Fotografia
de Sami Sarkis - Coleção: Photographer's Choice RF
“No
Afeganistão, mulher apaixonada é tabu. É proibido pelos conceitos de honra
rigorosos do clã e pelos mulás. Os jovens não têm o direito de se encontrar para
amar, não têm o direito de escolher. Amor tem pouco a ver com casamento, ao
contrário, pode ser um grave crime, castigado com a morte. Pessoas indisciplinadas
são mortas a sangue-frio. Caso apenas um dos dois tenha de ser castigado com a
morte, invariavelmente é a mulher.” (p.55)
Mas,
se você pensa que por se tratar da realidade de um povo extremista, conservador
e ortodoxo, não há lugar para intimidades, erotismo e outras expansões mais
intimas, engana-se. Há passagens de fazer corar as menos puritanas.
Mais
chocante ainda é a menção que a autora faz aos poemas Landay. Esses poemas são uma espécie de Hai-kai do islã, em geral têm apenas duas linhas. São feitos por mulheres oprimidas, sem
voz própria. Normalmente não são impressos, sobrevivem na oralidade, no
anonimato. Como estes que o livro resgata:
“Pessoas cruéis veem
um velhinho
A caminho da minha
camaE ainda me perguntam por que choro e arranco os cabelos.”
“Eu era bela como uma
rosa;
Debaixo de ti fiquei
amarela como uma laranja.”
“Põe tua boca sobre a
minha.
Mas deixa minha
língua livre para poder falar de amor.”
São
gritos contidos, proibidos, sem eco. Não é uma realidade que nos agrade saber que ainda existe, mas vale a pena conhecê-la um pouco. Através da literatura apenas!
Lugirão · 675 semanas atrás
Não faz muito tempo os casamentos eram arranjados,e até hoje isso ainda existe mesmo na nossa sociedade, os casamentos por "interesse", muitos deles duram bastante tempo.
Quem não conhece casais que vivem casamentos por pura conveniência, onde o amor passa longe, alguns são bem sólidos. Nesses relacionamentos quem se apaixonar vai sofrer...
No fim das contas não é tão diferente,pelo menos na essência.
Muito interessante seu texto.
Tony · 675 semanas atrás
É mesmo uma realidade cruel, aos nossos olhos.
bjos
francysoliva 29p · 675 semanas atrás
Mas, como você colocou sempre é bom conhecer outras culturas, mesmo que seja através de leituras.
Beijos
Tony · 675 semanas atrás
Todo julgamento é uma visao daquele que julga. Para quem está dentro parece tudo bem.
Grato pelos comentários Francys
bjos
Luma Rosa · 675 semanas atrás
Realmente, trata-se de uma cultura muito diferente da nossa, aqui no Ocidente. E, por isso mesmo, é muito difícil para nós acreditarmos e aceitarmos que a mulher sofra tanto, a ponto de machucar a si mesma, ter que se matar com querosene, oleo de cozinha ou água quente por causa dos maltratos, injustiças e tanta humilhação.
O livreiro de Cabul possibilitou que o mundo tomasse conhecimento da vida que a mulher afegã leva, mas por outro lado, só conhecer e nada fazer, não adianta nada! O imperialismo americano na região contribuiu muito para que a mulher fosse mais enclausurada ainda e ela deixou de sair de casa sozinha, pois tinham medo do rapto e estupro de mulheres. Pois saiba que também no oriente, o estupro é arma de guerra, sendo usado para inibir ações de tribos que queiram se unir à oposição.
Deixei comentário na postagem da sua participação no BookCrossing Blogueiro.
Bom fim de semana!!
Tony · 675 semanas atrás
É uma realidade que nos choca.
É inconcebivel saber que a única saida que muitas dessas mulheres veem seja o suicídio!
Valeu a dica de leitura. E vamos acabar com a traça! rss
bjos