Em 2013 comemoramos o centenáriode dois dos maiores nomes da
literatura brasileira. Um deles é o carioca Vinicius de Moraes, poeta,
compositor, jornalista e diplomata brasileiro. Vinicius nasceu 19 de outubro de 1913 na rua Lopes
Quintas, no Jardim Botânico, na
cidade do Rio de Janeiro.
Controverso ser que cantava a alegria melhor do que ninguém, Vinicius
achava que a alegria não era uma atmosfera de vida criadora. Dizia-se “um homem
triste com uma grande vocação para a alegria” que só sabia criar na tristeza e
que a morte era sua grande musa. O que pode ser observado em muitos de seus poemas.
De manhã escureço
De dia tardo
De tarde anoiteço
De noite ardo.
A oeste a morte
Contra quem vivo
Do sul cativo
O este é meu norte.
(...)
(Poética I)
(...)
Com as lagrimas do tempo e a cal do meu dia
Eu fiz o cimento da minha poesia (...)(Poética
II)
...
Para que vieste Na minha janela Meter o nariz? Se foi por um verso Não sou mais poeta Ando tão feliz! Se é para uma prosa Não sou Anchieta Nem venho de assis. Deixa-te de histórias Some-te daqui! (A um passarinho)
Essa peculiaridade de Vinicius não é tão estranha à literatura. A melancolia, segundo o
poeta americano Edgar Allan Poe, é o mais legítimo de todos os tons poéticos. A obra completa de
Vinícios pode ser vista em http://www.viniciusdemoraes.com.br/site/
O outro centenário é o cronista, poeta
e jornalista Rubem Braga, nascido em Cachoeiro do Itapemirim – ES.
*Haicai ou haikai - São breves
tercetos, de origem japonesa. Na sua forma mais tradicional apresentam o primeiro
verso de cinco silabas, o seguinte de sete e o último de cinco, ao todo
dezessete sílabas. Concisão e objetividade.
“...ah, me
corrói a ideia de ver que o blog esta há dias sem atualização, fazer o quê? Não
tem dado... Até tenho algumas ideias, poemas, sempre algum na manga, mas só isso não basta; as ideias tem que ir
pro papel, tem que revisar ilustrar, postar enfim. Quisera eu fosse tudo tão
simples...pra completar é dezembro. Fim de ano é uma coisa! Compromissos com a família,
Natal, compras, shopping lotado, amigo oculto. A gente se envolve com tanta
coisa que acaba não dando conta. Tenho que arrumar um tempinho, blog também é
compromisso, se de todo não der, daqui a pouco esse estresse todo passa e eu
volto a escrever...é só uma fase.”
Não
sei porque mas este breve monólogo me lembrou Clarice:
Com seu estilo literário
introspectivo Clarice Lispector (Tchetchelnik, 10/12/1920 — Rio de
Janeiro, 9/12/1977), de origem judaica, foi uma escritora e jornalista
brasileira, nascida na Ucrânia e naturalizada brasileira.
Escritora
por vocação, brasileira por opção, Clarice foi escritora
da alma feminina, mestra das epifanias e fluxos de consciência na construção de
seus personagens. Deixou-nos de presente muitas obras, tais como: A hora da estrela, Laços de família, Perto do coração selvagem.
Hoje,
10 de dezembro, é seu aniversário de nascimento.
Jorge, Amado,
idolatrado, filho do País do Carnaval, da Bahia, Bahia de São Jorge, dos
Ilhéus, Bahia do Cacau, de Todos os Santos.Filho de tantas
mães, de santo; pai de tantos brasileiros, personagens; pai do Menino Grapiúna,
de Tieta, de Teresa Batista, de Gabriela e de tantos outros, criados nas
areias, com Cravo e Canela.Na Estrada do
Mar sua poesia traça sua Biografia.
Em seus romances
o autor escreveu sobre o Amor do Soldado, o Mundo da Paz e da Hora da Guerra;
da Tenda dos Milagres e do Sumiço da Santa.
Jorge Leal Amado de Faria (10/08/1912-6/08/2001), que assumiu a cadeira 23da Academia Brasileira de Letras em
1961, foi um dos homenageados da XXII Bienal Internacional do Livro de São
Paulo, ocorrida em agosto 2012. Desde o início do ano,
centenas de eventos pelo Brasil e pelo mundo celebram o centenário de nascimento
de Jorge Amado.
Seu romance é a
Bahia, de todos os homens, de todos os santos, do nordeste, do Brasil. De
Jequié para o mundo, Amado, inesquecível, Jorge.
“Se procurar bem você
acaba encontrando.
Não a explicação (duvidosa) da vida,
Mas a poesia (inexplicável) da vida.” (Carlos Drummond de Andrade)
De 4 a 8 de julho, Paraty,
litoral sul do Estado do Rio de Janeiro, estará em festa novamente. É a FLIP,
Festa Literária Internacional de Paraty – 2012. Esta é a décima edição do
evento.
Dentre os convidados podemos
citar: Alcides Villaça, paulista; Alejandro Zambra, escritor chileno; Alexandre
Pimentel, carioca; Angeli; Dany Laferrière; Dulce Maria Cardoso, uma das mais premiadas escritoras da
literatura portuguesa contemporânea; Fabrício Carpinejar; Fernando
Gabeira; Javier Cercas, premiado
escritor espanhol; Juan Gabriel Vásquez; Luis Fernando Verissimo, escritor, roteirista, dramaturgo e tradutor,
nascido em Porto Alegre; Roberto DaMatta e Zuenir Ventura, entre muitos
outros.
E, como ocorre todo ano há
sempre um escritor homenageado na FLIP. Desta vez será, ninguém menos que o
filho de Itabira, o poeta “gauche” Carlos Drummond de Andrade. Paraty será só
poesia!
A poesia é a melhor maneira
de se ver as coisas, a leitura uma forma de poder inesgotável. Vamos lá! A gente
sai de lá poderoso.
Terminou ontem (10/07) o mais importante festival literário da América Latina; A FLIP 2011. Sinto-me uma pessoa privilegiada por ter tido, mais uma vez, a oportunidade de testemunhar um evento dessa magnitude. De quarta a domingo Paraty, no litoral sul do Rio de Janeiro, fervilhou de programas literários, onde autores, nacionais e estrangeiros, e muitos visitantes ávidos por novas leituras se esbarravam nas ruas.
Deixando de lado os atrativos próprios da cidade, que é Patrimonio Historico Nacional desde 1966 e candidata a Patrimônio da Humanidade pela UNESCO, a Festa Literária Internacional de Paraty oferece tantas opções que, embora os eventos oficiais não ocorram simultaneamente, o visitante fica atordoado na hora de decidir o que gostaria de apreciar: as livrarias, as celebridades, os eventos oficiais ou as atividades paralelas?
Tem as exposições, entrevistas e painéis sobre o homenageado, desta vez o modernista, vanguardista, Oswald de Andrade; a programação oficial de autores e convidados especiais; Tem a Flipinha, dedicada às crianças; tem a Flipzona, com programação para o público jovem; e tem as atrações promovidas por artistas intinerantes, como, cordelistas, cantadores, poetas, grupos de teatrinho de bonecos, que fazem suas performances pelas ruas; qualquer esquina pode ser seu palco. A praça da Matriz é um grande evento ao ar livre, com bonecos, os pés-de-livros, contadores de estórias e muito mais.
Para esta edição da FLIP cheguei na sexta-feira à noite, passei o sábado por lá. Tive a oportunidade de assistir a entrevista de Joe Sacco, escritor e jornalista Maltês (nascido na República de Malta, no Mediterrâneo), radicado nos Estados Unidos, que atualmente escreve quadrinhos sobre temas de guerras contemporâneas, como em "Notas sobre Gaza" e assisti tambem a entrevista com o escritor baiano, João Ubaldo.
Entre outros lançamentos, o romance do escritor português Valter Hugo, que se apresentou na sexta-feira, " A máquina de fazer espanhóis", esgotou na Flip.
Voltei à noitinha, carregado de livros, panfletos, brindes, lembrancinhas da cidade, feliz e renovado. E já me programando para a próxima, que homenageará o poeta Carlos Drummond de Andrade em 2012. Tô como pinto no lixo! Ou no luxo; clássico, cult, claro!
Estou ainda desfazendo as malas de uma viagem de férias, lamento não poder embarcar nesta outra. Diferente porém muito agradável.
Começou dia 4 e vai até o dia 8 de agosto a Festa Literária Internacional de Paraty - Flip 2010. O homenageado desta edição é o escritor Gilberto Freire. Muitos são os autores convidados famosos: Colum McCann, Edson Nery da Fonseca, Fernando H. Cardoso, Ferreira Gullar, Gilbert Shelton, Hermano Vianna, Isabel Allende, John Makinson, José de Souza Martins, Lionel Shriver, Luiz Felipe de Alencastro, Maria Lúcia P. Burke e Moacyr Scliar entre outros.
O clima de Paraty é muito agradável e durante a Flip respira-se música, poesia e muita literatura. Quem gosta sente-se como pinto no lixo.
Paraty fica na costa sul do Estado do Rio de Janeiro, quase chegando ao Estado de São Paulo. A cidade tem muitos outros atrativos além da feira: história, gastronomia, praias, passeios de barco, mergulho, trilhas e muito mais.
Há 30 anos calava-se uma voz apaixonada que ecoaria indefinidamente nos corações sensíveis. O saudoso Poetinha, Vinicius de Moraes deixou desapadrinhados os amantes, mas ao mesmo tempo nos deixou um legado valiosíssimo da poesia de um eterno apaixonado pela vida. Trinta anos longe dos nossos olhos, mas sempre no coração.
“Vinicius de Moraes nasceu no (Rio de Janeiro, 19 de outubro de 1913 — Rio de Janeiro, 9 de julho de 1980) foi um diplomata, dramaturgo, jornalista, poeta e compositor brasileiro.
O poeta Vinícius de Moraes, essencialmente lírico, o poetinha (como ficou conhecido) notabilizou-se pelos seus sonetos. Conhecido como um boêmio inveterado, fumante e apreciador do uísque, era também conhecido por ser um grande conquistador. O poetinha casou-se por nove vezes ao longo de sua vida.
Sua obra é vasta, passando pela literatura, teatro, cinema e música. No campo musical, o poetinha teve como principais parceiros Tom Jobim, Toquinho, Baden Powell, João Gilberto, Chico Buarque e Carlos Lyra.
Na verdade, Vinícius de Moraes não foi músico, muito menos cantor. Por causa de suas parcerias com tais músicos e cantores, que musicaram seus poemas, é comum tomá-lo por músico, conhecidas as várias canções de sua autoria. O detalhe importante é que Vinícius não era um compositor, só letrista.” (Wikipédia)
A obra de Vinícios é muito vasta e seus sonetos mundialmente conhecidos, seguem abaixo alguns poemas não tão conhecidos mas igualmente ricos em lirismo e paixao pela vida.
A ausente
Amiga, infinitamente amiga Em algum lugar teu coração bate por mim Em algum lugar teus olhos se fecham à idéia dos meus. Em algum lugar tuas mãos se crispam, teus seios Se enchem de leite, tu desfaleces e caminhas Como que cega ao meu encontro... Amiga, última doçura A tranqüilidade suavizou a minha pele E os meus cabelos. Só meu ventre Te espera, cheio de raízes e de sombras. Vem, amiga Minha nudez é absoluta Meus olhos são espelhos para o teu desejo E meu peito é tábua de suplícios Vem. Meus músculos estão doces para os teus dentes E áspera é minha barba. Vem mergulhar em mim Como no mar, vem nadar em mim como no mar Vem te afogar em mim, amiga minha Em mim como no mar...
A carta que não foi mandada
Paris, outono de 73 Estou no nosso bar mais uma vez E escrevo pra dizer Que é a mesma taça e a mesma luz Brilhando no champanhe em vários tons azuis No espelho em frente eu sou mais um freguês Um homem que já foi feliz, talvez E vejo que em seu rosto correm lágrimas de dor Saudades, certamente, de algum grande amor
Mas ao vê-lo assim tão triste e só Sou eu que estou chorando Lágrimas iguais E, a vida é assim, o tempo passa E fica relembrando Canções do amor demais Sim, será mais um, mais um qualquer Que vem de vez em quando E olha para trás É, existe sempre uma mulher Pra se ficar pensando Nem sei... nem lembro mais
A bíblia
A Bíblia já dizia Pra quem sabe entender Que há tempo de alegria Que há tempo de sofrer Que o tempo só não conta Pra quem não tem paixão E que depois do encontro Sempre tem separação Que o dia que é da caça Não é do caçador E que na alternativa Viva e viva E viva o amor
A gente vem da guerra Pra merecer a paz Depois faz outra guerra Porque não pode mais E deixa andar e deixa andar Até a guerra terminar Vamos curtir, vamos cantar Até a guerra se acabar
Os poemas estão disponíveis em viniciusdemoraes.com.br.
Costumamos, de vez em quando, falar de poesia aqui no Voz, e pra não perder o costume aí vai.
Depois que a literatura se desprendeu da temática dos mitos e feitos heróicos, como nos poemas épicos, e nos louvores a divindades, a temática mais recorrente na poesia tem sido sem dúvida o amor. O amor Eros, carnal, entre um homem e uma mulher (ou duas).
O amor, assim como as suas implicações, isto é, a falta dele, a distância da pessoa amada, a perda do amor, a saudade, o amor impossível, o proibido, enfim todas estas nuances, nos tem brindado com muita poesia. Portanto, é abundante na mídia impressa e digital a produção literária neste campo. Quem gosta, é só procurar!
Eventualmente, nas vezes que trato de poesia aqui aproveito para divulgar alguma das minhas. Meus versos são na grande maioria dentro desta temática também. Tem coisa mais inspiradora!?
Outro dia recebi um email com uma apresentação muitimídia que continha uma mensagem maravilhosa, comovente até. A mensagem já circula na blogosfera há algum tempo. O que acontece é que muita gente recebe mensagens, a princípio bacanas e bem intencionadas, motivadoras, e vai repassando, perpetuando assim, muitas vezes, erros ou informações equivocadas. A intenção com certeza é das melhores, mas de vez em quando é bom fazer uma crítica antes.
Neste caso eu conhecia o texto, portanto, a mensagem logo me pareceu estranha.
Vou colocar aqui um trecho para ver se você conhece. Veja:
“Se, por um instante, Deus se esquecesse de que sou uma marionete de trapo e me presenteasse com um pedaço de vida, possivelmente não diria tudo o que penso, mas, certamente, pensaria tudo o que digo.
Daria valor às coisas, não pelo que valem, mas pelo que significam.
Dormiria pouco, sonharia mais, pois sei que a cada minuto que fechamos os olhos, perdemos sessenta segundos de luz. Andaria quando os demais parassem, acordaria quando os outros dormem. Escutaria quando os outros falassem e gozaria um bom sorvete de chocolate.
Se Deus me presenteasse com um pedaço de vida, vestiria simplesmente, me jogaria de bruços no solo, deixando a descoberto não apenas meu corpo, como minha alma. (...)”
O original foi escrito em espanhol e se chama “La marioneta”, porém, a mensagem que veiculam na rede diz que este texto é uma carta de despedida de Gabriel Garcia Márquez quando se encontrava enfermo. Não sei com que intuito inventaram esta estória, mas o poema La Marioneta foi escrito em 1999 por Johnny Welch, um ventríloquo mexicano, que o escreveu para o seu boneco de nome Mofles. Um dos aspectos que chama a atenção quanto à autoria é a evocação de Deus a todo instante; Gabo, dizem os críticos, não era dado a religiosidade. Posteriormente o próprio autor, Johnny Welch, lamentou o equivoco com sua obra.
Veja aqui Gariel, Johnny Welch e a marioneta:
Gabriel Garcia Márquez, autor de Cem anos de solidão, nasceu em Aracataca, Colômbia, e foi Nobel de Literatura em 1982. Ele continua sua luta contra o câncer e problemas neurológicos, mas continua vivo.
Você já viu este texto por aí? Se o vir não se deixe enganar. É um lindo texto, uma mensagem comovente, mas não foi escrita por García Márquez.
Foi aberta sexta-feira dia 09/04 a IX Bienal Internacional do Livro no Ceará, no Centro de Convenções do Ceará. A solenidade foi conduzida pelo Jornalista e apresentador Tadeu Shmidt.
Foram premiados os alunos que venceram o concurso de redação, “A Bienal nas Escolas”, que movimentou alunos de escolas públicas e particulares do Ceará. No total, foram premiados 20 alunos, sendo dez de escolas públicas e outros dez de escolas particulares.
A grande homenageada é a escritora Raquel de Queiroz, que completaria 100 anos em 2010.
Erasmo Carlos que está lançando seu livro de memórias “Minha Fama de Mau”, fez um show.
A feira funciona até o dia 18 de Abril com uma vasta programação, lançamentos de várias obras, encontros com autores, uma exposição em estandes com mais de 80 mil títulos aentrada é gratuita.
Desde que me entendo por gente que gosto de ler. Sempre li de tudo um pouco.
Várias pessoas lembram de mim pela minha paixão adolescente por Agatha Christie, não lembro como a conheci mas me encantei com seus personagens , Hercule Poirot, Miss Marple , só para ilustrar. Com o passar do tempo fui me interessando por outros autores, sempre gostei muito de cronicas e foi por causa delas que cheguei a Martha Medeiros, quem vem aqui com frequencia já leu várias de suas cronicas . Gosto do que ela escreve.
Mas porque eu estou falando disso? Remexendo nos meus livros encontrei um livro que ganhei num dia muito especial, com uma dedicatória que confirma o que falei.
A dedicatória diz o seguinte: Lúcia; Hoje, o dia nacional do livro, me faz lembrar grandes autores; "grandes autores" me lembra Agatha Christie, porque Agatha Christie me faz lembrar você.
Faz tempo que não leio Agatha Christie, mas ela foi fundamental para consolidar minha paixão pela leitura.
Lendo, você faz viagens fantásticas, adquire conhecimento e coloca seu cerébro para trabalhar.
Quantas vezes me vi percorrendo cenários fantásticos, vivendo amores impossíveis, desvendando mistérios. Existem personagens fascinantes, que nos transportam por lugares e sensações que na vida real dificilmente conheceríamos ou vivenciaríamos.
E vocês gostam de ler, tiveram ou tem paixão por algum autor?
Realizei um sonho, sabe. Desde a primeira FLIP em 2003 que eu sonhava ir a esse evento maravilhoso. Não pela cidade por que eu já conhecia de passeios de verão, mas ir à FLIP foi o máximo!
Você não conhece, né mãe. O caminho do Rio a Paraty, pelas encostas da Serra Geral e Serra da Bocaina é uma beleza! Cada curva é uma surprêsa. À direita a gente vai vendo o que restou da Mata Atlântica, mas ainda é muito lindo; vegetação exuberante, cachoeiras, clima ameno. A chamada Costa Verde é magnífica! À esquerda, as praias, marinas, enseadas, muitas ilhas e encostas completam o cenário paradisíaco. Ah, a gente passa também pela usina nuclear de Angra. O visual choca. Destoa da paisagem. Mas deixa a viagem pra lá. Vou te falar daFLIP.
A cidade, fundada em 1667, encanta qualquer um. No centro histórico, parece que você caiu dentro do cenário de uma novela de época.
A FLIP é um barato! Como diria minha filha: é show, é massa, é maneira! É tudo isso aí. Olha, dos eventos oficiais não vou falar muito não, sabe. Por que deles todo mundo fala, todos os jornais divulgam demais. São muito interessantes e muito bem organizados, sem dúvida. Você tropeça em escritores, cineastas, músicos e jornalistas de todas as nacionalidades. É uma Babel organizada!
Os eventos oficiais, concentrados à beira do canal, consistem basicamente da Tenda dos autores, onde rolam as entrevistas com os escritores convidados; a Tenda do Telão, onde são transmitidas ao vivo as entrevistas que estão rolando na tenda dos autores; a Tenda da Flipinha, local onde são recebidos os leitores infantis; e a disputadíssima Tenda dos autógrafos.
O dia mais badalado, depois da abertura, foi a sexta-feira, quando se apresentaram Chico Buarque e Milton Hatoum.
Mas o que mais me impressionou foi a quantidade e qualidade de eventos paralelos. A cidade respira literatura e arte. À noite cada Café ou barzinho tem uma atração. Saraus, leituras de poesias, serestas, apresentação de músicos, exposições de arte, é demais!
Nas praças você se vê cercado pela literatura. São livrarias, tendas, bancas, cheias de livros pra todo gosto. Os livros caem das árvores. Já ouviu falar em pé-de-livro. Poi é, eles penduram os livros nas árvores para atrair a criançada.
Outro detalhe interessante são os bonecos saídos da literatura direto para a Praça da Matriz. Tem Quixote, Mobi Dick e muitos outros.
Tem cordelistas a caráter, apresentando seus folhetos pelas ruas e muitos escritores anônimos, batalhando para divulgar e vender seu primeiro livro. É barra. O cara tem que bancar a edição e ainda sir por aí tentando vender. Vida de escritor é dura! É aqui que a gente vê que ninguém nasce um Machado ou Euclides, não! Tem que conquistar o leitor. É um caminho longo. A poesia e a pintura disputam seu lugar pelas esquinas. Pintores e poetas apresentam seus trabalhos pelas calçadas mesmo. Por falar em poesia, o homenageado desta sétima edição da Feira foi Manuel Bandeira, olha só! A cidade era só poesia!
Fiquei encantado. Com certeza voltarei em outros eventos, mas da próxima vez trarei alguém para compartilhar de toda essa beleza comigo. Me senti um pouco só, no meio de tanta gente. Pode?! Depois de muito folhear livros e assistir às entrevistas dos escritores James Salter, americano, e Anne Enright, irlandesa, fui dar uma voltinha pela cidade, comer alguma coisa e procurar um lugarzinho para descansar e folhear os livros que comprei.
Parei em frente a igreja de Nossa Senhora das dores, na orla, quase cochilei deitado na grama. Mas lembrei que tava na hora de pegar a estrada de volta. Passei para me despedir de Santa Rita, e pé na estrada. O mais eu te conto pessoalmente, ou, se você quiser, dá uma olhada no site oficial da FLIP. Tem muito mais!
Foi lançado em Fortaleza por Leonardo Guelman o livro ”Univvverrsso Gentileza”, que fala da vida de José Datrino, conhecido como Profeta Gentileza.
O profeta , que foi tido como louco pela própria família, foi preso, ouvia vozes que o estimulavam a pregar uma nova condição para o ser humano e espalhava cartazes pelas ruas do Rio de Janeiro e até outros estados, esteve no Ceará em 1982 e 1988, sempre divulgando suas mensagens, que para muitos parecia coisa de excentrico... mas que estão até hoje marcadas e fazem parte do patrimonio cultural dos cariocas, seus murais em verde, amarelo azul e branco , nas 56 pilastras do viaduto do caju, inicio da Avenida Brasil , a caminho da rodoviária Novo Rio, num verdadeiro Livro Urbano.
José Datrino, paulista da cidade de Cafelândia , (1917-1996) deixou a família para se tornar mensageiro da paz, no início dos anos 60. Haveria até uma marca dramática: a morte da mulher e dos cinco filhos no trágico incêndio do Gran Circus Norte-Americano, em Niterói, em 1961. “Na verdade, sua família não morreu, mas seis dias depois, dirigindo um caminhão, ele teve sua revelação em Nova Iguaçu. Essa é apenas uma das lendas que cercam Gentileza.
Nos dias de hoje onde a violência impera, não se conhece mais o seu vizinho, muitos sequer sabem o que é dar um bom dia... um pouco de gentileza entre as pessoas faria toda a diferença.
Ofereço esse post ao Amarísioa pessoa mais gentil que conheci na net, e que fez aniversário esse mês, desejando que a gentileza nunca o deixe.
Estava relendo Fernando Sabino ( O Encontro das Águas).
Lembrei de um episódio ocorrido algum tempo atrás, meu filho do meio , era uma pimenta, o moleque dava um trabalho que só vendo, certo dia o pai já em desespero olhou para ele e disse:
Felipe se tu não se aquietar, vou dar um cascudo na tua cabeça que vai rachar teus pés. (antes que vocês fiquem indignados, não tínhamos o costume de bater em nossos filhos), grande foi a surpresa dele quando chamei a sua atenção para o que o Felipe estava fazendo , agora bem caladinho...ele dava um cascudo na própria cabeça e em seguida olhava os pés para ver se tinham rachado.
Nós ficamos morrendo de dó dele e a partir desse dia, tentamos não dizer coisas desse tipo, pois as crianças interpretam as palavras ao pé da letra.
Quem não fez alguma interpretação desse tipo quando criança?
Leiam o texto
O Homem é um animal racional, embora não pareça. Não há criança que, na escola, não tenha achado graça ao aprender isso, divertindo-se com os colegas: seu pai é um animal, dizem uns para os outros.
Mas a criança é o pai do homem, se me permitem este lugar comum que Wordsworth inventou. Antes de se saber animal e filho de animal, já sabe usar a razão que Deus lhe deu, segundo a qual as palavras tem um significado concreto e definido, que pode ser colhido nos dicionários, servindo para designar exatamente aquilo para o qual foram criados. Em consequencia, os mistérios da linguagem figurada escapam de muito à tão apregoada imaginação infantil.
Para as crianças, nada existe senão ao pé da letra, e não duvido que, diante dessa expressão, pensassem logo numa letra com pés, dedos , unhas e sapatos. Ir num pé e voltar noutro, por exemplo, para o menino que eu fui, era uma façanha tão difícil como sair da rua pulando numa perna só, depressa para atender a urgencia contida na ordem de minha mãe.
Assim também, meu pai mandar que o empregado desse um pulo na cidade me parecia uma ordem extravagante, como ordenar que o pobre homem fosse até o centro da cidade, juntasse as pernas, desse um pulo no ar diante dos transeuntes e voltasse para casa. Nunca me conformei com a idéia de virar um palito se comesse pouco ao jantar, de virar uma bola se comesse muito e, em ambas as hipóteses, ficar de cara amarrada porque não queria obedecer. Amarrar a cara evidentemente só seria possível com o auxilio de cordas, e se nela houvesse um só pingo de vergonha, ela me escorreria pelo rosto como uma lágrima até pingar no chão.
Mas a fé removia montanhas, o que bastava para fazer desaparecer o morro atrás do qual o sol se escondia. Um dia ouvi uma visita dizer que tinha feito das tripas coração, o que constituiu um sério abalo para as minhas ainda confusas noções de anatomia. Ficar com o coração na mão era coisa que só muito mais tarde vim a entender, e reconheço que, desde então, isso passou a me acontecer com alguma frequencia.
Começava a penetrar os mistérios da linguagem figurada e ia ingressando, submisso, no mundo convencional que me deixavam como herança. Idéias que só se impõe pelo fato de ser repetidas; hábitos que se formam pelo fato de ser impostos; palavras cuja significação original há muito se perdeu e que são usadas como rebanhos pacíficos. Gestos de valor convencionado como o das moedas, para o comércio da convivencia.
Um dia descobriria com espanto uma simples verdade, como o céu é azul, o oceano é imenso, a noite é bela. E o céu passava a ser azul só para mim, o oceano era imenso porque eu o queria assim, a noite era mais bela que o dia porque era só minha, de mais ninguém. As idéias herdadas iam sendo repreendidas, iam sendo desenterradas do lugar comum como uma recriação. Era o que eu precisava para me tornar escritor.
Escrever bem não é repetir o que já foi bem escrito: é revalorizar os meios de expressão, juntar ou separar palavras para faze-las reagir, servir-se do que já foi dito para dizer pela primeira vez. Como fez Gide, ao confessar: “ Os extremos me tocam”. Como fez Machado de Assis, ao dizer que “o major chovia a cantaros”. Como fez o Mário de Andrade, exclamando: “ Amar sem ser amado, ora pinhões!” É preciso reabilitar para a literatura as ideias cuja expressão a frase feita consumiu. Surpreender o lugar comum como a um inimigo e libertar a verdade que possa encerrar. Usar esta verdade na descoberta de outras que um dia venham a ser lugar comum.
Há pouco mais de um ano , ganhei da Lis o livro do Mário Vargas Llosa- Travessuras da menina má.
A história narrada no livro começa no Peru, mas, a maior parte se passa mesmo em Paris, o enredo começa nos anos 50 e passa por várias décadas, o personagem principal tem duas grandes paixões: a menina má, e Paris, e vai ser tradutor e interprete para realizar o sonho de viver em Paris.
Uma história muito interessante, que vale a pena ser lida, recomendo.
"O homem, quando jovem, é só, apesar de suas múltiplas experiências. Ele pretende, nessa época, conformar a realidade com suas mãos, servindo-se dela, pois acredita que, ganhando o mundo, conseguirá ganhar a si próprio. Acontece, entretanto, que nascemos para o encontro com o outro, e não o seu domínio. Encontrá-lo é perdê-lo, é contemplá-lo em sua liberrérima existência, é respeitá-lo e amá-lo na sua total e gratuita inutilidade. O começo da sabedoria consiste em perceber que temos e teremos as mãos vazias, na medida em que tenhamos ganho ou pretendamos ganhar o mundo. Neste momento, a solidão nos atravessa como um dardo. É meio-dia em nossa vida, e a face do outro nos contempla como um enigma. Feliz daquele que, ao meio-dia, se percebe em plena treva, pobre e nu. Este é o preço do encontro, do possível encontro com o outro. A construção de tal possibilidade passa a ser, desde então, o trabalho do homem que merece seu nome."
Lendo sobre a bienal do livro, e literatura de cordel, me deparei com Jessier Quirino que faz o que aqui se chama de poesia matuta, e que faz muito sucesso por essas bandas, então para quem nunca ouviu falar, é uma chance de conhecer, e para os que já apreciam o estilo, espero que gostem.
"A poesia matuta já é um estilo consagrado da literatura brasileira. Nomes como Patativa do Assaré, Catulo da Paixão Cearense e Zé da Luz são conhecidos em todo o país como os principais representantes do gênero.
Paisagem de interior
Jessier Quirino
Matuto no mêi da pista menino chorando nu rolo de fumo e beiju colchão de palha listrado um par de bêbo agarrado preto véio rezador jumento jipe e trator lençol voando estendido isso é cagado e cuspido paisagem de interior.
Três moleque fedorento morcegando um caminhão chapéu de couro e gibão bodega com surtimento poeira no pé de vento tabulêro de cocada banguela dando risada das prosa do cantador buchuda sentindo dor com o filho quase parido isso é cagado e cuspido paisagem de interior.
Bêbo lascando a canela escorregando na fruta num batente, uma matuta areando uma panela cachorro numa cadela se livrando das pedrada ciscador corda e enxada na mão do agricultor no jardim, um beija-flor num pé de planta florido isso é cagado e cuspido paisagem de interior.
Mastruz e erva-cidreira debaixo dum jatobá menino querendo olhar as calça da lavadeira um chiado de porteira um fole de oito baixo pitomba boa no cacho um canário cantador caminhão de eleitor com os voto tudo vendido isso é cagado e cuspido paisagem de interior.
Um motorista cangueiro um jipe chêi de batata um balai de alpercata porca gorda no chiqueiro um camelô trambiqueiro avelós e lagartixa bode véio de barbicha bisaco de caçador um vaqueiro aboiador bodegueiro adormecido isso é cagado e cuspido paisagem de interior.
Meninas na cirandinha um pula corda e um toca varredeira na fofoca uma saca de farinha cacarejo de galinha novena no mês de maio vira-lata e papagaio carroça de amolador fachada de toda cor um bruguelim desnutrido isso é cagado e cuspido paisagem de interior.
Uma jumenta viçando jumento correndo atrás um candeeiro de gás véi na cadeira bufando radio de pilha tocando um choriço, um manguzá um galho de trapiá carregado de fulô fogareiro abanador um matador destemido isso é cagado e cuspido paisagem de interior.
Um soldador de panela debaixo da gameleira sovaqueira, balinheira uma maleta amarela rapariga na janela casa de taipa e latada nuvilha dando mijada na calçada do doutor toalha no aquarador um terreiro bem varrido isso é cagado e cuspido paisagem de interior.
Um forró de pé de serra fogueira milho e balão um tum-tum-tum de pilão um cabritinho que berra uma manteiga da terra zoada no mêi da feira facada na gafieira matuto respeitador padre, prefeito e doutor os home mais entendido isso é cagado e cuspido paisagem de interior.
Paisagem de Interior - Jessier Quirino
Jessier Quirino é paraibano de Campina Grande, arquiteto por profissão, poeta por vocação, vive atualmente em Itabaiana. É o autor dos livros "Paisagem de Interior", "A Miudinha", "O Chapéu Mau", "O Lobinho Vermelho" e "Agruras da Lata D'Água", além de cordéis, causos, musicas e outros escritos.
O Voz Ativa surgiu da vontade que eu tinha de aprender a usar as ferramentas do blogger. Juntando-se a isso o gosto pelas novas amizades e fazer desse espaço um local agradável para que os meus amigos e quem mais chegar se sinta bem acolhido. Sou acima de tudo uma pessoa que gosta de interagir, curiosa, bom astral, aqui o mau humor não tem vez. Sempre digo aos amigos que a net para mim, é lugar para ser feliz e não para estressar. Quase um ano depois senti a necessidade de compartilhar o Voz com mais alguém, para dar um sangue novo, e não podia ser qualquer pessoa, tinha que ser do sexo masculino, para que o Voz ficasse completo e convidei o Tony, um grande amigo, para dividir essa experiência comigo e acrescentar sua opinião ao conteúdo do blog.