Voltando...
A poesia se reinventa.
Cidadania e violência
Amor: o que é isso?
O que a ficção diz:
“Ora, o tal bichinho chamado amor é capaz de amoldar seus escolhidos a todas as circunstâncias e de obrigá-los a fazer quanta parvoíce há neste mundo. O amor faz o velho criança, o sábio doido, o rei humilde, cativo; faz mesmo, às vezes, com que o feio pareça bonito e o grão de areia um gigante.”
(Trecho do Capítulo XXI de A moreninha; Joaquim Manuel de Macedo.)
Vivendo a vida
by Tony
Saber envelhecer
Ser culto hoje

Desde a virada do milênio, o homo sociabilis vem se perguntando, sem muito resultado, “o que é ser culto hoje?”
Há poucas décadas, alguém diria que ser culto é ter lido Socrates, Platão, Aristóteles, Cícero, Agostinho, grandes escritores como Homero, Dante, Vitor Hugo, Shakespeare, Machado, Alencar, Rui Barbosa; ser culto é conhecer a obra de Rousseau e Nietzsche; ser culto é ler latim e grego, além da língua materna e de uma língua moderna; ser culto é conhecer da Historia Universal todos os personagens e todos os conflitos; enfim, ser culto é ser uma enciclopédia viva.
E hoje? Seria possível estabelecer algum padrão confiável de dotes e dons intelectuais (hoje se fala muito em habilidades e competências) para se rotular alguém como “pessoa culta”? O perfil do passado, hoje, apenas com uma lupa e uma vela acesa pra São Longuinho, seria possível encontrar, mesmo na Internet.
Uma pessoa que, mesmo sendo dona de uma bagagem cultural enorme, não domine as ferramentas de Internet, não saiba utilizar os recursos de um celular, de um notebook ou de um tablet, que não leia, pelo menos, inglês e espanhol, além de sua língua materna, poderia receber esse galardão?
Alguém que você julgue inteligentíssimo, não estando antenado aos aspectos sociais, étnicos, humanos, globalizantes e inclusivos do conhecimento e livre de preconceitos e de qualquer tipo de segregação, seria um candidato ao título?
Os mais jovens poderiam dizer “pra q qmá a mufa cum tudo iço, si tá tudo lá, no Googo?” Muitos valores se perdem em contrapartida ao que nos proporciona a modernidade.
Halloween: os nossos fantasmas
A gente passa a vida fugindo de fantasmas, escondendo esqueletos nos armários, e tentando levar a vida numa boa. Só que, adiando a solução de problemas, evitando obstáculos, fugindo de compromissos.
Mas um belo dia quando tudo parece ir muito bem, você abre o armário e cai tudo sobre a sua cabeça. Desde a marmota mais antiga até aquelazinha que você escondeu ontem.
É certo que existem problemas insolúveis, fantasmas dos grandes, estes a gente tem que aprender a conviver com eles. Mas, quanto aos outros, não adianta esconder, deixar para amanhã ou fingir-se de morto. Mais cedo ou mais tarde você vai ter que encará-los. Então os fantasmas serão mais feios. Pois bem! Não deixa para amanhã; prepare as suas abóboras, espante seus fantasmas hoje mesmo!
"Mea culpa"
Foto by Nikolai LarinMas antes de ser um Blog nós somos seres humanos (não-virtuais), e como tal, nossas necessidades não se resolvem com tecladas rápidas nem com um simples click de mouse.
Vivo um momento rico (não encontrei palavra melhor) que exige todas as 24 horas da minha vida e demanda as minhas energias. E creio que a Lu também vive um momento profissional que lhe impede de dar mais atenção à sua "criança".
Nãããooo! Não é uma carta de despedidas! Mas apenas um pedido de desculpas, e para deixar claro que a blogagem continua, pois sei que aqueles que passaram a nos seguir sabem que ando um pouco ausente.
Dou a mão à palmatória (virtual), mas sejam piedosos, não pequei por querer!
Agradeço a todos aqueles que continuam fiéis apesar da nossa ausência temporária.
Afinal ...a gente se torna responsável pelos leitores que cativa.
Um abraço a todos e boa semana!
Homens de fases
Não faz muito tempo, nas minhas andanças, encontrei um amigo de infância há muito fora da minha agenda. Na rápida conversa que tivemos, ele me fez lembrar quando éramos adolescentes e, segundo ele, eu fazia lindas esculturas de areia nas praias de Fortaleza. Fiquei muito contente que o amigo tivesse resgatado esta parte já soterrada de mim, pois as tais esculturas há muito haviam desmoronado na minha memória.
Numa outra ocasião, mais recentemente, uma amiga chegou pra mim, cheia de expectativas, com um bloco de papel e lápis nas mãos. Ela me pediu que lhe fizesse um desenho bem bonito, como antigamente. Aquilo me pegou de surpresa, pois não tinha a menor motivação para desenhar naquela ocasião. Pedi então um tempo à moça. O fato é que, mesmo transcorrido o tempo solicitado, não consegui desenhar nada que prestasse. Fiquei muito desapontado. E ela também, claro!
Você muda tanto de fases assim? Sou desse jeito, meio inquieto. Mas, ainda espero, muito em breve, poder voltar a transitar por estes campos férteis. Refazer ciclos da minha vida cheios de atividades prazerosas como desenhar, pintar, esculpir. Hoje, tento, meio desajeitado, dar cor às palavras, esculpir sonhos.
A obra Homens de fases de Tony foi licenciada com uma Licença Creative Commons - Atribuição - Uso Não Comercial - Partilha nos Mesmos Termos 3.0 Não Adaptada.
Versos ridículos, cartas de amor

Rápida reflexão sobre a loucura

As portas da loucura estão sempre escancaradas e com o vento soprando em diração a elas. Não posso cruzar a linha: paro, olho, escuto... Não ouço nada! Prossigo.

Um dia de 25 horas: doce utopia!

Todo fim de verão é a mesma coisa. Nas regiões onde se implantou o horário brasileiro de verão, as pessoas se amontoam em lugares públicos, cada um a sua maneira, buscando aproveitar aquela horinha a mais proporcionada pela transição do HBV. Uma hora a mais para divertir-se, comer, beber, namorar e papear. Não sei se ocorre o mesmo na regiões mais centrais do país, porém no litoral, cariocas e niteroienses principalmente, acorrem para a orla em busca de acomodações em bares, quiosques, nas calçadas ou mesmo na areia da praia para ali assentarem a sua tribo e curtirem a brisa de uma noite de verão até mais tarde.
Na verdade todos sabem que é puramente uma manobra de relógios, é utópico, mas aqui tudo vira uma festa. Só falta acabar em samba! O litoral fervilha de vida: jovens, crianças, idosos, animais e a natureza à disposição por “mais uma hora”. Os comerciantes não tem do que reclamar, nem eu.
No último dia do horário de verão (19/02), sábado, aproveitei minha horinha também que não sou de ferro. Caminhei pelo calçadão de Charitas - Niterói, tomando uma água de coco, mastigando pensamentos, digerindo problemas. Um conhecido aqui, outro ali, troco algumas palavras, e volto-me aos meus botões.
“Canção do vento e da minha vida
O vento varria as folhas,
O vento varria os frutos,
O vento varria as flores…
E a minha vida ficava
Cada vez mais cheia
De frutos, de flores, de folhas.
O vento varria as luzes,
O vento varria as músicas,
O vento varria os aromas…
E a minha vida ficava
Cada vez mais cheia
De aromas, de estrelas, de cânticos.
O vento varria os sonhos
E as amizades…
O vento varria as mulheres…
E a minha vida ficava
Cada vez mais cheia
De afetos e de mulheres.
O vento varria os meses
E varria os teus sorrisos…
O vento varria tudo!
E a minha vida ficava
Cada vez mais cheia
De tudo.
Manuel Bandeira. (Lira dos Cinquent’anos)
Cada um aproveita como pode.
Boa semana a todos!
A primeira vista
Viver: na dor e no prazer
Alguns filósofos diziam que o ser humano transita sob a ditadura de dois senhores soberanos: a dor e o prazer. Tudo que fazemos durante toda a nossa vida está diretamente ligado a eles. Estes dois “senhores” governam-nos em tudo o que fazemos, em tudo o que dizemos, em tudo o que pensamos, sendo que qualquer tentativa que façamos para fugir desse domínio só vem a demonstrar e confirmar mais ainda essa escravidão. Através de suas palavras, o homem pode tentar abjurar tal domínio, porém permanecerá sujeito a ele em todos os momentos da sua vida.É uma dura realidade. Mas é isso. A nossa fala é diretamente influenciável pelo estado de satisfação, de humor do momento, causado pela proximidade com o prazer ou a dor, quer seja física ou espiritual. O nosso comportamento é movido, para um lado, pelos prazeres de comer, beber, dormir, fazer sexo, pelo prazer de estar com alguém ou em algum lugar; para outro lado, ou pela dor de não ter nada disso ou pelo sofrimento da dor física mesmo. Portanto, em determinado momento da vida poderemos estar mais perto de um ou de outro destes senhores (dor e prazer). Aproveite os momentos de alegria, por enquanto, alegre-se com o pouco; o muito pode demorar.
Boa semana a todos!
O seu retrato mudou?

O tempo vai introduzindo mudanças no projeto original de forma tão sutil e em doses homeopáticas que o estrago torna-se imperceptível de imediato e a olho nu. Nós nos fitamos no espelho dariamente e, com relação à pessoa que fomos ontem ou ha dois dias, não percebemos diferenças relevantes, nao é mesmo? Talvez um fio de cabelo branco a mais, ou a menos, um vinco no canto do olho, a pele um pouco ressecada, mas no todo é você mesmo que está ali.
Mas, um belo dia, alguns anos mais tarde, agora com um olhar mais crítico, mais maduro, mais detalhista e menos otimista, você se reconhece diferente, ou melhor você não se reconhece. Não é mais aquele gato ou aquela gata. É como se visse um estranho no espelho.
É o que explora com maestria e precisão cirúrgiga, no poema "Retrato", Cecília Meireles. Nesta pequena obra-prima "Retrato" a escritora carioca, uma das mais belas representantes da literatura contemporanea, faz uma leitura não apenas física mas também emocional deste momento.

Retrato
Eu não tinha este rosto de hoje,
assim calmo, assim triste, assim magro,
nem estes olhos tão vazios,
nem o lábio amargo.
Eu não tinha estas mãos sem força,
tão paradas e frias e mortas;
eu não tinha este coração
que nem se mostra.
Eu não dei por esta mudança,
tão simples, tão certa, tão fácil:
-em que espelho ficou perdida
a minha face?
(Cecília Meireles/Flor de poemas
Ed Nova Fronteira, 1972)
Mantenham-se longe de espelhos e tenham um bom final de semana.

Verdadeiro amor
Desejo a todos um fim de semana acompanhados das pessoas que amam.
que falava contra o casamento.
e que é preferível acabar com a relação,
quando este se apaga, em vez de se submeter
a triste monotonia de um matrimônio.
mas lhe contou a seguinte história:
Numa manhã minha mãe descia as escadas
para preparar o café e sofreu um enfarto.
e quase se arrastando a levou até a caminhonete.
infelizmente ela já estava morta.
Ficava o tempo todo olhando para o nada.
Quase não chorou.
Eu e meus irmãos tentamos, em vão confortá-lo.
passou a mão pelo caixão e falou com sentida emoção:
ninguém pode falar do amor verdadeiro se não tem idéia
do que é compartilhar a vida com alguém por tanto tempo. "
Mudei de emprego, renovamos toda a mobília quando
vendemos a casa, mudamos de cidade.
Compartilhamos a alegria de ver nossos filhos concluírem
a faculdade, choramos um ao lado do outro,
quando entes queridos partiam ...
Filhos, agora ela se foi e estou contente.
E vocês sabem por que?
Por que ela se foi antes de mim e não teve que sentir
a agonia e a dor de me enterrar, de ficar só,
depois da minha partida.
Sou eu quem vai passar por essa situação,
e agradeço a Deus por isso.
Eu a amo tanto que não gostaria que ela sofresse assim ... "
Está muito além do romantismo e não tem muito a ver com o erotismo,
mas se vincula ao trabalho e ao cuidado a que se professam
duas pessoas realmente comprometidas.
no dia-a-dia e por todos os dias.
O verdadeiro amor não é egoísta, não é presunçoso,
nem alimenta o desejo de posse sobre a pessoa amada.
(desconheço a autoria do texto)
Adultério?
Adultério é assunto para ser tratado em família, em sigilo, por aqueles diretamente envolvidos, de preferência de forma pacífica e civilizada. Tudo bem que é preciso respeitar as diferenças culturais, mas como é possível falar de paz mundial, de interesses comuns, de fórum mundial disso e daquilo se ainda não conseguimos consenso mundial nas relações mais básicas de uma sociedade, como as relações familiares, por exemplo!?
Estou me referindo ao caso da viúva Sakineh Mohammadi Ashtiani, 44 anos, do Irã, que teve repercussão internacional. Punir um suposto adultério com pena de morte por apedrejamento em praça pública, isso é o fim do mundo! Ou melhor, isso é regredir ao começo de tudo. É ignorar a trajetória difícil que foi a luta pelos direitos humanos e pela emancipação da mulher. Não quero com isso defender a legalidade do adultério, quer seja para homens ou mulheres, mas que o tratamento do caso não é por aí. Adultério é caso de família, que a família resolva. Ao Estado, na minha leiga opinião, caberia apenas interferir quanto aos direitos e deveres decorrentes da separação.
Sakineh foi Julgada em 15 de maio de 2006 por uma Corte local, foi considerada culpada de adultério e sentenciada a 99 chibatadas. Em 2006, o caso voltou a ser apreciado por outro tribunal, O júri condenou-a ao apedrejamento, pelo mesmo crime de adultério que, segundo o Judiciário, teria sido cometido quando ela ainda era casada. A Suprema Corte do Irã confirmou a sentença em 27 de maio de 2007.
Falta de Educação

A cada dia que passa fico mais decepcionada com a falta de educação das pessoas, em especial dos jovens infelizmente, a impressão que tenho é que não tem quem os ensine a ter boas maneiras, as pessoas parecem que perderam a vergonha, lembro que quando era criança minha mãe me ensinou que a discrição é fundamental para não passar vergonha em público.
Hoje os jovens andam em bandos fazendo baderna, gritando , desrespeitando filas, passando por cima de tudo e de todos e se achando o máximo.
Com o advento do celular então.... não se tem mais sossego em lugar nenhum... sempre tem alguém contando da sua vida íntima para que todos ouçam, num despudor, que confesso me deixa envergonhada. E olha que não sou do tipo que se envergonha com pouco.
Dia desses, tive o desprazer de ouvir um camarada contando, num lugar público, em alto e bom tom, intimidades sexuais sua e de seu parceiro, e não venham me dizer que sou preconceituosa, porque não é o caso, mas é de uma falta de vergonha e compostura...
E no cinema... cada dia que passa fica mais difícil assistir um filme em paz, as pessoas vão ao cinema fazer uma farra gastronômica e não assistir ao filme, sem contar que muitos não desligam o celular e outros ainda querem usar o cinema como motel, como já tive o desprazer de presenciar.
Ai tem as filas de onibus, em que as pessoas parecem hordas de vândalos, num salve-se quem puder deprimente.
As pessoas que dos seus carros ficam jogando lixo nas ruas , e às vezes acaba pegando em algum passante, como foi o caso da casquinha de sorvete que jogaram ontem de um carro e bateu na pessoa que estava do meu lado, esperando o semáforo fechar para atravessar a rua , e que ao ver a sua farda suja começou a chorar, enquanto a pessoa que jogou seguiu o seu caminho e tem uma grande chance de sequer ter se dado conta do que fez. Foi por causa dessa cena que resolvi escrever esse texto.
Não sei como pensa a maioria, talvez eu seja exigente demais, mas esse tipo de comportamento me deixa deprimida , pois gostaria que o meu país além de ser conhecido por suas belezas, pelo seu povo simpático, também fosse conhecido pela educação do seu povo.
Desejo a todos um bom fim de semana.
Culto à violencia

Um cidadão ensinando o filho e uma sobrinha (se não estou enganada), a roubar, segundo o que ouvi , pois não assisti a nenhuma das mil vezes que o vídeo foi mostrado, ele ensinava a roubar com uma arma e uma boneca, e o detalhe mais importante: os alunos são duas crianças.
A cena é chocante eu concordo, mas o que não entendo é o destaque dado ao caso, o tal sujeito ficou famoso... tem muita gente por ai que rala, namora famoso, mostra calcinha e não consegue tanto espaço na mídia como essa pessoa conseguiu.
Eu não me surpreenderia se ele tivesse feito o tal vídeo com o intuito de aparecer mesmo.
Aqui nas emissoras de tv locais tem uns programas que fazem o maior sucesso : Barra Pesada, só para citar um , e o título já diz tudo, o sangue só falta escorrer pela tela... quanto mais cenas chamadas "fortes", leia-se sangue, cadáveres, vitimas de bala perdida, desgraça , com toda uma carga de dramaticidade, num verdadeiro circo de horrores, mais ibope tem o programa. Detalhe importante , são exibidos na hora do almoço.
E não vou longe não, a minha mãe uma senhora de 75 anos, só deixou de assistir , porque nós os filhos , ficamos dizendo que ela ia morrer do coração, medimos a pressão dela antes e depois do programa e ao constatar que a pressão ficava alterada não teve mais argumentos, pois a mesma dizia que assistia para ficar sabendo o que a bandidagem anda fazendo... e não dando ibope para malandro. Não me surpreenderia se soubesse que ela assiste escondido.
Por que estou falando isso?
Sei que a violência existe, já fui vítima dela , mais de uma vez, mas não sou a favor de dar ibope para bandido, principalmente aula de bandidagem em horário nobre... tanta coisa interessante para se ver... só que boas ações não dão ibope.
E você é do tipo que adora ver uma desgraça, o sangue jorrar?
Ou como eu passa batido para esse tipo de jornalismo?
Opine!





















