na infância seria possível hoje: brincar com outras crianças na rua (preocupado com bala perdida), jogar futebol (no asfalto), tomar banho de chuva (ácida?), nadar nos rios (uugh!). Nesta hora vem a triste constatação de que o desenvolvimento tecnológico e urbano e a tal da Globalização estão causando a individualização e o isolamento das crianças. Elas estão ficando cada vez mais enclausuradas em nossos apartamentos minúsculos diante de um gigantesco mundo multimídia virtual. Será possível ser feliz assim? As crianças de hoje terão o mesmo saudosismo de sua infância como temos da nossa?

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domingo, março 21

Dia Mundial da Poesia

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Caem as folhas...transmutam-se em poesia.


Imediatamente após a entrada do Outono, hoje, 21 de março, comemora-se O Dia Mundial da Poesia, data promulgada pela UNESCO. Apesar de coincidir com o início do nosso Outono, que também tem sua beleza, esta data foi escolhida por causa da Primavera, que no Hemisfério Norte começa hoje , dada a sua visceral ligação com o gênero lírico. O ar enche-se de perfumes, cores, flores e poesia.

Poesia, arte ou dom de compor versos, é um gênero literário onde a linguagem é utilizada para fins estéticos, recriando ou reinterpretando a realidade. A poesia está na raiz de toda a literatura mundial. As primeiras manifestações literárias da língua portuguesa também ocorreram sob a forma de poesia, nas cantigas líricas, como a Cantiga da Ribeirinha, ainda em galego-português.

A expressão “poesia” ou “poema”, em geral, se aplica à estrutura de texto que é escrita em versos. Os versos são as “linhas” do poema. Um conjunto de versos forma uma estrofe. Algumas características básicas da poesia são o ritmo, a divisão em estrofes, a rima e a métrica, que é a contagem das sílabas poéticas dos versos. A poesia moderna pode adotar o verso livre, desprendido da rima e da métrica.

Já falamos de poesia em outras ocasiões por aqui:

"A poesia é reconhecidamente a forma de expressão literária mais antiga que se tem notícia. A tradição conta que a manifestação poética mais antiga que se conhece é o Poema da criação “Enuma Elish”, escrito na Babilônia cerca de 2.000 a.C.
Odes aos deuses ou à natureza, épicos de cavalaria ou em cânticos para o simples deleite da alma, a poesia é também uma das formas de criação literárias mais pessoais. Ali, o autor, quando assim deseja, imprime seus mais profundos sentimentos. Revela de forma bem peculiar uma visão emocional ou conceitual de idéias, fundamentadas numa visão de mundo que é seu do ponto de vista particular.
Escrever poesia é comunicar emoções. Ela pode ser criada para enaltecer o belo, por meio de palavras seletas, ou pode servir simplesmente para excitar a alma, drenar as emoções contidas."


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Aproveitando o clima lírico gostaríamos de solicitar àqueles que se derem ao trabalho de comentar o post que acrescentem versos, de sua autoria, caso se sintam à vontade e desejem, ou que indiquem poemas dos quais gostem ou lembrem com prazer. A idéia é produzirmos um post com as indicações dos visitantes. Ou seja, o próximo post sobre poesia será feito pelo leitor do Voz. Combinado?







Ser poeta é...
(...)
É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!
(...)

Florbela Espanca


Palavras da UNESCO sobre o dia de hoje:

Ms Irina Bokova, Diretora-Geeral da UNESCO, declarou por ocasião da abertura das comemorações do World Poetry Day 2010:

“Sobre o Dia Mundial da Poesia 2010, lembremos que a poesia é um território universal em que os povos podem se conhecer através de palavras de todas as cores, ritmos e musicalidade. Palavras que, independentemente do idioma em que foram criadas, vão longe em busca de uma luz que capta a perfeita essência do ser humano, a dignidade de cada pessoa.



Tony
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