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terça-feira, agosto 20

Voltando...

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Já é outro dia! Muito preguiçosamente, lagarteando, acordei. Também, depois de 12 horas de voo direto Londres-Rio, o que eu queria mesmo era dormir além da conta. Qualquer atraso, culpa-se o Jet-leg.
A temperatura não é de estranhar; tá um friozinho gostoso por aqui, favorável pra preguiçar, perder a hora na cama. Mas ao levantar e abrir as cortinas, me dou conta de que os jardins viçosos, os gramados infinitos, as macieiras carregadas e as exóticas “berries” não estavam lá fora.
Os sons também não são os mesmos. Durante os últimos três meses acostumei-me a despertar com o canto dos imensos corvos negros no alto das torres de chaminés, e dos “blackbirds” fazendo festa nos verdejantes gramados. Tudo isso também denuncia que o amanhecer é outro.
É, eu estava mesmo de volta! Agora reconheço o quarto, a mesa, meus livros: Drummond, Pessoa, Machado, minhas Bíblias, fieis conselheiros de cabeceira. Novos autores se juntarão a eles, mesmo não falando a mesma língua, mas são todos do ramo.
Pouco a pouco a preguiça foi se desenroscando de mim e logo eu estava desfazendo as malas.
Agora é sair por ai redescobrindo a paisagem e dando um alô pros amigos.

Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.
(Canção do exílio – Gonçalves Dias)


Que saudade dessas palmeiras! Boa semana a todos!

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domingo, fevereiro 17

De volta a realidade

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Wallpapers - Ponte por Larisa Koshkina

O carnaval acabou. Agora que o brasileiro acorda para o ano novo e percebe a realidade das coisas! A inflação subiu, a gasolina acompanhou o samba; IPTU, IPVA e a fantasia pra pagar; volta às aulas, volta ao batente e o caos no trânsito também volta. Fim do horário de verão, volta o horário normal, mas o calorão continua.
Do outro lado do mundo o papa jogou a toalha, aqui a tragédia de Porto Alegre da lugar a violência de Santa Catarina.

Rio de janeiro está “pacificada”, São Paulo alagada. E a CPI de Cachoeira acabou numa cascatinha.

Bom, já que voltamos do país de Alice, “Feliz Ano Novo!”

 
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domingo, outubro 28

Eterna busca de si

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Arqueologia
 .by Tony

Escravo, cavo, escavo;
Busco de meus vestígios um sinal,
Minha bandeira na terra cravo.
Se me desconstruo, me encontro;
Tantas vezes, nem conto!
 .
Construo minha própria arqueologia.
Cacos que reajunto, montam, contam,
Remontam minha tosca genealogia.
Lembranças fossilizadas revelam,
Meus podres ossos por elas velam.
 .
Uma vez barro, hoje pó,
Assim, entre ossadas alheias,
Outra vez me encontro só.

...
Tenham um bom domingo!
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quinta-feira, outubro 4

Falsebook: Pequenas mentiras

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Foto: VikaValter - Colecção: Vetta


Na visão cristã não existe mentira pequena e mentira grande. Tudo é mentira. E, embora não seja um dos sete capitais, mentir também é pecado.

Na verdade, deixando a questão do pecado de lado, se observarmos a nossa rotina vamos perceber que as pequenas mentiras são constantes em nossas vidas, e queiramos ou não, são necessárias para a sobrevivência em sociedade.

Além de termos que contar das nossa, também temos que engolir algumas indigestas.

As mentirinhas já aparecem logo cedo. Mesmo naqueles dias em que você acorda com o pé esquerdo,  não tem nada dando certo, num cumprimento matinal com os amigos você responde "Tudo bem! e você?". Tem aquelas mentirinhas que você é obrigado a dizer ao telefone para fugir de pessoas indesejáveis ou do temível telemarketing; aquelas ditas na rua quando da abordagem de estranhos; as mentiras que as mulheres contam para as amigas; as mentiras que os homens contam no bar depois da pelada, depois da pescaria ou depois da relação amorosa; as mentiras sociais contemporâneas: do tipo o morro está pacificado; eu não serei candidato a reeleição, O Brasil é o país do futuro (ô futuro que não chega, sô!).

Tem também as mentirinhas que os homens contam para suas parceiras; as mentirinhas postadas nas redes sociais, nos seus perfis; as mentirinhas que as pessoas colocam nos seus Currículos quanto à formação, cursos e experiência. E ultimamente temos que engolir as mentiras que os políticos contam para conquistar o voto do eleitor. Tem cada uma!

Tudo bem que você não pode ser verdadeiro o tempo todo senão vira uma presa fácil, mas tem historinhas que não dá para engolir!

Afinal, seríamos nós, todos personagens de um Falsebook na vida social?!

Abraços!
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domingo, agosto 5

Dias taciturnos.

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Gravura: Mauricio Nascimento;
***
Os dias em que não falo dizem algo sobre mim. Falam da minha ausência, dos meus vazios. Nos dias em que não escrevo faço autorretratos.
Existe um posicionamento com relação à poesia, uma espécie de pressuposto, que consiste na ideia de que as mensagens mais sublimes de um poema, podem estar, não no que foi dito, mas nas lacunas, nos seus vazios, vazios estes que o leitor buscará, às vezes inutilmente, complementar.
.
O poeta fala de certezas calcadas nas suas dúvidas e de uma liberdade respaldada na sua clausura. Com base nesses pressupostos, aceito o desafio das palavras, mesmo na falta delas, os vazios; busco entender-me com elas, divido com você a tarefa de recuperar-lhes a semântica e preencher as lacunas, lacunas estas que também são as minhas.
...
Folha em branco
Maldito
Inescrito espaço em branco,
Mundo inacabado,
Sequer começado,
Palimpsesto imaculado
Pensamento inaudito.
Espaço mudo,
Lugar cativo
Do dito não dito;
Berço do texto proscrito,
Do pensamento natimorto
Ao imaginário restrito.
Desejo uma boa semana a todos!
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sexta-feira, junho 8

Das perdas

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Foto: Josée Holland Eclipse
A vida, quando necessário, poderia perfeitamente ser representada por um eletrocardiograma. É cheia de altos e baixos, de picos e vales, de momentos sublimes e de momentos de abismo. Nos intervalos de normalidade a gente esquece dela. Mas as perdas são sempre irreparáveis e deixam esses abismos na vida da gente. Ficam as estórias, ficam as lembranças, ficam pedaços. De vez em quando a gente monta o quebra-cabeça na tentativa de recuperar alguma coisa.
*
Sinto
By Tony
Sinto, não sentir quando me for
Sinto ter que abdicar do teu amor.
Sinto que em ti jaz meu pensamento
Sinto não mais sentir meu sentimento.
...
Sinto estar ausente em minha despedida.
Sinto não sentir tua mão, minha querida,
Sinto que me fui sem te avisar
Sinto que é pra nunca mais voltar.
...
Sinto não ser esta tua vontade
Sinto já toda uma eternidade
Sinto,
Nada mais...sinto.



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sábado, maio 19

Vivendo a vida

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Imagem de domínio público
  
Prosando com a vida
by Tony

O sonho é terreno da poesia;

O amor habita corações e cama;

O campo da realidade é prosa;

A vida, tragédia e drama.



Acordado sonho, faço planos,

Mas o destino comigo troça.

Hoje, gozo o que me oferta o dia,

Amanhã talvez não possa.

Bom final de semana!

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terça-feira, maio 8

Abandono de incapaz

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Foto: Jorg Greuel - Coleção: Photodisc (RF)

Gente! O bichinho mal completou quatro anos e está assim, largado! Há dias o blog não é alimentado. Virtualmente falando, podemos até ser indiciados por abandono de incapaz, rs.
Infelizmente isso pode acontecer. Há dias em que você mexe pra lá, mexe pra cá, e nada de interessante sai da cachola para o papel. Ideias até existem, muitas, às vezes, mas texto que é bom, neca de pitibiriba. Nem chacoalhando de cabeça para baixo!
Pois é! Acho que atravesso dias assim. Andei rascunhando algumas ideias, razoáveis até, mas, nenhum texto conclusivo.
O papel em branco às vezes me lembra do enigma da esfinge: “Escreve-me ou te devoro”.
Ah! A "criança" não está abandonada! Só precisamos de um tempo.

Uma boa semana a todos!



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segunda-feira, março 19

Então, somos imortais!

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Como blogueiros, escritores, produtores de alguma forma de conteúdo digital, é bom que possamos sustentar amanhã o que dissermos hoje. Como pessoas, que precisam de certa privacidade, é bom que possamos não nos arrepender do que dissemos ontem.

Não podemos esquecer que tudo que postamos na blogosfera poderá ser usado contra nós; a favor também, claro. Tudo que produzimos on-line ficará guardado para sempre em algum lugar do passado blogosférico. E, quanto aos seus passeios pela rede, se você pensa que apagando as memórias de acesso, os históricos de navegação, os registros de e-mail e chat, não deixará rastros, está tecnologicamente enganado. Não é como amassar um rascunho em papel e jogar na lixeira - aquela de verdade, de ferro, de plástico, etc. O seu provedor, seu navegador, ou o seu site de buscas mantem registros de tudo. Por essas e outras pegadas deixadas no mundo digital já podemos nos considerar imortais. Elas estarão sempre lá.

Enquanto você está pesquisando no seu site de buscas preferido, ele está rastreando sua navegação e construindo um perfil seu. Não só como consumidor, mas também como pessoa; suas preferências, seus hábitos. Trocando em miúdos, quem quer anonimato não usa Internet.

Portanto é sempre bom adotarmos um procedimento correto. Ter sempre em conta os direitos de autoria, ser politicamente correto, evitar ofender alguém ou alguma classe. Aquela coisa de ética digital, sabe? Ofendeu, desculpe-se, errou, corrija-se.

Assim, não deixamos o “rabo preso na teia” e a convivência será sempre pacífica e duradoura neste mundo de infinitas possibilidades e hipertextualidades. Seremos felizes para sempre, virtualmente.

E tá gravado!
Geeennte! Falei alguma bobagem? Ooops!
....

Ilustração de: Kenichi Nakane; Coleção: Imagezoo
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quinta-feira, fevereiro 23

Livro:o velho e o novo

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Foto: Anna Yu
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Não é de hoje que livrarias fecham as portas. No Brasil o fenômeno não preocupa tanto porque nós nunca tivemos muitas livrarias mesmo. Mas, nos Estados Unidos e na Europa muitas livrarias fecharam ou mudaram de ramo nos últimos dez anos. Aqui à minha volta (Rio de Janeiro/Niterói) conheço pelo menos meia dúzia delas que sumiram do mapa.
Com tantas facilidades da tecnologia moderna já era de se esperar algum efeito nefasto, natural na evolução tecnológica. A facilidade de se comprar pela Internet, juntamente com as opções digitais de leitura, tais como os tablets, os e-books, os celulares de ponta e a própria leitura on-line estão desestabilizando as pequenas livrarias e até editoras que não acompanham o leitor na mesma velocidade.
Para consolo dos leitores, aficionados pelo papel, outros fenômenos ocorrem paralelamente. Um deles é a diversificação ou fusão de mercados abrindo espaço para a venda de livros. Ao mesmo tempo em que livrarias, lutando para sobreviver, abrem espaços aconchegantes sob a forma de cafés/lanchonetes ou mesmo bazares e megastores, cafés e lanchonetes abrem espaços para leitores com a venda de livros em seus salões. É muito bom tomar um cafezinho enquanto folheia um bom livro, ou folhear um bom livro enquanto toma um cafezinho, você escolhe. Ainda, a grande maioria das bancas de jornais está vendendo livros, cada vez mais. Pequenos stands ou racks, em mercados diversos, oferecem uma infinidade de títulos, clássicos da literatura, em formato de bolso. Vale observar também que os sebos passam a ter importância significativa neste processo contemporâneo de acomodação entre livros e leitores.
Enfim, pelo menos por mais algum tempo, creio que o livro “velho” e o novo estão encontrando formas de convivência pacífica.




&&&



On-line ou on-paper, continuemos lendo!
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terça-feira, dezembro 6

Um homem, um vira-latas

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O verdadeiro espírito do Natal, nos faz refletir sobre questões muito comuns do dia a dia. Recentemente, numa manhã de domingo, quando retornava com o pão e o jornal, uma cena me chamou a atenção.

Deitados na calçada, a cerca de 30 metros de uma igreja protestante, estavam um homem e seu vira-latas. Na verdade, deitado estava o cachorro; o homem estava caído! Até ai nada de anormal para o cenário urbano. O individuo, ou que restou dele, estava em trapos, caído, todo ralado. Mas seu fiel amigo não o abandonara. Cheguei mais perto para ver qual a real situação. Primeiro, fiz amizade com o cão, que, zeloso, acompanhava cada movimento meu. Passei então a verificar o estado do cara, que embora tentasse responder as minhas perguntas, não conseguia pronunciar uma palavra sequer. Tinha todo jeito de estar alcoolizado. Como o sol já estava alto e lhe queimava o rosto, puxei-o para a sombra. Em curto prazo, não havia muito o que fazer. O álcool precisará de um tempo para sair do sangue. Aí, quando ele acordar, o cão o levará para casa.

Já retomava meu caminho, quando percebi que o culto ao lado acabara, e que membros da igreja, começavam a sair, cheios do Espírito de Deus.
- A paz do Senhor.
- Vai com Deus irmão. E etc. e tal.

Foi quando notei que ao avistarem o homem caído, ao lado do vira-latas, a maioria das pessoas ao sair da igreja mudava de calçada. Aqueles que passavam perto, fingiam não ver nada de errado. Se ao invés de um homem e um cão fossem dois vira-latas creio que reagiriam da mesma forma. Olhariam com a mesma indiferença.

Segui para casa desfiando algumas questões:
O que buscamos na igreja? Por que o discurso religioso não se aplica fora do templo? Aquele que tem Deus no coração pode olhar um homem caído na rua e um cão sarnento com a mesma indiferença?

Esse olhar sobre o semelhante está se tornando “comum”. Isso é preocupante!
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domingo, outubro 2

"Mea culpa"

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Foto by Nikolai Larin


Comecei a escrever no Voz meio de improviso, sem muito jeito, talvez até por um pouco de zelo, para não contrariar a amiga Lu. Mas com o tempo passei a gostar. E continuo gostando! Com o tempo postar no Voz Ativa tornou-se uma atividade prazerosa. Aqui fiz amigos (leitores), descobri alguns mistérios da blogosfera, fiquei.

Mas antes de ser um Blog nós somos seres humanos (não-virtuais), e como tal, nossas necessidades não se resolvem com tecladas rápidas nem com um simples click de mouse.

Vivo um momento rico (não encontrei palavra melhor) que exige todas as 24 horas da minha vida e demanda as minhas energias. E creio que a Lu também vive um momento profissional que lhe impede de dar mais atenção à sua "criança".

Nãããooo! Não é uma carta de despedidas! Mas apenas um pedido de desculpas, e para deixar claro que a blogagem continua, pois sei que aqueles que passaram a nos seguir sabem que ando um pouco ausente.

Dou a mão à palmatória (virtual), mas sejam piedosos, não pequei por querer!

Agradeço a todos aqueles que continuam fiéis apesar da nossa ausência temporária.
Afinal ...a gente se torna responsável pelos leitores que cativa.

Um abraço a todos e boa semana!
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sexta-feira, setembro 2

Vista da cidade

 
By Tony

A vida na urbe, sinto,
É solitária e sem horizontes;
É como estar num labirinto
Perdido com pessoas aos montes.

As ruas são retilíneas,
Sombrias, quase sem graça;
Viçosas cercas vivas como as minhas
Aqui só se encontram na praça.

A vida da gente é o interior
O horizonte é firme, bem definido!
A terra emana especial calor.
O caminho é sinuoso, porém florido.

Ao amanhecer, o que mais conta
E vem sempre em primeiro lugar
É a luz que do sol desponta,
Não as sombras que ele possa formar.





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Começou ontem (01-09-11) no Rio de Janeiro - Riocentro - a XV Bienal do Livro. O evento vai até domingo dia 11, uma oportunidade imperdivel para leitores, escritores, editores, professores, alunos, para todos enfim. É um momento muito propício para a formação de novos leitores. Vá e leve a garotada para tomar essa vacina!
Ah, aquele cheirinho de livros novos!
Ô vício benigno!


Bom fim de semana a todos e boas leituras.
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quarta-feira, julho 27

Abrindo caminhos

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Dizia o escritor espanhol Antonio Machado que os caminhos não existem, nós os construímos ao caminhar. Isto é bem verdade. Basta um primeiro passo para começarmos uma nova jornada, por maior que pareça. E também, para darmos uma guinada na vida precisa haver este primeiro passo.

Contudo, com a mesma facilidade com que podemos abrir nossos caminhos, também criamos barreiras, obstáculos para nós mesmos. Aos poucos construímos cercas ou grades intangíveis que vão nos aprisionando em nosso próprio mundinho particular. Assim, não conseguimos estender muito os nossos caminhos. Não conseguimos ir além dos horizontes artificiais que impomos a nós mesmos. É claro que falo de barreiras invisíveis, ou seja, barreiras psicológicas, morais, religiosas, éticas, etc. In suma, limites fundados sobre princípios que muitas vezes até já perderam a validade neste mundo moderno em que vivemos.

Assim, para que possamos dar o primeiro passo e abrir caminhos, como disse Machado, é preciso que antes de tudo tomemos coragem para romper com as barreiras, com as travas que nós nos colocamos e que nos impede de sair da inércia.

A comodidade e o conforto, sonhos de consumo, podem muitas vezes desencadear o mêdo do novo, o receio de viver desafios, de correr riscos. Assim não se abre caminhos. Viver impõe riscos.

Está na hora de revermos os nossos limites!


António Machado (1875-1939).




Caminante, son tus huellas
el camino, y nada más;
caminante, no hay camino,
se hace camino al andar.
Al andar se hace camino,
y al volver la vista atrás
se ve la senda que nunca
se ha de volver a pisar.
Caminante, no hay camino,
sino estelas en la mar.

O poema faz parte de um conjunto de provérbios e cantares.
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quarta-feira, junho 29

Bola de neve

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Autor: Alexander Nicholson
Coleção: Digital Vision




A não ser que realmente haja algum ET preso nas masmorras contemporâneas, o ser humano é o único ser inteligente sobre a terra. O caso é que há tanta coisa intrigante entre a terra e o céu, entre humanos e animais, que às vezes duvido dessa racionalidade. Creio que não é só a razão que distingue humanos e animais!
Os homens, embora racionais, são os únicos "animais" que produzem lixo, e, como se isto não bastasse, são também os únicos que destroem seu próprio habitat. Onde vamos parar com essa irracionalidade? Iremos morar no "Planeta Lixo" em lugar do planeta água que tanto exaltamos em verso e prosa? E tudo por conta de um consumismo desenfreado!
Embora já seja grande o número de instituições ditas ecológicas, ambientalistas, sustentáveis e etc., há ainda muito a ser feito para desacelerar a escalada do lixo no nosso planetinha. A produção de resíduos leva pelo ralo muitos recursos naturais juntamente com o nosso mirrado dinheirinho. Por exemplo, pode-se promover a redução de embalagens duráveis, uma melhor e mais efetiva coleta seletiva de lixo, maior compromisso das indústrias com o lixo eletrônico e a reciclagem do que seria o desperdício.
Quanto ao lixo eletrônico (cerca de 50 milhões de toneladas por ano no mundo), que cresce assustadoramente, precisamos de políticas governamentais para a coleta e o tratamento desse material, que não pode acabar nas mãos do usuário final. Pois se trata de uma sucata que exige tecnologia apurada para seu reaproveitamento e que pode ainda ser muito valiosa para a indústria.
Precisamos cuidar do planetinha azul (por enquanto) antes que só reste uma flor sobre ele. Vamos, então, exercer nossa prerrogativa de único ser inteligente para deter a bola de neve (pra não dizer bola de lixo).
Já separou o seu lixinho hoje?

Licença Creative Commons
A obra bola de neve de tony foi licenciada com uma Licença Creative Commons - Atribuição - Uso Não Comercial - Partilha nos Mesmos Termos 3.0 Não Adaptada.
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domingo, junho 26

Domingo feliz

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Baseco, Manila - Sunset in Baseco (RF)
Mio Cade's Photography



Domingo é dia de passear, de ler, filosofar, recordar, poetar, brincar ou de não fazer nada se preferir. Só descansar, lagartear. Mas, hoje em dia, nas poucas horas de laser que temos, percebemos como a tecnologia mudou a nossa diversão. As TCI (Tecnologia de Comunicação e Informação) são a maravilha da modernidade, não resta dúvida. Mas, por que tudo tem que ter uma contrapartida negativa nesse mundo?
As crianças muito precocemente estão deixando as verdadeiras brincadeiras de criança e o que é pior deixando de ser criança. Brincam de forma virtual, só querem saber de computador e jogos virtuais, eletrônicos. Assim, vão crescendo sem conhecer o mundo real...será que isso é legal!?
Lembro que, quando criança, a gente brincava muito de cantar, dançar, correr, cantarolar, brincar de ciranda e declamar parlendas. A gente brincava, mas nem sabia o que era isso; parlenda? Parlendas são aquelas brincadeiras que consistem em declamação curtas e divertidas, poesia de crianças, acompanhada por música, ou apenas com rimas infantis, muitas vezes utilizadas como técnica de memorização.

Assim:

Hoje é domingo
Do pé do cachimbo
Cachimbo é de barro,
Bate no jarro.
O jarro é de ouro,
Bate no touro...

E essa:

Se a liga me ligasse
Eu também ligava a liga
Mas, como a liga não me liga
Eu também não ligo a liga.

Ou:

Sol e chuva
Casamento de viúva
Chuva e sol
Casamento de espanhol.

Por fim:

Entrou por uma porta
Saiu pela outra
Quem quiser
Que conte outra.

Raízes da poesia; acho que até musas e ninfas cirandavam com as crianças pelas praças e parques.
Conte a sua parlenda preferida; afinal é domingo!
Bom domingo!

Licença Creative Commons
A obra Domingo feliz de Tony foi licenciada com uma Licença Creative Commons - Atribuição - Uso Não Comercial - Partilha nos Mesmos Termos 3.0 Não Adaptada.
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quinta-feira, junho 9

Assunto de elevador

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A momentânea clausura de um elevador exerce sobre os seres humanos um efeito bastante interessante. Este meio de transporte vertical é um dos poucos lugares em que estranhos são obrigados a trocar meia dúzia de palavras, pelo menos duas: Bom dia!
O clima e o tempo são os temas favoritos entre os desconhecidos:
– Calor, né?
– É, acho que vai chover.
Na verdade, conversas sem muito sentido. Visam apenas fazer um contato, descontrair. Afinal, fisicamente tão próximos, quase olho no olho, sentindo o calor e os “perfumes” um do outro, é quase impossível não reagir. Parece até que se vai tirar alguém pra dançar. É preciso dizer alguma coisa! Alguns puxam conversas que até passam do “ponto”, mas em geral, no máximo, as especulações sobre o tempo.
O ascensorista, figura mediadora nesta situação apertada, e que ajudava a quebrar o gelo, está em extinção. Hoje com elevadores totalmente automatizados, as pessoas falam bem menos. Talvez um simples “Dia!” ou “Cença”. O último elevador que tomei esta semana me recebeu com um sonoro “Bom dia!” e completou:
- Aperte o botão correspondente ao seu andar.
E se você der uma cochilada durante a viagem ele abre a porta e te dá um toque:
- Quinto andar. Tenha um bom dia!
Alguns destes aparelhos informam também no painel a hora e a temperatura ambiente. Será o fim da conversa nos elevadores!?


Abraços!
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domingo, maio 15

Ócio trabalhoso

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Pablo Neruda, poeta chileno, certa vez disse "Escrever é fácil: você começa com uma letra maiúscula e termina com um ponto final. No meio você coloca as ideias". Bonito! Em síntese, bem simplista é isso mesmo. Contudo, não é difícil perceber a ironia nas palavras do poeta.

Ter boas idéias e colocá-las em prática, não é tão simples assim; é como colocar o sino no pescoço do gato; só a déia parece boa. Quem se mete a escrever tem que dar conta do recado, de cabo a rabo, digo, de introdução a conclusão. Não tenho encontrado tempo para trabalhar a matéria-prima, a palavra. E lutar com elas é uma luta vã (Drummond).

Na momentânea falta de assunto, prefiro ficar com o que disse o filósofo e escritor alemão Goethe: "Escrever é ócio trabalhoso".

Boa semana a todos!
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sábado, abril 30

Pedaços de mim

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Carreei pedras para a construção da igreja, testemunhei a conclusão dos seus alicerces. Amassei com meus próprios pés o barro que uniria aquelas rochas e com o qual assentariam os primeiros tijolos. A nave, a sacristia, o campanário tudo bebera do meu suor. Aquele trabalho árduo, contudo, enchia-me de orgulho e de um presumido prestígio com a santinha, que ansiosa aguardava, numa capelinha precária, a hora de ocupar seu lugar no altar.

Desde aquela ocasião, o que mais me marcou em relação a minha ligação com a cidade, foi quando, anos mais tarde, deixei minha terra querida. Ao longe, através da janela do expresso serrano, sobressaindo à nuvem de poeira que levantava da estrada, irrompia altaneira a torre da Igreja de Nossa Senhora da Conceição. Foi a última recordação que guardei do lugar em que nasci. Quando a poeira assentou meu olhar já vislumbrava outros horizontes, construía novos sonhos.



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segunda-feira, abril 18

1, 2, 3...Parabéns!

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Todo começo é um parto. Mas isso não pode ser desculpa para deixarmos de experimentar e aprender coisas novas. Lu pensou assim quando resolveu começar o Voz Ativa. E não desanimou. Hoje o Blog completa três anos. É uma boa marca para uma empreitada sem maiores pretensões.


Entrar como colaborador do Voz também foi um desafio. Relutei de início, mas Lu me convenceu e estou aquí com ela eté hoje.


Tem sido uma experiencia gratificante e produtiva, embora de inicio tenha sido desafiador também. Blogar é uma atividade muito pessoal e aberta. Não é fácil você se expor, colocar seus pontos de vista, suas emoções abertos a avaliações e julgamentos de leitores virtuais. Contudo é um ótimo aprendizado, um laboratório onde a opinião do leitor é muito valiosa.


Continuarmos por aqui deve-se ao fato de que nesta luta encontramos muitos leitores, seguidores, e entre eles muitos incentivos que nos garantem o desejo e o prazer de continuar.


O nosso agradecimento a todos, um grande abraço e tenham uma boa semana!


Parabéns Voz! Que continue por muito tempo Ativa!



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